No quarto esfumaçado pelo cigarro que consumia compulsivamente, Douglas digitava frenético.
- Oi, minha deusa. Não parei de pensar em você um só minuto. Quero sentir seus lábios, sua pele, sua mão passando pelo meu corpo como se estivesse mapeando o meu corpo. Ai, que vontade de você.
- Ai, meu amor. Conto os dias para falar com você. Ontem te esperei a tarde toda.
- Não pude. Tereza anda muito desconfiada. Toda vez que venho ao computador, ela corre atrás. Agora estou só. Ela foi ao shopping. Quando é assim se demora a tarde toda...Escrevi um poema pra você, sabia?
- Manda, manda, manda.
Todo dia passavam horas trocando juras de amor.
O único incoveniente; ele mora em São Paulo, ela em Manaus. Nunca se viram, mas trocavam juras de amor eterno. E quem os visse conversar, jurava que era amor de infância.
Era uma tarde de domingo chuvoso. Tereza sentou-se próximo ao computador quando ouviu um chamado do messenger.
Foi até o computador e leu a frase: "Meu amor, conto os dias para sua chegada!".
Vacilo da inexperiência com amantes.
Tereza naquele momento era Douglas. Passou mais de duas horas sendo o marido.
Terminou a conversa dizendo "Cada dia que passa te amo mais". Maximizou a tela e deixou as letras o maior que conseguiu. Ficou olhando aquela conversa. O marido era incapaz de lhe dizer qualquer coisa que lembrasse amor. Mas para aquela estranha, era um doce.
Levantou-se da cadeira. Abriu o guarda-roupa do marido, pegou o revólver e o colocou na boca. O sangue jorrou na tela.
-- Jorge --
Jorge entrava todo dia para encontrar Douglas. Nunca mais o viu online. Não pensou duas vezes, entrou na sala de bate papo e conheceu Alcídes.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Ciberlove
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Vivi
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Prometo voltar
Não sei o que houve comigo nesses últimos tempos. Sei apenas que abandonei a escrita. Ultimamente tenho escrito em 140 caracteres, não mais que isso.
Estou com saudade de mim. Estranho, não?
Tenho saudade de ter tempo para escrever.
E se escrevendo eu era eu, faz tempo que não me vejo.
Prometo me encontrar esta semana.
E se ainda tiver alguém aí, eu volto.
Se não tiver, volto mesmo assim. Afinal, que saudade de mim!
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Vivi
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18:44
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Marcadores: Amenidades
domingo, 5 de julho de 2009
Trilho
Estação Santa Cecília - São Paulo.
A chuva caía gelada no corpo desnudo sentado no chão da rampa de acesso ao metrô.
O batom estava borrado, assim como o lápis de olho denunciava que aquela maquiagem havia sido feita na noite anterior.
As roupas cheiravam cigarro e bebida. O coque despenteado deixava apenas uma mecha de cabelo caída na face.
Era de se impressionar que alguém conseguisse ficar ali no chão gelado vestindo apenas uma vestido tomara que caia.
Chorava copiosamente. As pessoas apressadas para o trabalho olhavam com piedade mas eram incapazes de pararem para ajudar.
Um senhor de aproximadamente 72 anos se aproximou e fez a pergunta que no íntimo todos se faziam, mas ninguém teve coragem de perguntar:
- O que houve?
A pergunta fez com que ele chorasse mais ainda. O senhor acompanhou o choro e lhe cedeu seu lenço para que secasse suas lágrimas e finalmente dissesse o que estava ocorrendo.
- A vida deixou de ter sentido pra mim. Bebi a noite toda, usei todas as drogas que se poderia usar, tentei de tudo para esquecer a minha sorte, mas de nada adiantou. Continuo sentindo uma dor enorme dentro do meu peito, parece que está tudo dilacerado dentro de mim. É como se o mundo ficasse em silêncio e esperasse que eu respondesse algo que não sei como responder. Eu estou morto, o senhor sabe o que é estar morto aos 29 anos?
- Não estou lhe entendendo...
- Eu estou morto, senhor. Fiz da minha vida uma montanha-russa de adrenalina pura. Vivia um dia sem saber como acabaria, vendi meu corpo, minha alma, minha vida. Minha mãe está em Quixeramobim esperando eu voltar com dinheiro de São Paulo. Mal ela sabe que sou um travesti, que ganho a vida dando o meu rabo para quem pagar mais. Ela acha que eu sou estagiário de um banco...
E assim que terminou de falar, saiu correndo, deixando para trás sua bolsinha de mão.
Desceu as escadas correndo, atravessou a catraca por cima. Os seguranças tentaram alcançá-la sem sucesso. Assim que chegou no local de embarque, se jogou nos trilhos.
Dentro da bolsinha de mão havia um trident, um batom vermelho, e um exame de sangue - HIV positivo.
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Vivi
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18:10
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Marcadores: Contos
Sinopse
Sinopse:
A menina legal e descolada que tem um grande amigo inteligente, divertido, que gosta de moda e sabe se vestir bem, fala com fluência e desenvoltura, gosta de ouvir boa música e ir a bons restaurantes, mas é gay.
A família dele não pode sonhar que ele é gay. Ele nem parece gay.
Numa festa familiar, ele leva a amiga, e em pouco tempo as tias a chama de sobrinha, a mãe dele vira sua mãe, o irmão também é seu, os sobrinhos a chamam de tia, e todo mundo diz que formam um lindo casal.
Saem da festa rindo da percepção alheia e caem numa balada gay.
Dançam, bebem, dão risada.
Ela vai embora com mais um cara que não vale um centavo.
Ele beija um que conheceu na noite.
Jamais ficariam juntos, ela não é lésbica.
E mais uma vez surge a pergunta:
Por quê os melhores são gays?
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Vivi
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18:04
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Marcadores: cotidiano
domingo, 28 de junho de 2009
Facebook, orkut, twitter e afins
Uma pessoa que nunca me viu pessoalmente disse que eu sumi. Se isso fosse nos anos 80, seria considerada louca. Como alguém que nunca me viu pode dizer que eu sumi?
O que sumiu foi minha vida “cibersocial”.
Você viu que fulano está namorando? Mudou o status no Orkut e no facebook.
Eu soube da morte do Michael Jackson pelo twitter, e você?
Você já baixou aquele vídeo novo do ciclano?
Sou adepta do contato físico, do bar, das risadas ao vivo ao invés de um “rs” , “kkk”, “hehehe”, “hahaha”...E ainda ter que ouvir alguém comentar que determinada pessoa que ri “kkk” – que é risada de adolescente – é imaturo.
O tempo passa, o tempo voa, e a tecnologia que teria que ajudar, cada vez me irrita mais.
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Vivi
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21:22
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Marcadores: Divagações
sábado, 20 de junho de 2009
Dona Flor
Toda mulher, no fundo, bem lá no fundo, gosta de um Vadinho. É difícil aceitar esta conclusão, mas é verdade.
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Vivi
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18:28
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domingo, 24 de maio de 2009
Sábado
Acabo de lembrar daquela música que diz que todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite. Antes eu ficaria deprimida por estar em casa em pleno sábado, agora sinto um certo alívio. Algo como "finalmente descansar!".
E já que estava sem fazer nada mesmo, o negócio era entrar na rede para ver o que acontece no mundo.
Lembrei que tinha um blog. Um amigo da pós mandou um e-mail, e no final do e-mail havia o endereço do blog dele. Decidi entrar para ler.
Do blog dele cai em outro, e outro, e outro, e mais outro, e depois de ler a vida de muita gente que não conheço, resolvi passar por aqui para dizer que estou viva.
Continuo chata pra caralho, continuo reclamando de tudo, continuo falando mais que pobre na chuva, ainda não ganhei na porra da loteria, continuo boca suja, não fui promovida, e antes que perguntem, continuo solteiríssima.
A única coisa que mudou é que me conformei com meu estado civil, e aceitei minha condição de eterna solteira.
Parece que o dia dos namorados se aproxima. De qualquer forma eu vou ganhar presente, faço aniversário dia 16 de junho. Com ou sem namorado, sempre ganho, ao menos, uma meia.
Ah, agora eu tenho casa. Assinei o carnê, e vou pagar pro resto da minha vida. Quando eu tiver 103 anos, poderei, tranquilamente, pagar com a minha aposentadoria. E ainda poderei deixar meu império para os meus gatos. Ah, não tenho gatos. Mas irei comprar um assim que me entregarem as chaves do meu pedaço de chão.
Agora eu só penso em comprar coisas para enfiar naquele cubículo.
E o fato de eu estar em casa em pleno sábado tem a ver com o pedaço de chão. vou viver de miojo, água, pão e sem noitadas, por um ano.
Quem sabe assim eu tome vergonha na cara e atualize isso aqui????
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Vivi
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00:56
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Marcadores: Amenidades
sábado, 9 de maio de 2009
As dinâmicas
As pessoas gostam de dinâmicas. Virou moda. Até mesmo quem não em formação para aplicar uma, gosta de ter o momento dinâmica.
Seu grupo não vai bem? Problemas de relacionamento interpessoal? As pessoas não fazem o serviço direito? Faça uma dinâmica.
Tudo se resolve com dinâmicas, de preferência as em grupo.
Com base nisso meu chefe decidiu fazer uma dinâmica.
A dinâmica consistia em as pessoas escreverem nas suas costas coisas boas e ruins sobre você. Depois rolava meio que um julgamento e as pessoas diziam se concordavam com o que disseram, ou não.
Eu sempre soube que isso iria dar merda, e deu.
As pessoas resolveram desabafar e serem bem sinceras, inclusive eu.
Tive a capacidade de escrever nas costas do meu chefe que ele trata as pessoas como se fossem retardadas, que não tem o menor tato para lidar com as pessoas, e etc. Fiz praticamente uma carta.
O cara ficou arrasado. Na hora do almoço, eu almoço com ele, me disse que não fazia a menor idéia de quem havia escrito aquilo, mas que agora ficaria mais atento às letras para saber quem havia escrito aquilo. Um arrepio me veio. Lembrei que ao menos tive o senso em mudar a letra. Nunca imaginei que ele não soubesse que ele é da forma que o descreveram.
O que escreveram sobre mim já era de se esperar, não me surpreendi com nada.
Grossa, insensível, direta demais, sincera, sem educação, arrogante. Isso não é nenhuma novidade.
Ser sincero leva as pessoas a te acharem grossa, sem educação e blá, blá, blá. E se tem uma característica minha que não abro mão, é a minha extrema sinceridade.
Por outro lado, os pontos positivos constavam: inteligente, engraçada, honesta, profissional, organizada.
A dinâmica não mudou minha vida. Não me mostrou nada de novo. Mas para o meu chefe, o homem que organizou a dinâmica, foi um tapa na cara.
Depois o cara não entende porque só teve 66% de aprovação dos funcionários...
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Vivi
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13:34
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Marcadores: cotidiano
