terça-feira, 29 de abril de 2008

Busto, cintura e quadris: 96-45-83 cm.

O procurador-geral do Irã, Ghorbanali Dorri-Najafabadi, advertiu nesta segunda-feira contra as negativas conseqüências sobre a sociedade iraniana da boneca Barbie e de outros brinquedos ocidentais, e pediu medidas para proteger a cultura e os valores islâmicos.

A boneca Barbie usa roupas muito curtas, e totalmente fora do padrão islâmico.
Além do mais, aquela cabeleira loira passa bem distante da realidade dos iranianos. E se pensarmos bem, do nosso país também.

Mas quando se é criança não se pensa nisso. O legal é ter o que todo mundo tem. E todo mundo tem Brabie.

Na minha época, Barbie era uma praga. Todas as minhas amigas tinham uma. Com o tempo a boneca foi ficando cara, e papai arrumou uma outra alternativa - Família Coração. Mas eu lutei contra isso. Matei a Família Coração inteira em um acidental incêndio.

O esteriótipo da mulher rica, loira, nariz empinado, rostinho perfeito, olhos claros, cabelos cumpridos, cintura fina e pernas perfeitas era um sonho de consumo.
O grande problema não era ter a Barbie. O problema todo começava quando a Barbie virava consumista.
Ela não podia ficar junto com os outros brinquedos, precisava de uma casa para morar, um carro rosa conversível, roupas da moda, filhos, amigos, um marido, e assim o sonho loiro consumista não acabava nunca. Sempre lançavam alguma coisa nova, e eu sempre queria.


A Barbie tem a idade da minha mãe (49 anos - ela vai me matar), e ainda faz sucesso.
E o melhor, depois de tantos anos, ainda tem medidas impossíveis de um ser humano normal atingir.

E, se hoje eu tinjo o cabelo, a culpa deve ser da Barbie. Vou consultar um analista para entender melhor este processo.

Em 1992, a Mattel Toys lançou uma Barbie falante que dizia: "Aula de matemática é tão difícil!". E com isso surgiu a loira burra (brincadeira).

A Barbie dita moda, tendência, estilo de vida, e influencia a vida dos adolescentes, e até de muitos adultos (que fazem plásticas para se parecerem com a boneca).

Há diversas pesquisas associando a anorexia ao complexo de Barbie.
Para as jovens que sofrem de anorexia nervosa, ser magra é sinônimo de ser linda, bem-sucedida e competente. Para elas, a magreza inspira um sentimento de poder pelo qual elas buscam. E a Brabie representa todas essas ambições.

Como este padrão é inalcansável, muitas crianças mutilam, riscam, cortam o cabelo e desfiguram suas bonecas.

Vendo por este ângulo, talvez o procurador tenha razão. É importante que as crianças tenham contato com brinquedos mais adequados à sua realidade.

Mas mesmo com muitos argumentos, teses, pesquisas, estudos e o cacete, a Barbie continua sendo a boneca mais popular entre as crianças do mundo inteiro, inclusive no Irã.

2 comentários:

Marcos Bonilha disse...

Nem preciso dizer que matou a pau, né?
Excelente texto.
Confesso que, na época, tinha vontade de ter o carro rosa da Barbie. Como meu pai era pintor de autos, achava que podia pintar de outra cor.
Uma vez fui na casa de uma prima e ela tinha a tal Ferrari (não sei se era Ferrari) rosa. Como meu tio também era pintor, não tive dúvidas, fui na oficina dele, peguei o Thinner e taquei no carrinho pink para mudar a cor e pegar para mim (afinal, naquela época achava que meninas tinham que ter só bonecas e meninos carrinhos).
Claro que o carrinho derreteu, tomei uns tapas e meu pai teve que comprar um novo para minha prima que derretia em prantos.
Até hoje essa história é contada quando estou com essa parte da família.
Bons (ou maus) tempos.

Alan disse...

adorei o texto... rs

Alan