segunda-feira, 7 de abril de 2008

STOP! Depois o PLAY.

Esses dias eu estava na casa de um amigo conversando amenidades.
Nada de crise imobiliária, eleições americanas, Dilma Roussef, Lula e sua eterna campanha, nada disso. Amenidades é o que move o mundo.

Tanto é que os programas que dão Ibope são os de amenindades. Vida das celebridades, mundo cão, debates sobre "meu marido me traiu com a empregada", e por aí vai.

Lá pelas tantas ele desenterrou uma fita cassete. E o pior não foi ele ter achado a fita, foi ter tocado a fita. Ele tinha um gravador. Aliás, aquela casa é um museu. Assim que ele for morar fora, vou pedir para tombarem o quarto dele como patrimônio da humanidade.

E foi a tal fita que desenterrou algumas lembranças.

Quando eu era adolescente, eu ouvia LP e fita cassete. Lembro que passava dias tentando gravar uma música da rádio.
Meu pai alertava. "Aperte o STOP, depois o PLAY. Nada de adiantar e apertar direto o PLAY. Isso vai quebrar o som". E quem disse que eu tinha esta paciência
? Os dedos eram compulsivos. Adianta, PLAY. Volta, PLAY. O STOP não existia.
Eu tinha as minhas fitas favoritas. Aquelas que eu só gravava os clássicos.
Nesta era Paleozóica, ouvíamos a música inteira. Era um saco ficar procurando música nas fitas. Chegava uma hora que eu me injuriava, e acabava ouvindo até as que eu não gostava tanto.

Hoje o cara tem 500 músicas dentro de um "I qualquer coisa", e passa pelas 500 com facilidade.
Agora me responda. Eles ouvem as músicas inteiras
? DU-VI-DO!
O cara ouve aproximadamente vinte e cinco segundos de cada uma, e passa para a próxima, com facilidade. Se fosse na fita cassete, meu caro, ele teria que ouvir a música inteira.

Os ouvidos ficavam aguçados esperando o momento certo de cortar a música para não pegar a propaganda do rádio.
Enquanto eu ouvia uma fita, voltava a outra com a minha caneta bic. Eu sentava para ouvir música ao lado do som, não havia controle remoto. Às vezes chegava a dormir ao lado do som no meio das fitas e LP´s.

Hoje tem tanta oferta de música, tantas bandas, tanta coisa ao mesmo tempo, que parar para ouvir uma música inteira talvez seja a sentença de estar desatualizado.
Honestamente não sei pra quê tanta afobação. Ao meu ver, música é para ser apreciada, ser ouvida. Ouvir música vai muito além de colocar um fone no ouvido no último volume e sair balançando a cabeça. É perceber os acordes, a vibração, a sonoridade, os pequenos detalhes da música e da letra.

O ritual acabou. Não se limpa mais os discos, não se ouve mais aquele chiadinho dos discos que às vezes tocava na rotação errada. Não se troca mais as agulhas das vitrolas, não se toma mais cuidado com os toca fitas.
Se ouve música em qualquer lugar, de qualquer jeito, a qualquer hora.
Tanta inovação, tanta tecnologia, e cada dia que passa, perdemos mais a nossa sensibilidade.

E lá estávamos nós, os velhos precoces. Lembrando dos tempos das fitas, vendo capas de discos - que eram verdadeiras obras de arte, rindo de nós mesmos, e tomando vinho.

5 comentários:

Alan disse...

Eu detestava aquelas malditas vinhetas... Era motivo de comemoração quando gravava um musica sem as mesmas... E quando aquela fita preferida, enrolava no cabeçote... rs... Sinceramente Vivi, eu sou mais feliz atualmente...kkkkkkkk

Fuser disse...

haha as vezes eu leio este bloggg e fico lembrando daquele poema do filtro solar, da parte que ele diz: "você vai fantasiar que quando
era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram
decentes" ... creio que temos sempre a tendência a achar que o nosso tempo é que foi bom!!!
enfimmm vivi sua velha hahaha =D

bjus

Marcos Bonilha disse...

Putz. Eu também gravava muitas fitas. Aliás, joguei tudo fora dia desses, pois mofaram.
Me divertia gravando e também ouvia tudo inteiro, mesmo que a música que eu quisesse curtir estivesse lá para o final da fita.
Realmente, o ódio mortal era quando as rádios soltavam as vinhetas, principalmente no meio da música, geralmente no solo. Era raro não ter.
Hoje está assim, ninguém ouve mais uma música inteira. E fica pulando de uma para outra, sem ouvir nenhuma praticamente.
É estranho, parece pré-história, mas isso foi praticamente ontem. A tecnologia é meio chata às vezes.

Letícia disse...

Eu gravei "Take my breath away" em uma fita inteira. Se hoje ouço a música, passo mal.
Ah, hoje também estou nostálgica, Vivi´s. Acho que foi transmissão de pensamento.
Bjos

Pablo disse...

Minha irmã tinha um toca-discos no quarto dela, junto com vários discos de vinil e minha diversão, junto com ela, era ouvir as músicas e, enquanto o disco girava na agulha, eu colocava um pequeno urso de pelúcia para vê-lo girar no toca-discos.

Lembro também do toca-fitas no carro do meu pai, era deveras sofisticado, ele desencaixava do carro e você o ligava num adaptador dentro de casa, uma espécie de caixa grande. Gravar músicas das rádios era muito divertido, a gente ligava 10000 vezes pra pedir a mesma música pra conseguir gravar certo e, ainda assim, pegava um trechinho do comercial.

Saudades...