terça-feira, 15 de abril de 2008

Cegonha

A cegonha tem trabalhado na última semana.
Duas queridas amigas estão grávidas.
Eu sei que ainda me choco quando recebo este tipo de notícia. Não como nas primeiras vezes, mas ainda me choco.
Caramba, se eu não sou o pai, nem a mãe. Por que fico catatônica toda vez que uma amiga diz que está grávida?

A minha reação é igual a de uma criança de dois anos, sempre digo algo que não tem nada a ver com o tema. Você viu as ações da Petrobras?

O melhor foi a resposta da filha de uma amiga.
Eu, num momento de cumplicidade, comecei a conversar com a criança:

- Hum, que legal, heim? Você vai ter um irmãozinho!

- Ahãm.

- E você ficou feliz?

- Tia, você viu o bolo que eu fiz?

- Vi. Mas e o irmãozinho?

- Está no umbigo da mamãe, oras. Vou fazer um bolo de chocolate.

- E você já sabe o nome dele?

- Acho que é bebê...

- Tia, vem ver meus brinquedos.

Fui ver os brinquedos e mudamos de assunto. Acho que ela também fica chocada.

As reações das crianças quando ganham um irmão são diferentes. Algumas ficam felizes, outras ignoram o fato, outras ficam tristes, outras sentem ciúme.
A filha da outra amiga grávida teve uma colocação interessante, quando soube que era um menino.

- Ainda bem. Vou ser a única princesinha de casa!

Antes eu ficava catatônica porque pensava: A amiga, definitivamente, entrou na vida adulta.

Uma amiga psicóloga disse que eu fico chocada porque devo estar com a síndrome de Peter Pan.
As pessoas casam, procriam, envelhecem, é o processo natural da vida.
Pra mim é tão difícil aceitar que estou ficando velha. Quando alguma amiga diz que está grávida, passa o filme da vida na minha cabeça.

Aquela pessoa que eu ajudei a andar na rua porque estava bêbada, ficava oras ao telefone ouvindo seus casos amorosos, briguei, xinguei, chorei junto nos momentos felizes, e nos difíceis também, agora chegou a tal vida adulta.
E não adianta dizer que não, as coisas mudam. As responsabilidades são muito maiores. E as prioridades são outras.
Acho que depois de uma overdose de cegonha, passei a aceitar que a vida não é mais a mesma. E em algum momento a gente tem que crescer, infelizmente.

Sendo assim, bandeira branca. Sejam muito bem-vindos bebês!

5 comentários:

&#9733 Juliana disse...

O tempo passa, o tempo voa e a Viviane Pires continua numa boa!

Vi, de uma certa maneira todos temos síndrome de Peter Pan, e acho alguns casos ainda piores do que os seus... crianças que cuidam de crianças...

Até agora vc é uma Peter ajuizada... estou orgulhosa de vc!

Bjos!

alan disse...

Eu tenho essa mesma reação quando um amigo se casa... O último que me avisou que estava casado eu fiquei pasmo.... rs

Marcos Bonilha disse...

Pois é, acho que, no caso do homem, quando um amigo casa o choque é maior.
Tanto que quando visitei um amigo recentemente e vi o filho dele, fiquei menos chocado do que no dia que fui no casamento de outro amigo.
Freud explica?

Camilo disse...

Vivi, acho que a gente entra na vida adulta quando se casa. Ter filho é a oportunidade de voltar a ser criança em alguns momentos (quando estamos a brincar com o rebento, pá!). Ah, eu tb tenho síndrome de Peter Pan.

Vivi disse...

Juliana, crianças que cuidam de crianças! Conheço alguém assim. Mas ela até que é ajuizada.

Alan e Bonilha, tão bom saber que não estou só!

Camilo, prefiro saber sobre ter filhos em 2016.