quarta-feira, 30 de abril de 2008

Comunidade

E se você é leitor do Pretérito Passado, e faz parte do orkut, entre na nossa comunidade.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Busto, cintura e quadris: 96-45-83 cm.

O procurador-geral do Irã, Ghorbanali Dorri-Najafabadi, advertiu nesta segunda-feira contra as negativas conseqüências sobre a sociedade iraniana da boneca Barbie e de outros brinquedos ocidentais, e pediu medidas para proteger a cultura e os valores islâmicos.

A boneca Barbie usa roupas muito curtas, e totalmente fora do padrão islâmico.
Além do mais, aquela cabeleira loira passa bem distante da realidade dos iranianos. E se pensarmos bem, do nosso país também.

Mas quando se é criança não se pensa nisso. O legal é ter o que todo mundo tem. E todo mundo tem Brabie.

Na minha época, Barbie era uma praga. Todas as minhas amigas tinham uma. Com o tempo a boneca foi ficando cara, e papai arrumou uma outra alternativa - Família Coração. Mas eu lutei contra isso. Matei a Família Coração inteira em um acidental incêndio.

O esteriótipo da mulher rica, loira, nariz empinado, rostinho perfeito, olhos claros, cabelos cumpridos, cintura fina e pernas perfeitas era um sonho de consumo.
O grande problema não era ter a Barbie. O problema todo começava quando a Barbie virava consumista.
Ela não podia ficar junto com os outros brinquedos, precisava de uma casa para morar, um carro rosa conversível, roupas da moda, filhos, amigos, um marido, e assim o sonho loiro consumista não acabava nunca. Sempre lançavam alguma coisa nova, e eu sempre queria.


A Barbie tem a idade da minha mãe (49 anos - ela vai me matar), e ainda faz sucesso.
E o melhor, depois de tantos anos, ainda tem medidas impossíveis de um ser humano normal atingir.

E, se hoje eu tinjo o cabelo, a culpa deve ser da Barbie. Vou consultar um analista para entender melhor este processo.

Em 1992, a Mattel Toys lançou uma Barbie falante que dizia: "Aula de matemática é tão difícil!". E com isso surgiu a loira burra (brincadeira).

A Barbie dita moda, tendência, estilo de vida, e influencia a vida dos adolescentes, e até de muitos adultos (que fazem plásticas para se parecerem com a boneca).

Há diversas pesquisas associando a anorexia ao complexo de Barbie.
Para as jovens que sofrem de anorexia nervosa, ser magra é sinônimo de ser linda, bem-sucedida e competente. Para elas, a magreza inspira um sentimento de poder pelo qual elas buscam. E a Brabie representa todas essas ambições.

Como este padrão é inalcansável, muitas crianças mutilam, riscam, cortam o cabelo e desfiguram suas bonecas.

Vendo por este ângulo, talvez o procurador tenha razão. É importante que as crianças tenham contato com brinquedos mais adequados à sua realidade.

Mas mesmo com muitos argumentos, teses, pesquisas, estudos e o cacete, a Barbie continua sendo a boneca mais popular entre as crianças do mundo inteiro, inclusive no Irã.

Pessoa

O que eu fui o que é?
Relembro vagamente
o vago não sei quê
que passei e se sente
Se o tempo é longe ou perto
Em que isso se passou
Não sei dizer ao certo
Que nem sei o que sou
Sei só que me hoje agrada
rever essa visão
sei que não vejo nada
senão o coração.


Fernando Pessoa (23/03/ 1928- Poesias coligidas inéditas -1919-1935)

A voz do povo

Tem coisas que só os grandes centros trazem para você. Para todas as outras. Ah, não vou fazer comercial de graça.

Fazia tempo que não ouvia discursos.

Quando sai para almoçar, um homem de aproximadamente 55 anos, estava fazendo um discurso em plena Praça Oswaldo Cruz. Quase uma hora depois, ele continuava lá. Mereceu um crédito. Parei para ouvir o quê aquele homem falava.

Reproduzirei as reflexões de um mendigo revoltado.

"
Acordaram cedo, vieram pra cá trabalhar, andam pra lá e pra cá feito umas bestas. Foi Deus que mandou, foi?
Deus vai te acordar todo santo dia pela manhã
? Não, meus caros, é o despertador.
Sabe de uma coisa
? Vocês estão todos viajando. Tudo vocês colocam a culpa no Deus. Ele só fez 50%, colocou você nesta bosta de vida, o resto é culpa nossa. Minha, sua, de todo mundo, tire o Deus que vocês inventaram desta sujeira. Esta ano tem eleição. Depois não coloquem a culpa no Deus. Eu sou mendigo porque sou vagabundo, não foi Deus que quis. Sem essa de colocar toda a culpa das coisas erradas no tal Deus".

Confesso que se eu não estivesse atrasada, ouviria mais alguns minutos.

E se ele for candidato, tem o meu voto.

Os mendigos são a voz de Deus, meus caros.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Frase

"Ninguém consegue fazer tudo em oito ou dez anos”.
Getúlio Vargas.
Emílio Garrastazu Médici.
Ernesto Geisel.
João Figueiredo.
Companheiro Fidel também pensa da mesma forma.
E assim eles vão ficando, ficando, ficando...

Macaca

Torci pela Ponte Preta. Não adiantou muita coisa.

Sãopaulinos, corintianos, santistas, todos torciam contra o Palmeiras.

E mesmo com toda esta torcida contra, duvido que o Palmeiras perca o campeonato.


O Palmeiras entrou inspirado. Além de ter jogado melhor, tiveram a torcida especial da Miss Brasil 2008, Natália Anderle, que posou com a camisa do time em Campinas no dia do jogo contra a Ponte. Está explicado.

O resultado foi negativo, mas o time da Ponte Preta saiu de campo aplaudido, e com a promessa de reverter o jogo no próximo domingo.

Eu tenho uma certa tendência a torcer pelos fracos e oprimidos. Sou corintiana, acho que isso explica um pouco esta minha tendência. Além de ter um carinho especial pelas cores da Ponte.
A Ponte é o mais antigo clube de futebol do país, e possui a maior torcida do interior do Brasil. E ontem possuia a maior torcida do Estado de São Paulo.


O técnico é um ex-goleiro da própria equipe, o preparador de goleiros também.

O elenco está entrosado e tem mostrado um bom futebol. A torcida, dando apoio desde o primeiro jogo, e acreditando no potencial da equipe.

Garra e história o time tem. Mas está cada vez mais longe a chance de ser campão do Campeonato Paulista. Mesmo assim, não custa nada torcer.

Alguma coisa da cultural (sic)

Faço Pós na Avenida Paulista. Do quinto andar, onde é a minha sala, já ouvia gritinhos, e uma banda completa passando pela rua. Lembrei, Virada Cultural.

Saio da aula por volta das 18:00. Metrô lotado. Lembrei de novo, Virada Cultural.

Já no ônibus. O motorista avisa:

- Devido a virada cultural os ônibus funcionarão a noite toda!

Um senhor olha para minha cara aguardando algum tipo de comentário.

As pessoas querem falar sobre qualquer coisa. Tempo, trânsito, o caso Isabella, Greenpeace, lixo na cidade, qualquer coisa para jogar conversa fora. Ando meio econômica nas minhas conversas com estranhos.
Não estava com a menor vontade de conversar. Ele não resistiu:

- Essa coisa da cultural é muito chata. O Serra não tem mais o que fazer. Inveis de dar educação, trabalho, fica inventando essas festas. Só para atrapalhar o trânsito. Ano de eleição é assim mesmo. Esses (um monte de palavrões) não fazem nada pelo povo. A cultural está gastando horrores.

Mesmo sabendo que o Prefeito não é o Serra, achei melhor sorrir e concordar com a cabeça. Assim não rola discussão.

Achei que estava livre. Mas ele não resistiu.

- E o caso da menina Isabella, heim
? Foi o pai mesmo (aquele safado, fdp, maldito e etc), você não acha?

- Acho.

Ele casou de tentar puxar assunto comigo. Encontrou uma senhora no banco da frente que se interessou pelo assunto da menina Isabella e foi o caminho todo exercendo seu lado detetive.

Cheguei em casa. Depois de ver o jornal, desisti da tal cultural, muita gente.

Tive a infeliz idéia de ir em um bar perto do centro.
Uma hora de trânsito às 22:00. Virada Cultural.

Nunca vi tanto carro da CET na minha vida. Fora os carros de polícia, dezenas.
Pensei em fazer o retorno, não dava mais. Eu estava no meio da virada sem ao menos ter planejado isso.

Uns quinze adolescentes cruzaram meu caminho na São João. Dançavam e bebiam uma garrafa de coca-cola que provavelmente tinha algum aditivo. Cantavam Raul. Sim, eles sempre cantam Raul. Pobre Raul, seja lá onde estiver, já está de saco cheio das próprias músicas.

Quando finalmente consegui sair daquele inferno, lembrei do tio do ônibus. Acho que assim como ele, eu não estava muito a fim de participar da tal cultural.

domingo, 27 de abril de 2008

O dia em que o revisor faltou

Não há erros de português. Mas o fato de terem escrito "Gyselle" e "cantora" na mesma frase, é uma incoerência.

Gyselle canta mal. Toda vez que ela abria a boca no BBB, eu mudava de canal por vergonha alheia. Sabe quando não é você que está fazendo a merda, mas mesmo assim sente vergonha pela pessoa?
Era assim que eu me sentia ao ouví-la tentando cantar.

Não sei se é uma atitude corajosa, ou um puta tiro no pé. Mas decidir maltratar os ouvidos alheios deveria ser proibido.

Ela quer ser a Jennifer Lopez brasileira. Ela tem um corpo bonito, e dança bem. Mas para ser uma Jennifer Lopez vai precisar fazer muitas aulas de canto.
Sabrina Sato também tentou a proeza. Durou pouco.
E quem não lembra da Solange (ianuô)
?

Depois dessa notícia penso em ser artista plástica. Não sei desenhar uma casinha, mas gosto muito de pintar. E minha mãe sempre achou meus desenhos lindos, desde o maternal.

Viviane Pires estréia como artista plástica em exposição no Rio.

sábado, 26 de abril de 2008

Workando

Depois de quase três meses de "férias", começo a trabalhar na segunda-feira.

Gostaria de agradecer aos que torceram, riram das histórias, dinâmicas e entrevistas pelas quais passei nos últimos meses, não foram poucas.

Agora começa uma nova fase na empresa do Seu Manoel. Vou trabalhar para "os portuga". Chega de empresas americanas.

Acho que as atualizações, pelo menos por enquanto, não serão mais diárias, como tenho feito nos últimos meses. Afinal de contas, começo de trabalho nunca é fácil.

Isso não é uma despedida, de jeito nenhum. O blog tem sido uma excelente terapia nos últimos três anos (desde o finado Tudo a Declarar). É apenas uma satisfação ao querido público do Pretérito Passado.

Obrigada pelo apoio, pessoas!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Câncer de mama

Se fala muita besteira neste blog, mas tem horas que é importante falar sério, e ajudar Instituições sérias.

O Pretérito Passado tem tido um acesso de mil visitantes únicos por dia. Se cada um dos que passam por aqui, fizerem esta boa ação e divulgarem para seus amigos (ou até mesmo em seus blogs), acredito que possamos ajudar o site do câncer de mama.

O Instituto do Câncer de Mama está com uma importante campanha. Cabe a nós atendermos sua solicitação e ampará-lo, pois se depender do Governo será seu fim.
Não custa nada.

O site do câncer de mama está com problemas pois não tem o número de acessos e cliques necessários para alcançar a cota que lhes permite oferecer UMA mamografia gratuita diariamente a mulheres de baixa renda.
Demora menos de um segundo, ir ao site e clicar na tecla cor-de-rosa que diz "Campanha da Mamografia Digital Gratuita".

Não custa nada e é por meio do número diário de pessoas que clicam, que os patrocinadores oferecem a mamografia em troca de publicidade.

Perdemos tanto tempo lendo piadas e conversando no messenger, que acredito que não custa nada clicar, e ajudar um site tão importante.

Câncer de Mama


quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cigarro

Me deixe fumar só mais um cigarro.
Não quero que esta noite acabe.
O medo do amanhã me faz querer prolongar esta noite.

Não saia do meu lado.
Não suma das minhas vistas.
Só mais um cigarro.

A fumaça domina o quarto.
O cheiro de vinho, sexo e mais um cigarro.
O sono está chegando, luto contra ele.

Se eu dormir, acaba.
Se eu fechar os olhos, você pode sumir.
Não vá, deixe-me fumar só mais um cigarro.

Pode até me faltar o ar.
Mas não posso te deixar ir.
Uso o cigarro que sempre me faz companhia para você não partir.
Só mais um cigarro, prometo dormir.

Fecho os olhos.
Não há mais cigarros.
E não há mais como prometer que será o último antes de você ir.

Tem coisas que só a internet faz por você

No atual mundo cosmopolita em que vivemos existe diversos nichos, diversas culturas e diversas gírias.
Devo admitir que o mundo rosa choque tem as melhores de todos os tempos.

Li um texto em um blog que me deixou bem curiosa em relação às gírias do idioma bibês.
O melhor de tudo é que ele se explica. Então é um texto bem didático.

Como diria a personagem de Ítalo Rossi em "Toma lá da cá", o texto é mara.

E se lançarem um dicionário bibês, eu compro!

"Olha eu aqui, belo, mais que belo, belíssimo e cada vez mais perigoso nesse meu momento de quem não tem o que fazer (affffffffff!)! Nessa semana retomei a coluna de “Reflexão” tão almejada (crêammmmmmm!!!) e que vem em forma de desabafo, tem a estréia do “E-mail Bafônico” que tá um “IXCÂNDALO” (é com I e X e ainda um acento ^ pra chamar bem atenção!) e um Bote pra lá de odioso (isso mesmo, ODIOSO! Affffffffff!). A Madame Madô só semana que vem, O FLOG FICOU ENORME e dei outra folguinha a macumbeira que também é um IXCÂNDALO. Então vamos logo curiar essa atualização, porque EU NÃO QUERO NEM SABER QUEM MORREU, EU QUERO É DAR GARGALHADAS E MAIS GARGALHAS! OBS (Um bote por fora...): Eu repeti IXCÂNDALO 3 vezes, e segundo as normas da redação isso é um crime português (affffffffffff!), mas não significa que eu não saiba, afinal de contas minha nota de redação no ENEM foi 80, atingindo a média excelente em 3 das 5 matrizes e bom nas outras 2 (e já faço Facul tá?), então “Se não consegue ser igual a mim, TENTE AO MENOS ME IMITAR”... isso é um IXCÂNDALO!!! Kkkkkkkkkkkk".

Fernadinho

Fernandinho saia com todas. Alguns diriam, no linguajar atual, que Fernandinho era um galinha.
Mas como se trata de estória da oposição, digamos que Fernandinho sabia exatamente o que as mulheres gostavam.

Iniciou no mitiê da sedução aos 12 anos, com Dorinha - empregada da casa.

Dorinha dizia: Num bulina. Ele continuava. Insistiu tanto que Dorinha não resistiu e caiu em seus braços. Nos braços, em seus lençois, em sua cama.
Fernadinho ainda tinha 16 anos, Dorinha 18.

O romance durou bastante tempo. Dorinha sempre era a outra na vida do patrãozinho. Mesmo quando não queria, era ameaçada. sem ter para onde ir, aceitava as exigências de Fernandinho.

Cinco primaveras depois Dorinha, já grávida, foi expulsa de casa. Por honra à família que a acolhera não disse quem era o filho de seu pai.

Não demorou muito para que Fernadinho encontrasse muitas outras para substituir Dorinha.

Luiza, Camila, Paula, Ana, Cláudia, Soninha, Valéria e a lista só aumentava. Gabava-se de nunca ter namorado.
Aos 22 anos sua lista contemplava cem nomes. Nunca houvera um repetido. Era como uma questão de honra, nunca repetiu um nome.

Depois de tantas histórias, e muitos anos passados, Fernadinho se achava um homem experiente, precisava de novas sensações. Queria duas mulheres. Estava por completar seus quarenta anos e não queria morrer sem ter tido este tipo de experiência.

A proposta partira de Eliete, mulher que ele conhecera em uma pizzaria que ele sempre frequentava com amigos. Jamais pensou em ouvir uma proposta deste tipo de uma mulher, bem nascida, bonita, educada e muito inteligente.
Eliete o ajudou a escolher a terceira pessoa. Saiam quase todas as noites em busca. Até conhecerem Julia.
Carinha de anjo e olhar de menina, num corpo de mulher. Cabelos ruivos e olhos azuis oceano.

Julia não era uma mulher fácil. Demorou a cair em suas graças, que não eram poucas.
Dava beijos e pegava na mão, não passava disso.
Enrolou Fernandinho. O fez ir ao teatro, museus, restaurantes, cinema, exposições, musicais, parques, comer pipoca doce, andar de patins, dormir de conchinha, ser namorado.

Não havia dúvidas, Julia valia a pena. Valia o brincar de romance.
No dia em que ele propôs o Ménage à trois, ela aceitou. A única condição era que ele realizasse a fantasia dela primeiro, que por coincidência, envolvia uma terceira pessoa.

No quarto de motel Fernandinho ansioso aguardava a chegada da tal terceira pessoa que Julia levaria.
A promessa envolvia olhos vendados. Ele não poderia ver o rosto da terceira pessoa.

O corpo e os olhos doíam, Fernandinho queria apenas descansar da exaustiva noite. Pediu para tirarem a venda dos olhos dele. Elas tiraram. Fernadinho ficou alguns minutos tentando entender.
Abriu um sorriso ao reconhecer o outro rosto, Eliete.

Julia era uma mulher perfeita. Não tinha dúvidas, estava apaixonado.
Tentou acariciar o rosto de Julia, como forma de agradecimento pela fantástica noite. Ela o afastou. Entregou-lhe um bilhete.

"Não custou muito caro contratar Eliete. Valeu cada centavo. A sensação de ser usado não é muito boa, não acha?

Queria poder olhar sua cara agora. Sai de sua casa grávida de um moleque que só quis aproveitar da minha pouca instrução. Talvez para sorte do menino, de não ter um pai como você, perdi a criança no sexto mês de gestação.
A vingança tarda, mas não falha. Realizaste a sua fantasia, e eu realizei a minha. Fazer você se apaixonar por alguém e não ser correspondido. Olhe Júlia pela última vez, ela acabou de vingar a mãe dela." - Dorinha.




A vingança nunca é plena. Mata a alma e envenena.

Nada melhor do que a sábia frase do Chaves para começar este post.

Mais uma entrevista.

Sabe, às vezes dá vontade de virar andarilha e desencanar desse troço todo de trabalhar.
Mas como isso é utopia, o negócio é colocar as perninhas para funcionar, e procurar o tal emprego.

Entro na sala. Aproximadamente onze pessoas para uma ou duas vagas em uma empresa de grande porte - área de marketing.

Uma prova com aproximadamente 40 questões. Raciocínio Lógico, Português e Matemática.
Claro, no final tinha a redação.

A mulher que aplicou a prova diz que chamará o gerente da área para conversar conosco.

- Olha, o *Juarez é uma pessoa muito bacana. Ele pressiona, mas não fiquem nervosos. Vai fazer algumas perguntas técnicas, mas não é nenhum bicho de sete cabeças.

O cara entra na sala.
Não tinha cara do nome. Um nome de uma pessoa de muitos anos, para alguém de, no máximo, 35 anos.

Olho, olho, olho, e aquele rosto era bem conhecido.
Ele também me olha. Como Juarez dava a maior pinta, tenho certeza absoluta que não era com segundas intenções.

Na hora em que me apresentei, rolou um risinho, quando eu disse que era formada em Rádio e Televisão.
E foi aí que eu matei a dúvida que me assolava. Ele estudou na mesma faculdade que eu.

E como um flash, veio toda a lembrança do ser que me entrevistava.

Ele entrou na faculdade no quarto ou quinto semestre, transferido.
Pediu para entrar no meu grupo de trabalho. Depois de uma reunião, o grupo achou melhor não ter mais nenhum membro, o recusamos.

Depois da seleção, torci para que ele não lembrasse de mim.

As pessoas acharam que eu seria beneficiada por já ter estudado com o gerente. Mal eles sabem.
Bem, saberei da resposta amanhã. Se não passar, mesmo achando que eu fui bem, vou ter a certeza que ele lembrou. E o pior, é rancoroso.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Balançou mesmo

Eu sempre perguntava para o meu pai quando aconteceria algum terremoto aqui no Brasil.
Ele dizia que nunca iria acontecer. O que me deixava bem chateada, culpa do cinema americano, que me vendia a idéia de um pouco de movimentação na vida cotidiana.

Admito, sempre gostei de filmes de desgraças naturais. Mas como meu pai dizia que era tudo ficção, e que nosso Brasil varonil estava bem seguro, eu só via no cinema mesmo.

Não foi lá grande coisa. Não deu para sentir o chão balançar muito, mas balançou.
Achei que eu estivesse passando mal.
Ouço um voz vinda do banheiro:

- Diiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, o box está balançando!

Era verdade. Parecia a janela em dia de ventania.
Foi bem rapidinho. Não causou nenhum dano, ainda bem.

Papai estava errado. Temos terremoto. Não foi lá grande coisa, mas foi classificado como terremoto.

E para não me comprometer, depois que a anã descobriu que era um terremoto, preferi não dar maiores explicações sobre o fato.

O Brasil da minha época era um país com estações definidas, até fazia frio no inverno e calor no verão. Nem com as tais águas de março dá para contar mais. Sendo assim, não posso falar com tanta convicção, como meu pai falava, que não poderá ocorrer outro tremor de terra.


segunda-feira, 21 de abril de 2008

O mercado busca pessoas engraçadas!

Todo domingo eu faço questão de ler todo o Caderno de Emprego.

Minha mãe sempre diz que eu tenho que ir direto ao assunto já que os anúncios estão em ordem alfabética.

Mas se eu seguisse o conselho dela, perderia este maravilhoso anúncio na letra "h".

Humorista
Canal de TV a Cabo necessita de humoristas (pessoas engraçadas para freelance). Enviar currículo para Rua Fidalga, 132 - São Paulo - cep: 05432-000

Que tipo de currículo eles esperam receber
?

Fiquei imaginando a seleção.


- Me fale um pouco de você. Desde quando você é engraçado?

- Vamos fazer primeiramente um teste escrito, para saber seu nível de conhecimento teórico sobre a história do humor. Depois faremos um teste oral para avaliar a sua interpretação contando piadas de duplo sentido. E para finalizar, você fará um número de comédia em pé.

- Seu nível de graça ainda não é avançado. O classificamos como intermediário.Queremos alguém mais experiente na arte de ser engraçado. Sendo assim, muito obrigado por ter participado do nosso processo de seleção. Mas não desista, ainda queremos rir muito com você. Você tem futuro.

sábado, 19 de abril de 2008

Réplica

No dia 10 de abril escrevi um texto falando sobre o atendimento da empresa Claro.
Como já é sabido por todos, o mundo virtual é pequeno.

Hoje recebi um gentil e-mail da operadora.

Cara internauta,

Eu peço sua licença para enviar essa mensagem em seu reservado espaço. Ao navegar pela internet e ao ler um comentário no Blog Pretérito Passado, internet e muitas histórias para contar, atentei para sua observação em relação aos serviços prestados pela Claro. Trabalho na área de atendimento ao cliente e, com o intuito de melhorar nosso atendimento e a qualidade de nossos serviços, entro em contato com você. Pode me retornar informando o número do seu celular e uma síntese da sua reclamação, para que eu possa lhe dar um retorno.

Janaína Silveira de Oliveira

Atendimento On Line.

Achei muito simpático da empresa ter mandado o e-mail. Acho que agora eu vou ganhar o tal celular com câmera!





sexta-feira, 18 de abril de 2008

Bechanos

Que o mundo está repleto de gente doida, isso não é nenhuma novidade.

Cada doido com a sua mania, diz o ditado popular. Concordo. Mas se a sua mania incomoda muito os outros, é hora de rever seus conceitos.

No prédio ao lado mora a rainha dos gatos. Apelido este carinhosamento dado por todos aqui do condomínio.

Gostar de animais é algo bonito. Respeitar os animais é um ato nobre. Gosto de animais, não pensem o contrário. Mas a rainha dos gatos exagera.

Ela começou a alimentar todos gatos do bairro (que não são poucos).
Japonês e gato é o que mais tem por aqui. Não, não moro na Liberdade. Moro numa discidência do bairro japonês.

Primeiro só havia um. Até nome ela deu ao gatinho - fofinho. Parece que o fofinho disse aos amigos que estava rolando boia de graça no estacionamento. E fofinho trouxe seus quinze amigos para filar a boia.

A trupe felina sabe o horário de pegar a fila do sopão. Um horário bem convencional 12:00 a.m. E ela começou a atendê-los a noite porque os moradores disseram que começariam a dar veneno para os gatos.

Você consegue imaginar quinze gatos miando quase que ao mesmo tempo
?
E como diriam os Cassetas: e não é só isso. Ela resolveu miar para chamá-los.

Eu precisava dormir cedo, tinha uma entrevista de emprego muito cedo, num lugar que eu não fazia idéia de como chegar. Sendo assim, tinha que acordar no horário que normalmente vou dormir.
Quando eu já estava pegando no sono, a desgraçada começou a chamar os gatos.
Respeitar os animais é importante. Mas temos que respeitar os animais racionais também.

Deitada no aconchego da minha cama disse para mim mesma, se essa (um monte de palavrões) miar de novo, eu vou descer a Maria Lavadeira que habita em mim.

Não deu outra, ela miou.
Sutilmente, como um hipopótamo no cio, abri a janela do quarto e a xinguei de tudo que é nome. Até estreei alguns que eu havia aprendido recentemente.

Ela revidou.
E como a minha janela fica bem próxima do restaurante dos felinos, corri para a lavanderia, peguei um balde com água bem cheio. Tive a sutiliza de colocar água gelada, e joguei. Sem dó nem piedade molhei a rainha dos gatos, e alguns que chegavam para a boia.

A guerra foi travada. Ela xingou, eu xinguei, os moradores acordaram. E no meu imaginário tocava a
canção "Eu acredito é na rapaziada. Depois dizem que favelado que é sem educação. Perto de nós duas, todos eles são lords.

Nos xingamos por alguns minutos. Não houve vencedora. Simplesmente paramos.

No dia seguinte recebi o apoio do povo da minha comunidade, que já estava de saco bem cheio da rainha dos gatos, mas nunca tiveram coragem de reclamar com tanta ênfase.
A minha ênfase vai me render uma multa. Mas ela vai pensar duas vezes antes de ficar miando bem na minha janela.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O caso da menina Isabella

Nos últimos dias só se fala no caso da menina Isabella.
Eu tenho evitado elaborar teses sobre o crime. Mas a maioria da população parece ter entrado para a polícia.
Desde o faxineiro até o alto executivo, todo mundo tem o seu culpados e os motivos do crime.

É muito complexo, neste tipo de situação, emitir alguma opinião. Culpar alguém é algo muito sério. E quem somos nós para tirarmos conclusões, e crucificarmos o pai da criança?

Mas uma coisa é certa. Toda vez que eu via alguma matéria sobre o crime, torcia para que a culpa não fosse do pai.

Porque um crime assim já nos deixa sensibilizados, com a participação do pai, as coisas tomam uma proporção maior ainda.

Esses dias vi uma mulher dizendo que tinha vindo de Curitiba passar férias em São Paulo, e estava na porta do prédio tirando fotos. O local virou ponto turístico.

Chegou ao ponto do bizarro. Montaram um circo em torno de uma situação que não tem a menor graça.

Acho que os curiosos, os sensacionalistas, em momento algum têm empatia pelo próximo. Respeito pela dor do próximo, acho que isso é o mínimo.

A sociedade adotou a menina Isabella. Cheguei a ouvir um jornalista dizer: “Hoje Isabella é a filha do Brasil”.
Não, Isabella não é minha filha. Ela tem uma mãe, que está sofrendo com tudo isso, e não precisa desta falsa comoção.
Uma mãe que não precisa ter a cara estampada em todos os veículos de comunicação.

Sim, foi um caso chocante. Uma lamentável história. Mas chega deste sensacionalismo.
A família precisa de paz. E a polícia tem que cumprir seu papel, ponto final.

A sociedade quer uma resposta, quer que os culpados sejam punidos. Isso não há como discordar. Sim, que se faça justiça.

Mas eu não vejo a população ficar tão revoltada quando, por exemplo, é divulgada a lista de mortalidade infantil no mundo.

Só para se ter uma idéia, eis os três primeiros no ranking. Análise feita no ano de 2007 (mortes/1.000 nascimentos).

Nossa relação com o outro

Pessoas que nos dão toda a sua confiança acreditam, com isso, ter direito à nossa. É um erro de raciocínio; dádivas não conferem direitosFriedrich Nietzsche.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Canário do Reino

Para quem gosta de poesia, Canário do Reino é uma excelente pedida para reflexões poéticas e profundas.

Vale a visita.

Acabou!

A fila não andou, segundo pessoas que estavam aguardando para comprar ingressos do clássico Palmeiras x São Paulo, mas acabou logo. Não há mais ingressos para arquibancada.

Xingaram, fizeram confusão, disseram que fariam boletim de ocorrência. Mas, honestamente, muito bafafá, e pouca ação.

Algumas pessoas disseram que chegaram a ficar mais de sete horas na fila, e ficaram sem ingresso.

Onde estão os ingressos
?

Os policiais fazem vista grossa, e a população compra ingressos de cambistas.
Não adianta reclamar. É fácil apontar o dedo e dizer que os safados dos cambistas compraram todos os ingressos, mesmo só sendo vendido dois ingressos por pessoa.
O que funciona é a população não incentivar este tipo de "negócio".


O desespero por ver o time jogar fala mais alto que a civilidade.

Então, meu caro, não adianta xingar, espernear, gritar. Tem que boicotar.
Mas qual fanático, que passou mais de sete horas na fila, está disposto a perder o jogo do time do coração?

Mais um fanfarrão

O italiano Silvio Berlusconi prometeu usar a sua vitória eleitoral para realizar reformas econômicas e conter a imigração ilegal, de modo a impedir a entrada de estrangeiros que possam cometer crimes, o que ele chamou de "exército do mal".

Em pleno século XXI, tenho que ler declarações como a de Berlusconi. Uma
forma de pensar simplista e maniqueísta em que o mundo é dividido em dois blocos: o do Bem e o do Mal.
Uma forma arcaica de pensamento que reduz os seres humanos a uma relação de certo e errado, de é ou não é. É no mínimo lamentável.


Pensando da forma do italiano, Berlusconi é do Mal. E para isso não precisa fuçar muito. Não é preciso voltar a um passado remoto. Não foi na época de colégio, e não é algo como fumar um cigarrinho do capeta. É coisa de gente grande.
Se o mundo é divido entre o Bem e o Mal, Berlusconi está no topo do Mal. Abaixo segue uma lista de maldades:

Berlusconi teria pago US$600 mil ao advogado britânico
David Mills para que ele testemunhasse a seu favor em dois julgamentos em 1997 e 1998. Na época, Berlusconi estava sendo investigado por denúncias de fraude contábil e sonegação de impostos por parte de suas empresas.

Foi acusado pela Procuradoria-Geral de Milão de ter subornado juízes com o objetivo de bloquear a venda do grupo SME ao empresário Carlo De Benedetti.
A acusação principal baseou-se numa transferência de 430.000 dólares (302.000 euros) das contas de Cesare Previti, amigo pessoal advogado de Berlusconi, para o juiz Renato Squillante, responsável pela decisão sobre a venda da SME.

Berlusconi é casado é já foi alvo de críticas por supostas atividades extraconjugais no passado. Se fosse nos Estados Unidos, ele não seria eleito. Lá pode tudo, menos relacionamento extraconjugal.


Polêmicas envolvendo suas empresas já o levaram aos tribunais italianos 8 vezes, com acusações de corrupção, fraude fiscal, contabilidade fraudulenta e financiamento ilegal de partidos políticos. Berlusconi, no entanto, nunca foi condenado pela justiça italiana.


Pelo visto os senadores são torcedores do Milan. Ele disse que depois das eleições levaria Ronaldinho Gaúcho para o Milan.
Política, futebol, mulheres, escândalos, se tivesse samba diriam que aconteceu no país cuja a capital é o Rio de Janeiro
.
Mas como é na Itália, tudo acaba em pizza mesmo.

Cegonha

A cegonha tem trabalhado na última semana.
Duas queridas amigas estão grávidas.
Eu sei que ainda me choco quando recebo este tipo de notícia. Não como nas primeiras vezes, mas ainda me choco.
Caramba, se eu não sou o pai, nem a mãe. Por que fico catatônica toda vez que uma amiga diz que está grávida?

A minha reação é igual a de uma criança de dois anos, sempre digo algo que não tem nada a ver com o tema. Você viu as ações da Petrobras?

O melhor foi a resposta da filha de uma amiga.
Eu, num momento de cumplicidade, comecei a conversar com a criança:

- Hum, que legal, heim? Você vai ter um irmãozinho!

- Ahãm.

- E você ficou feliz?

- Tia, você viu o bolo que eu fiz?

- Vi. Mas e o irmãozinho?

- Está no umbigo da mamãe, oras. Vou fazer um bolo de chocolate.

- E você já sabe o nome dele?

- Acho que é bebê...

- Tia, vem ver meus brinquedos.

Fui ver os brinquedos e mudamos de assunto. Acho que ela também fica chocada.

As reações das crianças quando ganham um irmão são diferentes. Algumas ficam felizes, outras ignoram o fato, outras ficam tristes, outras sentem ciúme.
A filha da outra amiga grávida teve uma colocação interessante, quando soube que era um menino.

- Ainda bem. Vou ser a única princesinha de casa!

Antes eu ficava catatônica porque pensava: A amiga, definitivamente, entrou na vida adulta.

Uma amiga psicóloga disse que eu fico chocada porque devo estar com a síndrome de Peter Pan.
As pessoas casam, procriam, envelhecem, é o processo natural da vida.
Pra mim é tão difícil aceitar que estou ficando velha. Quando alguma amiga diz que está grávida, passa o filme da vida na minha cabeça.

Aquela pessoa que eu ajudei a andar na rua porque estava bêbada, ficava oras ao telefone ouvindo seus casos amorosos, briguei, xinguei, chorei junto nos momentos felizes, e nos difíceis também, agora chegou a tal vida adulta.
E não adianta dizer que não, as coisas mudam. As responsabilidades são muito maiores. E as prioridades são outras.
Acho que depois de uma overdose de cegonha, passei a aceitar que a vida não é mais a mesma. E em algum momento a gente tem que crescer, infelizmente.

Sendo assim, bandeira branca. Sejam muito bem-vindos bebês!

domingo, 13 de abril de 2008

Trem azul

Só me dará prazer
Se viajar contigo
Até nascer o sol
Seguindo no trem azul...

Era mais ou menos esta a visão que eu tinha de viajar de trem. Tinha.
Como já é sabido, eu não sei andar por São Paulo. Não adianta me dar mapas, referências, GPS, eu não consigo sair do ponto A e chegar ao ponto B, sem me perder.

Sendo assim, decidi que trem é um meio de transporte bacana. Pelo meno não tem erro.
Bem, erro não tem mesmo. Mas andar de trem já é um erro.
O glamour que eu imaginava foi pro beleléu logo na estação Barra Funda.

A fauna, a flora, e toda a imensidão de espécies da Amazônia estão no trem. Não tenho dúvidas disso.
Desde o cara de cabelo pink, até a tiazinha que era a cara da Dercy Gonçalves.

Em pleno sábado, o trem estava bombando. E o melhor, a balada já começa no trem. O cara não contente em ouvir seu sertanejo, faz com que todos os passageiros ouçam. Ele canta com os amigos, bebe cerveja Nova Schin. Que tipo de pessoa bebe Nova Schin?
A Ivete faz o comercial da cerveja provavelmente porque não bebe cerveja. Aliás, no comercial ela não coloca aquela água com cevada na boca.
O Ministério da Saúde adverte, beber Schin é prejudicial à saúde.

E lá vamos nós. E o trem segue numa velocidade absurda. Barrichello deveria conduzir trem. Acho que seria mais rápido.

Do nada ele faz uma pausa para arrumar alguma coisa. Quinze minutos depois ele segue seu curso. Mais duas paradas. Eu começo a pensar que se eu tivesse ido de carro seria mais rápido, mesmo me perdendo.

Depois de um tempão em pé, as varizes gritando, arrumo um lugar. Lugar este que eu disputei a tapa com um menino de aproximadamente doze anos.
Ambos vimos o lugar. Nos olhamos, e pernas pra quê te quero. Apesar da idade, e da fadiga, eu ganhei.

A criança que está sentada ao meu lado come um salgadinho de povilho. A mãe, logo após quinze quilos de polvilho ingerido pela criança, resolve balançar a peste. Não deu outra. Ela colocou todo o polvilho e a feijoada do sábado para fora.
Quase acompanhei a criança. Mas heroicamente segurei. Abandonei meu lugar.
Achei que ninguém tivesse a coragem de sentar lá, mas tiveram. Dercy sentou lá como se nada tivesse acontecido.

Depois de mais de uma hora, cheguei.
Para descer foi uma luta. Tive que empurrar uma galera para conseguir colocar o corpo para fora do trem. A bolsa se torna uma arma nessas horas. Você a coloca na frente e sai batendo nos outros.

Já na estação pensei: O filho da puta que fez a letra da música nunca andou num trem da CPTM!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Telefonia

Tecle 1 para saber da nova tecnologia 3G, tecle 2 para promoções do claro torpedo. E assim vai.
Se não me engano, a opção fale com um de nossos atendentes, deveria ser a primeira.
Enquanto isso, Freddie Mercury cantava.

Como eu já estou phd no assunto teleatendimento, teclei o 9. Normalmente falar com a atendente é 9.

- Joseane Santos. Com que eu falo?

- Viviane.

- Senhora Viviane, em que posso ajudar?

- Quero voltar a ter um celular pré-pago.

- Mas por qual motivo?

- Porque eu prefiro.

- Mas senhora Viviane, o seu plano conta oferce ligações mais baratas e...

- Joseane, eu sei disso tudo que você vai falar. Mas eu já pensei, fiz contas, planilhas, e neste momento um celular pré-pago é a melhor opção.

- Senhora Viviane, se a senhora continuar com o seu plano pós, podemos lhe oferecer bônus de ligação, 100 torpedos por mês...

- Joseane, eu já tomei a minha decisão.

- Senhora Viviane, vi aqui em meu sistema que a senhora mantêm o mesmo aparelho desde 2006.

- Sim, e continua funcionando. Parabenize a Nokia por isso.

- Além dos benefícios que eu lhe passei, podemos lhe dar totalmente gratuitamente um novo aparelho com câmera.

- Eu não preciso de um celular com câmera.

- Senhora Viviane, a senhora poderá mandar torpedos com fotos!

- E qual a vantagem disso?

Silêncio.

- Joseane?

- Por qual motivo a senhora quer um celular pré?

- Estou desempregada, e não quero ficar pagando conta de celular.

- A senhora vai perder os bônus e o celular com câmera.

- Joseane, uso o mesmo celular desde 2006. Ele não tira fotos, não canta, não representa, mas faz e recebe ligação. Enquanto ele fizer estas duas funções básicas, continuarei com ele.

- Perfeito, senhora Viviane. Depois que eu efetivar o cancelamento a senhroa vai perder toda esta promoção que a Claro está te oferecendo.

- Sem problemas. Eu vou ficar bem, fique tranquila.

Depois de mais de quinze minutos de argumentação, eu consegui cancelar o plano.
Eles poderiam colocar outra música do Queen - We are the champion.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mais que uma cueca


A função básica de uma cueca é proteger os órgãos genitais. E, se para proteger os órgãos genitais as pessoas querem cuecas Abadia, sem problema. Há no mundo diversos tipos de loucos.

Inacreditavelmente o recorde de acessos deste espaço surgiu por buscas na internet pelas tais cuecas do megamasterblastertraficante. Se, estatisticamente, o homem compra em média três cuecas por ano. Pra quê tanto alvoroço em torno das cuecas?

Sendo assim, para você, profundo admirador de cuecas, eis algumas curiosidades sobre cueca.

A roupa íntima masculina é dividida em três categorias - a básica "clássica", uma "lingerie" mais sedutora e a "meio-termo", normalmente a mais comprada.



A tida como clássíca, é esta aí ao lado. Assim como homens não gostam de calcinhas clássicas (que são as mais confortáveis), a grande maioria das mulheres também não gostam da cueca clássica.
Parece um coador de café. Além disso, a parte que guarda o produto o faz parecer uma meia enrolada.


Meio-termo. É parecida com a clássica mas não possui o porta-produto. Esta é uma das mais vendidas. É confortável, tem de diversas marcas e cores, e o preço também não é ruim. Além disso, normalmente, é de algodão. Material ótimo para o repouso do órgão genital. É a famosa "bicho solto" ou slip.
Pode se encaixar aqui as cuecas boxer, que são as preferidas entre as mulheres. Acho que o meio-termo é a melhor opção.


Agora se o negócio é inovar, o mercado tem muitas opções.
Cuecas de tigre, cachorro, elefante, fio-dental (como a que começa este post).
É só usar a imaginação. Mas tem que se tomar um cuidado enorme para não se tornar ridículo.
Para os de imaginação fértil, a brincadeira é válida.
Quem foi que disse que só mulher usa lingerie
?

terça-feira, 8 de abril de 2008

Jogos Olímpicos

Nos jornais só se fala em desrespeito. Desrespeito ao espírito olímpico. E o desrespeito aos seres humanos? Ele é menos válido?
“Os seus atos desprezíveis sujam o nobre espírito olímpico e são um desafio para todas as pessoas do mundo que amam os Jogos Olímpicos”. Lê-se num comunicado oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
Alguma coisa muito estranha acontece no mundo. Aliás, este mundo nunca foi muito normal mesmo.
Esquecemos como é ser humano. Esquecemos palavras simples que fazem toda a diferença. Uma delas é liberdade.
O Tibet foi invadido pela China. O líder político e espiritual do Tibet, Dalai Lama, foi exilado, mas continua lutando – de forma pacífica – para libertar sua Nação do domínio chinês.
Até hoje, as Nações Unidas nunca expressaram algum protesto significativo contra a ocupação do Tibet.
Oficiais chineses no Tibet afirmam que os tibetanos têm completa liberdade religiosa. Porém, a polícia chinesa está sempre presente em mosteiros e em templos budistas. Os monges têm sido espancados, aprisionados e submetidos à educação política chinesa.
Aproveitando que as atenções estão voltadas a China, o mundo protesta. É protesto pela liberdade de um povo oprimido que corre o risco de ter sua cultura milenar extinta.
Liberdade, igualdade e fraternidade. Este era o lema da Revolução Francesa em 1789 pelo reconhecimento dos direitos humanos.
Já estamos no século XXI. Parece que a luta pelo reconhecimento dos direitos humanos não terminará nunca. Todo dia temos que fazer valer nossos direitos. E é isso que o Tibet tem feito.
Concordo, e apoio os protestos. E se a tocha passasse por aqui, me envolveria em algum protesto.
Bem, aqui no Brasil as coisas seguem lentas. Na verdade o Brasil tem esta mania de política da boa vizinhança em assuntos polêmicos. O famoso em cima do muro.
O chanceler brasileiro Celso Amorim em uma conversa com o ministro de Assuntos Exteriores chinês, Yang Jiechi, reafirmou que o Brasil considera que o Tibete é uma parte inalienável da China e se mantém firme em seu apoio à política de uma só China.
Sim, o Brasil espera com esta diplomacia ter um parceiro comercial. Enquanto o mundo briga com uma das maiores economias do mundo, o Brasil acena com carinho, esperando assim receber sua merecida recompensa.
Lulinha paz e amor disse que não irá à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos mas assinalou que sua decisão não está ligada a razões políticas. Não? Duvido. Lula está em campanha. Ele diz que não, mas está. Legalmente ele não pode se candidatar. Mas quem garante que as leis não possam mudar?
José de Alencar já ameaçou dizendo que o povo quer mais Lula.
Tudo um jogo político sujo. Xadrez com peças humanas. E nós, pobres pecinhas, assisitimos a tudo isso, sem sequer tentar virar o tabuleiro.
Tibetanos, que nada. O negócio é aparecer, chamar a atenção, fazer e acontecer em cima de um povo oprimido.
Os jogos são ótimos para protestar.
Os jogos são ótimos para fazer aliados e inimigos políticos.
Os jogos são bons para fazer campanhas.
Para os tibetanos? Só o tempo dirá.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

STOP! Depois o PLAY.

Esses dias eu estava na casa de um amigo conversando amenidades.
Nada de crise imobiliária, eleições americanas, Dilma Roussef, Lula e sua eterna campanha, nada disso. Amenidades é o que move o mundo.

Tanto é que os programas que dão Ibope são os de amenindades. Vida das celebridades, mundo cão, debates sobre "meu marido me traiu com a empregada", e por aí vai.

Lá pelas tantas ele desenterrou uma fita cassete. E o pior não foi ele ter achado a fita, foi ter tocado a fita. Ele tinha um gravador. Aliás, aquela casa é um museu. Assim que ele for morar fora, vou pedir para tombarem o quarto dele como patrimônio da humanidade.

E foi a tal fita que desenterrou algumas lembranças.

Quando eu era adolescente, eu ouvia LP e fita cassete. Lembro que passava dias tentando gravar uma música da rádio.
Meu pai alertava. "Aperte o STOP, depois o PLAY. Nada de adiantar e apertar direto o PLAY. Isso vai quebrar o som". E quem disse que eu tinha esta paciência
? Os dedos eram compulsivos. Adianta, PLAY. Volta, PLAY. O STOP não existia.
Eu tinha as minhas fitas favoritas. Aquelas que eu só gravava os clássicos.
Nesta era Paleozóica, ouvíamos a música inteira. Era um saco ficar procurando música nas fitas. Chegava uma hora que eu me injuriava, e acabava ouvindo até as que eu não gostava tanto.

Hoje o cara tem 500 músicas dentro de um "I qualquer coisa", e passa pelas 500 com facilidade.
Agora me responda. Eles ouvem as músicas inteiras
? DU-VI-DO!
O cara ouve aproximadamente vinte e cinco segundos de cada uma, e passa para a próxima, com facilidade. Se fosse na fita cassete, meu caro, ele teria que ouvir a música inteira.

Os ouvidos ficavam aguçados esperando o momento certo de cortar a música para não pegar a propaganda do rádio.
Enquanto eu ouvia uma fita, voltava a outra com a minha caneta bic. Eu sentava para ouvir música ao lado do som, não havia controle remoto. Às vezes chegava a dormir ao lado do som no meio das fitas e LP´s.

Hoje tem tanta oferta de música, tantas bandas, tanta coisa ao mesmo tempo, que parar para ouvir uma música inteira talvez seja a sentença de estar desatualizado.
Honestamente não sei pra quê tanta afobação. Ao meu ver, música é para ser apreciada, ser ouvida. Ouvir música vai muito além de colocar um fone no ouvido no último volume e sair balançando a cabeça. É perceber os acordes, a vibração, a sonoridade, os pequenos detalhes da música e da letra.

O ritual acabou. Não se limpa mais os discos, não se ouve mais aquele chiadinho dos discos que às vezes tocava na rotação errada. Não se troca mais as agulhas das vitrolas, não se toma mais cuidado com os toca fitas.
Se ouve música em qualquer lugar, de qualquer jeito, a qualquer hora.
Tanta inovação, tanta tecnologia, e cada dia que passa, perdemos mais a nossa sensibilidade.

E lá estávamos nós, os velhos precoces. Lembrando dos tempos das fitas, vendo capas de discos - que eram verdadeiras obras de arte, rindo de nós mesmos, e tomando vinho.

Bazar filantrópico

Suas cuecas estão meio fora de moda?
Que tal ter uma cueca do megatraficante Juan Carlos Ramirez Abadia
? Pena não ser autografada.

Amanhã, no Jockey Club aqui de São Paulo, haverá um bazar com objetos da casa do traficante.

E dentre as variedades mais bizarras, que incluem um pé-de-cabra avaliado em R$ 100,00, há cuecas de marcas famosas a preços mórdicos R$ 1,00. Fala sério! Quem vai ter coragem de comprar uma cueca usada
?

Bem, tem louco para tudo. E se você está na lista deles, não perca o sensacional bazar. A entrada é franca.

Serviço
Jockey Club de São Paulo
Avenida Lineu de Paula Machado, 599 – portão 6A
De 8 a 13/04
Das 12h às 20h

Leitura nele

No próximo sábado vai ao ar, no Caldeirão, a competição entre a dupla Zezé Di Camargo e Luciano contra Dani Bananinha no quadro Soletrando.
Zezé Di Camargo fugiu da escola e nunca mais voltou.
Em menos de dois dias o ouvi dizer que tinha dificuldades com diversas matérias.
No programa em que a Eliana dedinhos comanda aos sábados, disse que não era bom em matemática.
Ontem, durante uma matéria para o Fantástico, disse que não era bom em Geografia.
E sábado que vem, provará que o Português também não é o seu forte.
O desafio era soletrar palavras que estivessem nas letras de suas músicas. E a produção sacaneou: Obsessão. Palavra que no dicionário de Zezé se soletra "o-b-s-e-ç-ã-o".
Bem, vou tentar defender Zezé. A palavra obsessão está na letra de uma música chamada "Dou a vida por um beijo", e esta música não foi escrita por ele. Sendo assim, ele não tinha obrigação nenhuma de saber soletrar. Tá bom, não tem desculpa.
Acredito que ele deveria seguir o bom exemplo de Luciano que é um voraz leitor de Platão, Thales de Milleto, Galileu Galilei, Immanuel Kant e outros filósofos. Luciano afirma ler Kant, palmas para ele. Eu não consigo ler um texto inteiro sem recorrer ao menos vinte vezes ao dicionário.
Enquanto Luciano lê a fina nata da Filosofia, Zezé Di Camargo se diz um leitor fiel de Paulo Coelho. Acho que isso explica.

domingo, 6 de abril de 2008

Hoje

Realmente roxo é a cor que representa bem o espírito da torcida corintiana no dia de hoje.

Todos estão bem roxos, de raiva.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cores fortes na semifinal


Li no blog do Randall um texto falando sobre a semifinal do Paulistão.
Seria deveras curioso ver uma semifinal entre Palmeiras e Corinthians.
Mas pelo discurso dos jogadores, acho difícil isso acontecer.

Já estão cantando que a eliminação não vai prejudicar o desempenho do clube no restante da temporada. Isso é discurso de quem já jogou a camisa.

Para o tal jogo acontecer, o Corinthians precisará de uma vitória sobre o Noroeste na tarde de domingo, em Bauru. E não contente, terá que rezar a favor de Santos (contra a Ponte) ou do São Paulo (contra o Juventus). Aí cada corintiano escolhe pra quem rezar.

Se o time chegar a semifinal, seria um colírio para os olhos ambos usarem as novas camisas.
Se bem que a camisa do Palmeiras é somente para jogos noturnos, segundo as más línguas.

E se a pasta de dentes Kolynos ainda existisse, seria um ótimo patrocínio para o Palmeiras. Visto que em campo eles parecem uma porção de tubinhos de Kolynos correndo.


Deboches a parte, pois mesmo sendo corintiana duvido que o Corinthians consiga ganhar do atual Palmeiras, taí um jogo que eu quero ver.

Se bobiar, nóis Créu

Em tempos de muita cultura, temos que cuidar de nossas crianças. Nossa, até fiquei emocionada com esta bela frase.

Mas é a mais pura verdade.
Ontem fui em uma festa infantil. Quer dizer, não era uma festa infantil, era um baile funk.

Cheguei e estava tocando algo que falava de uma tal Piriguete. Senhora esta que eu nunca ouvi falar, mas todas as crianças conheciam. Cantavam, dançavam até o chão.

"Quando ela me ve ela mexe,
Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete! Rebola devagar depois desce, Piri, Pipiri, Pipiri, Piri, Piriguete!"

Mas a sensação foi o tal Créu.
Toda vez que tocava a música, que tocou umas sete vezes (eu contei), todas as crianças abandonavam os brinquedos eletrônicos, que não eram poucos, e iam para a pista dançar.
Dançavam em todas as velocidades. Fiquei chocada.

O que aconteceu com as músicas infantis?

Na minha época eu ouvia Saltimbancos, Arca de Noé, Casa de Brinquedos, e pasmem, lia livros infantis.

O negócio avacalhou de vez quando lançaram aquele grupinho que tinha o Jacarezinho, Molecada. Era um grupo infantil de axé. Aliás, não sei como cabe na mesma frase "grupo infantil de axé".
Não vai demora muito para lançarem funk infantil, se é que já não fizeram isso.

Sei que passei boa parte da noite ouvindo "clássicos" do funk a noite inteira.

Poderiam dar um programa infantil para a mulher da bunda grande, a tal melancia. Se bem que eu não duvido muito ouvir uma atrocidade dessa: "Cansei desta vida. Sempre gostei de crianças, quero aprensentar um programa infantil", dirá a mulher de ancas largas.

Já que não dá mais para tocar músicas infantis, porque as crianças se sentem adultas e acham essas músicas bobinhas, que ao menos ouçam algo decente.

Bailarina, O Caderno, Macaquinho de Pilha, A Galinha, A Bicharada, Um dia de Cão, todas essas músicas que fizeram parte da minha infância, Créu.

Amaury, o melhor da televisão


Admito. Assisti Amaury Júnior esses dias.
Ele estava mostrando a festa de aniversário da Ana Maria Braga. Cinquenta e nove anos. Eu jurava que era mais.

Na festa ele encontra Ana Furtado e Boninho.

- Aninha, linda como sempre. E como vai a gravação do Vídeo Show?
- Eu gravei o Estrelas na ausência da Angélica.

Ele assiste televisão?

Depois a repórter que trabalha enquanto ele bebe e ri com amigos, entrevistou uma das organizadoras da festa.

- Linda a idéia da macieira. Soube que o Marcelo (marido da Ana Maria) ajudou na decoração. Foi idéia dele?
- Não, a idéia foi nossa. Ele não tinha muito idéia do que fazer. Queríamos fazer algo romântico. Afinal, é comemoração de um ano de casamento deles também. A maçã simboliza bem o amor dos dois.

Logo na sequência ela encontra o Marcelo.

- Linda festa. Parabéns! Soube que você ajudou a organizar. A idéia da macieira foi sua?
- Claro. Tudo idéia minha.

Ah, depois desta eu fui dormir.

Ele pode ser seu colega de sala

"Quem sabe, em um sexto momento, quando eu não for mais nada, eu possa concluir, através da Universidade Aberta, o meu diploma universitário." Lula em discurso de inauguração do auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Os dez +

No mês de março, mesmo eu tendo atualizado bem pouco este espaço democrático, apareceram diversas pessoas por aqui. Os motivos são diversos.

Alguns são familiares que eu pago para ler e comentar em reuniões familiares, amigos que eu obrigo a ler, amigos virtuais que por incrível que pareça gostam de ler, e tem os que eu chamo de “pinga-pinga”. Aquele cara que digitou alguma coisa no Google e chegou até o blog.

E como de praxe, eis a lista dos dez mais:

- Fellini Amacord garoto seios: Ainda não entendi o objetivo desta pesquisa.

- Boi, boi, boi da cara preta segunda divisão de camisa violeta: Muitos palmeirenses freqüentaram o blog neste mês.

- Caderno Tilibra: Treze pessoas procuraram por isso este mês. A tilibra deve estar com um bom faturamento

- Falas de boteco: Cara, vai para o boteco e crie as suas.

- Selton Mello e Vivi: Não, não estamos namorando. Somos apenas bons amigos.

- Antropologia divertida: Meu caro, antropologia é uma ciência séria. Não existe livros como “Aprenda Antropologia brincando”.

- Adminstração Moteleira: Um vasto mercado. Deve ter algum curso de latu-sensu.

- Benefícios do xixi: Cada pergunta.

- Como vender Bombril ?: Pergunte ao Carlos Moreno.

- Homens com cueca excitada: Alguém, por favor, já viu uma cueca excitada? E não me lembro de ter escrito algo sobre este fenômeno.

Sem gostosas na televisão

Aconteceu com as campanhas de cigarro. Não vai demorar muito para tirarem do ar as campanhas de bebidas alcoólicas.

Acho que todo fumante já foi bem alertado do que pode ocorrer com sua saúde: enfisemas, doenças coronárias, doenças circulatórias e câncer. Aliás, tem anúncios bem simpáticos como: “Fumar causa impotência sexual” em seu verso – evito comprar esses. E com tudo isso eu não deixei de fumar.

Fumante é uma raça miserável, não precisa de grandes propagandas do cowboy fumando num final de tarde.

Noto que muitas pessoas na minha faixa etária fumam, e muito. No entanto, a geração da minha irmã tem pouquíssimos fumantes.

Talvez tenha sido uma boa tirar as propagandas da televisão. Ou não, como diria Caetano.
Que eu saiba não há estudos que comprovem que tirar as propagandas do ar tenha diminuído o número de fumantes.
Duvido que tirar as propagandas de bebidas alcoólicas diminua o número de apreciadores de álcool.
Bem, os amigos da minha irmã bebem, e muito. Não fumam, mas bebem mais que eu.

Seguindo este raciocínio, a próxima geração não vai fumar e muito menos beber, mas usarão drogas. Mas não há comerciais de drogas! E agora?
Proibir não soluciona problemas. Educar, só para variar, talvez seja uma ótima solução.

Vão tirar o emprego do baixinho da Kaiser, das gostosas, do Zeca Pagodinho (que deve tirar uma grana com publicidade), dos publicitários. Sem contar os camarotes do carnaval. Nenhuma celebridade poderá comer, beber, e dar entrevista para o Amaury Júnior no camarote Bhrama, por exemplo.
Sinto falta do Free Jazz, Hollywood Rock, e do carro de corrida com o logo da Marlboro. Tiraram tudo isso. E eu continuo fumando.

Miniconto

O Estado de Circo promoveu um concurso de minicontos para comemorar seu segundo ano de existência.

A regra é simples. Escrever um miniconto entre 140 e 150 caracteres (contando os espaços).

Ano passado eu ganhei. Com isso, tive a honra de ser jurada. Só que agora é a vez dos jurados serem avaliados.
Mas já que "sacaneamos" os outros atribuindo notas, nada mais justo.

Eu não funciono bem quando sou muito pressionada. Acho que se eu fosse escritora de verdade, e tivesse que escrever com prazo limitado, não daria certo.

O dono do circo publicará um. Decidi publicar alguns que eu escrevi.

Seus romances eram best sellers. O intitularam conhecedor da alma humana. Decidiu escrever uma autobiografia. Não conseguiu escrever a página dois.

Construiu um castelo de areia com o bisneto. Em minutos a água levou. E depois se fez sua melhor obra, o sorriso do bisneto. Niemeyer sorriu de volta.

Disse ao padre que pecava muito. Cristão, queria uma solução. O padre o aconselhou a cortar o mal pela raiz. Tornou-se eunuco.

João mentia muito. Disse que vira uma sereia no Tietê. Foi a gota d'água, perdeu o emprego. Anos depois encontrou um emprego a sua altura. Deputado.

Seis anos sem sexo. Seis anos sem ter um namorado. Seis meses que entrara na menopausa, 666. A numerologia é uma ciência que deve ser respeitada.

Pompinha branca lava roupas. A lagartixa mostrou a língua. A borboletinha cozinha. Parei com as drogas. Todos os animais abandonaram seus afazeres.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Laís Winnicott

Esses dias uma amiga me convidou para um passeio meio inusitado. Ela disse que eu andava meio triste e que eu precisava me libertar. Como ela mesma diz, soltar a franga.

Sempre fui uma mulher muito recatada. Solteira convicta aos 38 anos, sem perspectiva alguma de relacionamento, ainda bem.

Montei meu tão sonhado consultório aos 30 anos, e clinico desde então. Ganho pouco, mas sinto uma enorme satisfação no que faço.
Tenho dois gatos: Freud e Jung. Moro em um apartamento pequeno da zona oeste do Rio de Janeiro. Tenho algumas bromélia, que por causa da dengue penso em me desfazer.
O que há de errado com uma vida assim
?

Cristina tem a minha idade, é formada em Educação Física. Nos conhecemos na academia perto de casa. Divorciada, sem filhos, sem namorado fixo, mas nunca sozinha.

Resolvi aceitar o convite.

No fundo tenho vergonha de dizer extamente o lugar ao qual fui levada. Mas posso dizer que é o típico lugar "ninguém é de ninguém".

Cristina me fez usar uma minisaia que nem minha irmã mais nova usaria, batom (coisa que eu não usava desde o colégio), salto alto, decote, brincos e colares. Não contente, me fez fumar maconha e beber algo colorido que eu sequer saberia escrever o nome.
Cristina dizia que era o assassinato do meu estilo psicóloga.

Acordei em uma casa na zona sul com alguém que nem em sonhos faria o meu tipo físico. Nem vou falar da pessoa. Afinal, nem saberia dizer o nome da pessoa em questão, quanto mais suas preferências, gosto musical, cor favorita, se gosta ou não de animais. Fui embora sem descobrir.

A dor no corpo era geral. Percebi alguns roxos em minha pele. Não havia dúvidas, fui espancada.
Pensei em prestar queixa. Mas não saberia informar se eu pedi para apanhar ou algo do gênero.
No fundo eu gostava de uns tapinhas. E no estado em que eu estava, devo ter pedido.
Resolvi passar por cima de tudo isso. Pelo pouco que eu me lembrava, a experiência tinha sido até que satisfatória.

Um novo dia de trabalho. O negócio é esquecer, e aprender com a experiência.
Paciente novo. Sempre um desafio. Pelo histórico, este estava com problemas para aceitar o término do relacionamento.
Traiu a namorada. Pediu perdão, ela não aceitou. Desde então, não consegue se relacionar com mulher alguma. As trata como objetos.

16:00 - Ele era pontual, bom sinal.
Não pude atendê-lo. Era o responsável por eu usar um lencinho no pescoço para disfaçar o chupão.