quinta-feira, 10 de agosto de 2017

I really dislike

I really dislike when a Brazilian start to speak bad things about Brazil.  I just really dislike when people hate their own country so much and only complain about politics, say that they wish to trade places and be in Europe, USA or another country...  There are plenty of Brazilians who love their country too and I´m...

Ops, estou escrevendo em inglês? Ah, sorry! São esses 2 meses morando fora do Brasil. Eu esqueci o português. Taí outra coisa bizarra e que eu não gosto! Brasileiros que enfiam um monte de expressões em inglês no vocabulário e fingem demência com própria língua.

Para quem não pescou o começo, a primeira reclamação é de quem reclama do Brasil para todo estrangeiro o tempo todo (gastei no pleonasmo da reclamação do reclamador porque eu estou reclamando). Já ouvi centanas de brasileiros responderem sobre "What about Brazil?" com uma lista gigante de problemas - sempre falam de corrupção e pobreza. Gente, isso está no jornal! Acreditem, isso eles já sabem, e muito melhor que muitos brasileiros, que só reclamam mas não conseguem lembrar sequer em quem votaram na eleição passada.

Alguém já comeu um pato no tucupi? Já deu aquela espreguiçada em uma rede na praia? E aquele sol gostoso no rosto em pleno inverno? E a quantidade infinita de frutas? E as músicas regionais? Literatura de cordel, por exemplo. Quer coisa mais maravilhosa? E a nossa dança? Ah, poderia fazer uma lista enorme. Não sejamos óbvios!
Conheçamos nosso próprio País. Muita gente se orgulha de ter 50 carimbos de viagens pelo mundo, mas não conhece seu próprio País. Aliás, farei esta lição de casa com urgência.

Esses dias fiz uma cagada.
Cansada de ter que explicar que a capital do Brasil não é a Argentina, que eu não sei sambar e que minha bunda é pequena, mesmo sendo brasileira, mudei minha nacionalidade.

- Where are you from?
- I´m from Argentina.

Silêncio ensurdecedor. Quase visualizei o mapa mundi aberto e o cara procurando onde ficava.
Ele não tinha nada para falar sobre o País. Não teve uma piada sequer, uma dancinha e não me senti um macaco de circo.

...

Para que entendam, voltemos no tempo...

Belo dia passeava eu pela região do Temple Bar quando um mocinho de procedência inglesa veio ser simpático.
Ao responder que eu era do Brasil, como se fosse num circo, gritou aos amigos "Adivinha de onde ela é? Adivinha? Brasil!!!! Dança aí pra gente, vai. Samba!"
Isso é tão contrangedor quanto eu pedir para um irlandês dançar river dance. Imagine eu chamando todos os meus amigos para ver o irlandês dançar river, ou o argentina dançar tango e etc.

....

Sem piadas, sem dancinha, sem aquela olhada na bunda para conferir o selo Brasil de qualidade na anca, o cara não tinha o que falar. Ou seja, sem referência alguma sobre a Argentina.

Neste dia eu tive vergonha de dizer que era brasileira, e depois me senti mal por não dizer e encarar os próximos minutos numa luta visceral sobre o que é o Brasil. A culpa é nossa!
A culpa é da nossa pagação de pau absurda para cultura do outro, sendo que a nossa é riquíssima.
É o que vendemos, é o que falamos, é como nos portamos, é o que exportamos. Exportamos bunda, sexo, mulheres gostosas, belas praias, samba, caipirinha, corrupção, políticos ruins e uma vida muito pobre. Mas será que o Brasil é só isso?

Então mudei. Agora virei embaixadora da cultura brasileira. E onde houver um brasileiro falando mal, ou qualquer um, defenderei com honra e dignidade.
Nunca fiz, nem nunca farei parte do time que fala mal do próprio País.Tive um momento de cansaço da luta, mas já retomei.

Tenho algumas premissas:

  • Não, não escrevo legendas em inglês. Até mesmo porquê 90% dos meus amigos nas redes sociais são brasileiros.
  • Não faço parte do time que quer morar em qualquer canto do mundo só pra sair do Brasil.
  • Não acho a cultura de nenhum País superior a minha cultura. Valorizo, respeito e amo a cultura brasileira.
  • Não comparo estilo de vida. Todos os lugares tem seus pontos positivos e negativos. E realmente não gosto quando as pessoas começam frases com "Se fosse no Brasil", e aí vem algo negativo na sequência. Tente ver coisas positivas no nosso País, eu poderia fazer uma lista gigante.
  • Não gosto das frases que começam com um brasileiro dizendo "Brasileiro tem mania de", aí vem uma sequência de atrocidades sendo que ele também é brasileiro.
  • Não falar mal do País do amiguinho respeitando as diferenças. A melhor defesa não é o ataque, e sim a compreensão, respeito e muita conversa. Logo, parei de falar mal da fazendinha como forma de ataque aos que falam mal do Brasil. Eles só reproduzem o que a gente mesmo fala. Muitos nunca estiveram no Brasil.  
Resumo: Pra mim o Brasil é o filho feio que a mãe acha lindo e não deixa de forma alguma que o outro aponte os defeitos.







sábado, 29 de julho de 2017

Jimmy’s Hall


Ontem, no Abbey Theatre, vi um espetáculo incrível do teatro irlandês. O Abbey teve sua inauguração em 1904 e foi um dos primeiros teatros subsidiados pelo Estado do mundo e recebe subsídio anual do Estado Livre irlandês. E nada mais poético do que ver neste teatro a história de Jimmy (de graça é mais maravilhoso ainda)

Jimmy Gralton mudou-se para Nova Yorque após sofrer perseguição em Letrim por suas ideias comunistas. Após 10 anos, volta à sua pacata cidade natal, e por insistência dos seus amigos reabre o salão onde a população tinha debates, lições culturais e aulas de dança. A história real do único cidadão irlandês a ser deportado, trás de uma forma brilhante a história da cultura irlandesa e a importância de sua música e dança.

A fila dava a volta no quarteirão, da Abbey até a Gardiner, alguns chegaram bem cedo com suas cadeirinhas, jornais, óculos escuros e todos os apetrechos de quem quer o melhor lugar. A imprensa estava lá. Entrevistava à todos buscando impressões e expectativas. E eu ali torcendo para que ninguém falasse comigo.  Fazia tempos que namorava peças no  Smock Alley Theatre ( teatro de 1662!!!! – preciso muito ver uma peça lá), até tinha lido sobre as peças que estavam em cartaz, agora no Abbey eu sequer tinha passado na porta. Não sabia absolutamente nada sobre a peça em cartaz. O pré-requisito foi “teatro, de graça, gosto, vou!”.

E lá fiquei eu na fila monstro esperando e torcendo para ter ingresso na minha vez. O teatro tem capacidade para 450 pessoas. Dei uma medida na fila, e esperei. Fui uma das últimas a pegar ingresso.Ao entrar os atores já estão no palco tocando músicas tradicionais irlandesas. O público participa com palmas, é uma festa. O clima de salão já é instituído, musical e descontraído. Esta é a passagem para a entrada no salão do Jimmy.
Músicos/atores/dançarinos, o elenco inteiro é primoroso. Que fôlego! Lembrando que a dança irlandesa requer força e passos bem precisos, o atores fazem isso por 2 horas! Experiência pra lá de interessante. Eu falo inglês, eu entendo, mas ir ao teatro, com um tema tão peculiar, com discursos políticos engajados, exigiu um pouco mais dos meus neurônios no começo. Aí eu lembrei que era teatro, não filme, e deixei de me preocupar tanto com a linguagem falada, e passei a olhar o corporal e foi quando eu só reafirmei o quanto o trabalho do ator é maravilhoso.

As cenas são todas muito bem marcadas, coreografadas no último grau, e todas as expressões corporais da dança passam uma mensagem. Há uma cena divina no meio do espetáculo em que Jimmy reencontra seu velho amor e fazem uma dança do reencontro daqueles corpos depois de 10 anos que é de arrepiar os cabelos. Não há beijo, não há falar, mas os olhares, os movimentos dos corpos...obra de arte, minha gente!
O cenário nem se fala. Muito bem pensado. Utiliza todo o espaço, as cenas acontecem até na entrada da cochia. A iluminação faz com que você sinta todos os sentimentos que querem demonstrar, a passagem do tempo dia/noite passa por uma janela do fundo, e você tem a exata sensação do momento em que estão vivendo. Efeitos especiais? Tem, sim senhor! Uma explosão maravilhosamente coreografada com efeitos de luz, fogo e dança dos atores em câmera lenta simulando o exato momento em que atacam o salão.
Ok, ficaria horas escrevendo sobre o espetáculo, sobre as performances e etc.Sai do teatro com aquela sensação boa de “putaquepariu”, tomei uma paint e voltei pra casa pensando. O teatro fez seu papel.
Está no mundo? Vá ao teatro. Não importa se na Europa, Ásia, Oceania, América, vá ao teatro. Sempre um ótimo exercício de apreciação do ser humano!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Eureca!

Ontem eu tive um dia pra lá de interessante!

Pode parar de ler por aqui, pois será vibe "diário adolescente". Já aviso porque tempo hoje é um troço disputado, e aí você vai dizer "Perdi tempo lendo esta merda".

Esses dias descia eu o vale, música triste no talo, vento gelado cortando a pele, TPM gritando. Não deu outra, dei aquela chorada de videoclipe. Sabe aquela que desce só uma lágrima poética? Então, bem isso aí.

Estou em crise existencial faz tempo. Aliás, eu nasci em crise existencial e nunca mais sai dela.
Eu sou complexa, dúbia e dramática. É o que tem pra hoje, minha gente. Aceitem ou deixem.

E aquele sentimento da "árvore, livro e filhos" gritando. E aí veio a pergunta "Que merda estou fazendo da minha vida?". Cada dia que passa eu não estou ficando mais nova.

De onde vim? Pra onde vou? O que eu gosto?
Clássico dos adolescentes! Adolescentes, isso nunca passa, só pra constar. A gente não descobre o mapa da vida ao ficarmos mais velhos. Muito pelo contrário, a gente vive uma porrada de coisa, aprende um monte, mas sempre tem algo que incomoda, isso é vida.

Bom, voltando ao dia depois desta explanação sobre o sentido da vida...

Meu inglês não é a oitava maravilha do universo. Entendo muito bem, aliás entendo pra caralho, escrevo nível semi-analfabeto e falo com entonação índio apache com nuances de Joel Santana (mito), mas sou mega esforçada, devo admitir.
Ontem tive uma apresentação em inglês. Ganhei a atenção pelo carisma e didática. "Bela performance, você deveria ser professora!".

WAIT A MINUTE...

Eu já fui professora! E modéstia à parte, eu era das boas. As mães brigavam na porta da escola para que os filhos ficassem na minha sala.
Pagam mal, você trabalha além das horas em que está no trabalho, precisa ler, estudar pra caramba, mas foi um dos trabalhos mais recompensadores que já fiz na vida.
Não tem absolutamente nada a ver com recompensa financeira. Tem a ver com gostar do que faz. E admito, eu gostava.

No final do dia fui para o voluntariado ISPCC Ireland (Google, crianças). Baita trabalho maravilhoso com os pequenos seres humanos. Deu vontade de começar na mesma hora. Sabe quando te falam de uma atividade e você fica mega contente e quer começar naquele momento? Foi assim.


CRIANÇAS + EDUCAÇÃO+ ONG+ ARTE = Viviane Feliz.

Agora preciso encontrar uma forma de colocar isso no liquidificador e viver disso.
Aceito opiniões, sugestões, críticas e etc.

Ajuda a tia, aê!



domingo, 23 de julho de 2017

O sentido de sentir saudade

Saudade é um lance estranho. Comentei esses dias com um amigo italiano sobre o significado da palavra. Ele fala “homesick” e de verdade não acho que esta palavra adeque-se à saudade. Saudade é diferente, saudade faz cócegas no estômago, tem cheiro, cor, sabor, trás uma nostalgia, uma vontade de estar...

Ele reclamava da Irlanda e dizia-se com saudades da Itália, mas não podia voltar por conta do trabalho. Então eu lhe disse: “A gente só tem saudade daquilo que se foi. E nem sempre aquilo era bom. Um dia, quando você estiver na Itália, vai lembrar-se da gente tomando café e reclamando da Irlanda e vai sentir saudade daqui e de mim, e eu vou sentir saudade de você. Vamos lembrar desses dias em conversas pela internet e vamos dizer – que saudade daquele tempo!”. Ele riu e entendeu exatamente o que eu queria dizer sobre saudade.
Tenho saudade de algumas coisas. Saudades dos churrascos aos domingos em que jogava conversa fora em tomava cerveja com minhas amigas.  Lembro de um dia ter reclamado “Ai, gente! Todo domingo a mesma coisa. Que saco. Vamos fazer alguma coisa diferente!”, e cá estou eu com saudade disso.

A minha casa tem um cheiro, não sei explicar. É um cheiro de minha casa. O passarinho que canta pela manhã na minha janela é o meu passarinho favorito. Ele fazia isso toda manhã. No final do dia abria a janela da cozinha e ficava olhando o sol se pôr atrás de uma árvore bem grande que tem perto de casa.  A minha cozinha tem um buraco no chão milenar, um azulejo que eu sempre digo que vou consertar e tapo com um tapetinho de cozinha, até dele ando sentindo falta. A minha casa é pequena, desajeitada, repleta de coisas que eu prometo arrumar em algum momento, e nunca acontece. Mas isso serve para eu dizer que tenho um monte de coisas para fazer. Meu sofá de bolinhas marrom e meu cobertor vermelho faziam uma parceria perfeita acompanhada de uma boa sessão de Netflix. É o meu canto. Nada especial, mas saudade pra mim é isso. São coisas simples do dia a dia que marcam quem você é.

Tomo meu chá, olho o dia carregado de nuvens cinza com prenúncio de chuva. Reviro os olhos em tédio e repito a frase “Vai chover”. Depois deste texto, olho de novo, olho com sentido de gravar na mente este momento porque quando ele passar, vou sentir saudades.

A vida é uma eterna saudade. Afinal, não podemos ter tudo.

U2 - Dublin


Não vendi meu rim, não me prostitui (até mesmo porque já não dá mais), e consegui o ingresso por um preço “ok”. Cambistas existem em todo canto do mundo - acreditem!

Mais uma vez U2 e eu – 1998, 2006, 2011 (2 shows) e 2017. Ou seja, estávamos no nosso quinto encontro. O pessoal está mais velho, eu também estou, faz parte. Mas nem por isso deixamos de aproveitar uma noite de sábado sem chuva em Dublin. 

Sentei no meu lugarzinho numerado e respeitado por todos, num estádio com ótima visão do palco, e me preparei para ver o U2 tocando em casa. E realmente eles estavam em casa. Levaram os amigos, agradeceram a presença de todos por nome como se estivessem fazendo um churras em casa. E ainda pediram para que o estádio com 80 mil pessoas cantassem parabéns para um amigo que estava completando 50 anos no sábado do “Churras do U2 em Dublin”. E foi neste clima que eu vi um dos melhores shows do U2.

Quem espera que o U2 toque todos os hits, engana-se “The Joshua Tree Tour” tem outra pegada. Não tem palcos escalafobéticos, Bono não sai de um limão, nem de uma nave, não troca mil figurinos, o palco não roda, não tem garras gigantes, não faz transmissão ao vivo para outros países, nem ligações para amigos, como já foi visto em outros shows. “The Joshua Tree” é uma ode ao bom e velho U2.

The Whole of the Moon anunciou a entrada da banda e um estádio lotado que cantou junto.
Lembro que em 2011 dei uma boa chorada com Space Oddity, 2017 não foi diferente.

Pra começar a bagaça, já tocou uma sequência foda: Where the Streets Have No Name, One Tree Hill, Running to Stand Still, With or Without You, I Still Haven’t Found What I’m Looking For, Trip Through Your Wires e In God’s Country com arranjos diferentes e todas acompanhadas de discursos políticos sobre a Irlanda, e de como atravessou de forma digna a crise recente.

Isso fica mais evidente no início do mini 'Best Of' da terceira seção, com imagens de campos de refugiados sírios enquanto toca Miss Sarajevo. Em Ultraviolet (Light my Way) clama pelo empoderamento feminino com imagens de mulheres que representam o feminismo como Simone de Beauvoir.

Depois de levar alguns (eu, por exemplo) às lágrimas, ele retoma com a sequência infalível de hits Beautiful Day, Elevation and Vertigo fazendo o estádio todo gastar o pulmão e as pernas gritando e pulando. 

E no meio de grandes hits e histórias, a banda apresentou a nova música “The Little Things Give You Away”.

Sei que foi incrível, e mais uma vez U2 me provou o porquê foi escolhida como minha banda favorita. 
Entre poesia, música pop, política, arte, o show aqui em Dublin foi tudo que eu esperava e mais um pouco.



quarta-feira, 12 de julho de 2017

A bike e eu #5

Eu sou dessas que vê algo, acha incrível, e duas semanas depois está fazendo.
Sempre achei maravilhoso aquele pessoal saudável andando de bike, tomando açaí (eu odeio), com roupas ótimas, ostentando sua bike pelo mundo. E eu sempre tive milhares de desculpas para isso.
1) SP é perigosa 2) Os motoristas não respeitam 3) Tem muita ladeira...
Umas 20 desculpas, mínimo!

Mudei para Irlanda. Acabaram as desculpas. Todo mundo, até crianças, andam de bike pelas ruas.
Olhei, olhei, olhei, passei alguns dias observando. Ciclistas. O que comem? Onde vivem? Como pedalam? Como não morrem atropelados?
E depois de todo este estudo do meio, comprei uma bike. Aí vem a parte Mazzaropi feeling.

Comprei a bike no centro da cidade (moro bem afastada do centro). O caboclo me entregou a bike e disse um "Seja feliz". Eu não tinha ideia sequer de qual direção tomar. E a última vez que andei de bicicleta, meu pai tirou as rodinhas, disse "vai", eu caí, e nunca mais voltamos a ter uma boa relação - a bicicleta e eu. Fim.
Então, por quê raios eu comprei uma bicicleta? Porque eu sou brasileira e não desisto nunca.

Respirei fundo e me joguei no meio dos carros. Sempre uma oração na cabeça. E como Deus é grandioso, não me aconteceu nada.
Quando me senti segura, botei logo uma música para acompanhar e aí foi lindo.

Só que eu não tinha percebido um negócio mega importante. Uma coisa é você andar alguns quarteirões de bike, outra coisa é você usar como meio de transporte e pedalar longas distâncias. E é aí que a gente descobre que o plano não é tão plano assim.

Lá pelo Km 10 eu já estava morrendo. Eu não estava preparada para este evento, fisicamente falando. Já senti vontade de jogar a bike no chão e sair andando.
Aí você percebe que o caminho a pé é diferente do pedalando porque as ruas são contra- mão, e aqui o povo leva a sério esta bagaça. Bike segue a mesma regra de carro. O google maps decide te sacanear pra ver o quanto você quer mesmo pedalar. Aí você pedala mais 7 Km e a bunda começa a dar sinal de que não está nada bem. Suava feito uma porca! Já comecei a pensar que tipo de resgate poderia ser feito: táxi, helicóptero...porque não se entra no busão de bike.
Quando já estava perdida para um caralho, cogitei vender a bike por qualquer euro e pegar um busão.
Foi aí que Deus liberou a internet. Definitivamente era um teste divino.

Pedalei como se não houvesse amanhã. Porém, sempre há um amanhã.
Cheguei em casa que dava para torcer a camiseta. Dificuldade extrema para sentar no assento sanitário e as pernas com vida própria. Só pensava que no dia seguinte teria mais.
Acordei rezando para chover, já estava com a desculpa pronta - não pedalo na chuva. Fez um sol marroquino. E lá começamos uma nova saga. E assim tem sido, todo dia uma história com ela. Estamos nos conhecendo.
A gente não está num relacionamento sério. Eu não consegui assumir a bike como meu meio de transporte favorito e maravilhoso, mas não vou desistir tão fácil assim.














quarta-feira, 21 de junho de 2017

Não existe mais romance em lugar algum #4

Homens, vocês desapontam. Em qualquer lugar do mundo sempre há um imbecil. Um, não. Uma caralhada de homens imbecis.
Não sei exatamente o que andam botando na água, mas a relação anda cada dia mais difícil.
Há exceções? Sempre há. Mas não estou aqui para falar de exceções. Não me recordo da minha última exceção.

Estou no mundo, estou na vida, e estou para me divertir - claro. Mas devo admitir que nem divertido tem sido.
Não sei se a gente mudou e estamos mais disponíveis, ou perdemos o respeito, ainda não consegui identificar direito, mas os homens simplesmente não são mais homens.
Então, como um dever cívico, resolvi escrever sobre o tema.

Bora lá, meninos.
Sim, em algum momento ela vai fazer sexo com você. Vai acontecer, confie em mim. Pode ser no primeiro encontro? Claro que pode! Mas não é uma obrigação. Não entenda que pagar uma cerveja é equivalente a pagar por sexo. As coisas acontecem.

Romantismo não é só utilizado com quem a gente quer casar e constituir uma família. Ser gentil, educado, bom papo e etc, vale para qualquer situação, até mesmo aquelas que você não se interessou pela pessoa, fisicamente falando. Tenha paciência. Nada melhor do que algo conquistado.

Marcar um sexo. Eu sei que isso acontece. Mas parece que você marcou uma consulta ginecológica. 15h - sexo na minha casa - fim. Pode acontecer? Pode! É legal? Até é. É regra? Não!
Ser direto pode ser bem desagradável, ainda mais se está conhecendo a pessoa. Aí dirão alguns: "Quero deixar claro que é só sexo!". Você consegue fazer isso sem ser literal. Queimem alguns neurônios, usem a criatividade.
Como eu digo para algumas amigas "Me enganem um pouco. Eu sei o quê vai acontecer, não nasci ontem. Mas não precisa me mandar um texto por escrito, quase um contrato firmado de que será só sexo!". Chato! Isso é bem chato.

Não sei se o mundo mudou, ou eu que estou velha. Acho que os dois. Mas ando bem sem paciência para este tipo de approach.

Está faltando romance na vida. E quando eu falo isso, esqueçam os filmes. Estou falando de vida real. Estou falando de dois adultos se divertindo, se conhecendo melhor, dividindo um momento bacana, rindo, trocando, e mais uma vez, isso não é namoro, não é casamento, é só um jeitinho civilizado.
É bom caminhar pelas ruas e dividir um momento, mesmo que seja só um momento. É bom ter "namoros" de um dia. Que sejam leves, interessantes e porquê não, sexuais. Mas não deixem isso tatuado na testa. O mistério pode ser interessante para ambas as partes. Flertem, flertem, flertem, o sexo fica bem melhor depois de um bom flerte.

Depois de mais de três encontros horrorosos, eu só tenho isso pra dizer.






quinta-feira, 15 de junho de 2017

Dublin #3

No dia de hoje vamos aprender...
Sempre quis fazer um vídeo com este começo que todos os blogueiros fazem. Sempre começa com "No dia de hoje".

Bem, bem bem...É legal viajar? É sim, senhor. Mas antes de viajar vem a parte do planejar, que de fato é a parte mais mala (manja o trocadilho). Se for ficar um tempo na cidade tem coisas que precisam ser levadas em consideração.

Vou usar Dublin como exemplo.

Moradia: O mundo fala que é difícil encontrar moradia e etc. É um pouco, sim. Nada impossível. O problema é que todo mundo quer morar no centro. Aí, meu amigo, ou você é rico e aluga um lugar para chamar de seu, ou divide com 1983772 pessoas e um banheiro. Depende do seu grau de vontade$ de dividir sua privacidade.
Média dos aluguéis para dividir com um número indeterminado de pessoas - 330 euricos - No seco? às vezes inclui contas, mas outras não. Aí você põe mais 30 pilas. Internet aqui é bem barata. Telefonia no geral também.

Comida:  Ruim. Bom, deixa eu retirar os pêlos do coração. Pronto. Comida ok. Você acha um arroz bastili (parecido com o brasileiro), frutas, legumes e verduras num preço honesto, feijão ruim de lata num preço justo. Agora sobre o churrasco, esquece. Não terá. Carne? Esquece! Se você vem no modo econômico, vira artigo de luxo. Aquele bifinho bandejinha que a mamãe compra e faz acebolado, aqui custa em média 9 euricos. Não converte para não chorar.
Devo dizer que alimentação, pelo menos pra mim, tem sido uma boa despesa.
Outra coisa, fuma? Pare! Simplesmente pare! 11,30 euricos. Correspondente a duas paints. E se pensar em vigem...3 maços de cigarro = passagens para Escócia. Você quer ter câncer de pulmão ou viajar para Escócia?

Roupas:   Ah, chegando lá você compra! Hum, então, não é bem assim. Tem a Pennys (adoro o nome!). É barato? Sim, é. As roupas são legais? Hummmmm, não. Básico!
Comprei uma legging por lá que em 24 horas de uso já rasgou. Uso de pijama. Custou 3 euricos. Converte que é barato, meu povo. Mas a qualidade não é das melhores, não.
As demais lojas seguem o fluxo do Brasil. Coisas legais aqui você acha em brechó. Sim, seja vintage! E são brechós bem, bem, bem, legais.
Levo casaco? Não. Aqui vai precisar de um de chuva. Chove todo dia, não sei se mencionei.
Levo minhas roupas de frio? Se vier no verão, suas roupas de frio do Brasil servem pra cá. Olha que maravilha. Verãozão de 15 graus!

Transporte:  Luas, Darts, ônibus e bike. Ah, vou ser europeu e sair de bike por aí. É legal porque a cidade é pequena e plana. Mas você precisa ser resistente ao frio, chuva e vento. Vento aqui é um negócio sério, meio que te arrasta mesmo. Além disso, precisa conhecer as normas de trânsito e condicionar o cérebro à mão inglesa. Uma bike custa em média 120 euricos (uma boa!), você vai até achar por 50, mas não dura muito e a manutenção pode ser constante, tem que colocar na ponta do lápis. Se você for morar no centro e fazer tudo no centro, tem as Dublin bikes.
O busão é cobrado por trecho. Então você entra e fala pro motorista pra onde você vai. Lembrando que não existe trôco. Ande com moedas ou faça um leap card.
Uber não é uma opção em Dublin, mais caro que táxi. Tem algumas questões políticas envolvidas, logo o pessoal daqui não usa.

Passeios: Tô morando nesta bagaça e quero passear. Em média 25 euricos. Não sejam as pessoas que andam no busão turístico e depois dizem que conhecem a cidade. Andem, amores, só andem. Saiam do centro. Peguem o rio Liffey e siga o fluxo. No caminho vai encontrar coisas legais.
Eu não sou guia turístico. O que fazer em Dublin tem em qualquer site. Não seja preguiçoso!