quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cigarro

Me deixe fumar só mais um cigarro.
Não quero que esta noite acabe.
O medo do amanhã me faz querer prolongar esta noite.

Não saia do meu lado.
Não suma das minhas vistas.
Só mais um cigarro.

A fumaça domina o quarto.
O cheiro de vinho, sexo e mais um cigarro.
O sono está chegando, luto contra ele.

Se eu dormir, acaba.
Se eu fechar os olhos, você pode sumir.
Não vá, deixe-me fumar só mais um cigarro.

Pode até me faltar o ar.
Mas não posso te deixar ir.
Uso o cigarro que sempre me faz companhia para você não partir.
Só mais um cigarro, prometo dormir.

Fecho os olhos.
Não há mais cigarros.
E não há mais como prometer que será o último antes de você ir.

3 comentários:

Fernando Amaral disse...

Ainda trôpego, a luz de algum abajur. Vou embora. Deixo um bilhete. O cigarro. E a cubro, a coberta na cama desfeita...

Renata Marques disse...

Vai ser multi-funcional assim lá em Marte, viu Lo! E além de tudo, poeta!? Vc nunca mete os pés pela cabeça...incrível! Mara mora!

Nocaute Dugan disse...

Você é uma poetera de mão cheia!