Como já foi notado por "muitos" que frequentam este espaço, ele não vem sendo atualizado.
Motivo. Morte cerebral do meu grande amigo e companheiro - Pedro Cláudio (PC).
Como diria um grande filósofo amigo meu: Não basta ser pobre, tem que se foder.
Até a presente data, sem a menor chance de eu comprar um computador. E ir à Lan House, como estou fazendo agora, está fora de cogitação. Só tem gente estranha, o clima é péssimo, o ar condicionado resseca meus olhos, e não se pode fumar.
Além disso, preciso do aconchego do meu lar para poder escrever. Não dá para pensar em algo bacana em uma hora, escrever, e postar.
E justamente por respeitar a meia dúzia de gente que ainda deve vir aqui, que não posso atualizar este blog de uma Lan House.
Resumindo. Não sei quando volto. Triste, não? Ao menos pra mim, é bastante. Afinal de contas, isso aqui era terapia.
Espero resolver as questões até semana que vem. Mas não posso garantir nada.
Aos que tiverem paciência, passem por aqui às vezes. Quem sabe não tem algum sinal de vida?
Nunca imaginei que a tecnologia faria tanta falta.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Sem contato
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Vivi
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Marcadores: Satisfação
sábado, 15 de março de 2008
TFS
Queridos,
Pedro Cláudio (PC - meu computador), está doente. Foi levado ao hospital na noite de quinta-feira. O médico ainda não deu nenhum parecer.
Sendo assim, ficarei alguns dias sem escrever por aqui.
Não me abandonem, eu voltarei!
TPS: Temporariamente fora de serviço.
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Vivi
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terça-feira, 11 de março de 2008
A verdade é uma mentira
“César tinha suas legiões e Napoleão tinha o seu exército. Eu tenho minhas divisões: TV, jornais e revistas. E, à meia-noite de hoje, estarei influenciando o maior número de pessoas que alguém jamais conseguiu, a não ser Deus. E o máximo que ele fez, foi o Sermão da Montanha” – Elliot Carver – Megaempresário das telecomunicações, 007 – O Amanhã nunca morre.
Ultimamente tenho tido medo da mídia, que em muitos momentos impõe a sua verdade. Donos da verdade. Mas que tipo de verdade estamos falando?
Aquela verdade que nem eu, nem você, escolhemos. Mas nos é jogada todos os dias como sendo absoluta. Verdade não existe. O que existe é um ponto de vista.
Mas o massacre diário destes pontos de vista, se tornam verdades.
O poder está nas mãos da mídia. Lula faz muita besteira. E, como sempre dizem, a culpa é do povo. Sempre o povo. Mas o povo escolhe seus dirigentes através das notícias que recebem da mídia. Pensando desta forma, não seria culpa da mídia?
São eles que dizem como devemos nos vestir, falar, agir e pensar. São eles quem ditam o que é cool. Até usar cool, ao invés de um simples legal.
E por mais que não estejamos sendo vigiados 24 horas como os “heróis” de Pedro Bial, eles lêem nossos pensamentos. E conseguem ler, porque muitas vezes são eles quem nos ajudam a pensa-los.
Veja, a partir do momento em que coloquei a palavra heróis entre aspas, de forma irônica, ridicularizei o termo utilizado pelo apresentador. A mídia é como eu, você, todos nós. O tempo todo expressa sua opinião.
Quem nunca se pegou expondo uma opinião da Revista Veja, por exemplo?
Às vezes somos Silvios Santos. “Eu não vi, mas li na Veja que o filme é ruim”.
Então estamos sujeitos a viver numa ilha ilusória? Creio que não. Existe algo bem interessante chamado bom senso. E é com ele que devemos ler algumas matérias. Saber distinguir o que é jornalismo, de simples opinião. Um exercício bem difícil, mas prazeroso. Pensar sozinho dá trabalho, mas nos ajuda a sermos mais cidadãos, mais participantes. Afinal de contas, ninguém nasceu para ser papagaio de pirata.
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Vivi
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18:37
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Marcadores: Opinião
Quatro mãos
Um dia desses recebi um e-mail de um leitor deste blog.
Leitor este que eu não conheço pessoalmente, como a grande maioria que acessa este blog.
A proposta era bem interessante. Fazermos uma história juntos. Ele começou um parágrafo, eu continuei, depois mandei para ele, e assim foi durante mais de uma semana.
Muitas coisas legais acontecem por meio deste blog. Uma delas é "conhecer" pessoas.
Queria agradecer aos que não comentam aqui, mas fazem questão de mandar um e-mail falando sobre os textos, contando suas histórias, criticando, ou apenas elogiando este emaranhado de letras.
É muito bom ter contato com pessoas que eu jamais conheceria no mundo real. Afinal, muitos nem moram na minha cidade, São Paulo.
Obrigada por visitarem, lerem e comentarem neste espaço.
O texto ficou sem nome. Pensei em diversos. Mas achei que seria interessante deixar que os leitores deste blog dessem nome à criança.
Eis o texto feito a duas mãos com Fernando Amaral - dono do Quodores e Os Bolonistas.
Li o teu bilhete, várias vezes. E a cada nova linha relida ainda havia o estranhamento. De algo que não percebi. Não entendi. Compreendi então a irreversibilidade. Que palavra difícil numa relação, coisas que não mais se movimentarão. Um fim. Um outro começo.
Começo de algo que eu simplesmente não saberia definir. Estava perdido.
Na sala de jantar, não consegui completar uma frase coerente. Meus pensamentos ainda estavam confusos. Estava difícil aceitar que você, a partir daquele momento, não fazia mais parte da minha vida.
A minha amiga, minha confidente, minha companheira, minha amante.
O fato inexorável é que em algum lugar, momento, olhar, algo ficou soterrado. O gosto do tomate era de tristeza. Enquanto a carne refogada, requentada, fria, tinha o gosto amargo da incompreensão.
Dali a instantes começaria a reler o bilhete e novamente incompreender as letras.
Não sei se foram as contas no vermelho, os papéis daquele imóvel que demorei a assinar, se foram as noites dormidas no sofá da sala vendo o mesmo programa repetido na televisão quase em som inaudível ou se foi só o desgaste do rádio relógio na mesmíssima hora todos os dias, com a mesma música insuportável, os reclames de sempre e o trânsito na cidade. O copo ainda estava sujo, o maldito batom roxo.
A cama tinha tomado proporções maiores. Os corpos estavam distantes. Sentia-me sozinho. Uma solidão que dilacerava o peito. A vontade de chorar não passava. Chorar seria um brinde à minha covardia em continuar algo que não tinha continuação.
Disquei os números inconscientemente. Números que jamais sairiam da minha memória. Do outro lado a voz que ouvi durante seis anos. A doce voz de Tereza. Não consegui falar, uma lágrima despretensiosa rolou pelo rosto. Ela repetiu algumas palavras, não disse o meu nome.
Não me fez os dengos que costumava fazer, pareceu irritada. O meu silêncio, o silêncio do quarto, o silêncio da vida, o sem sentido de tudo aquilo, tudo conspirava a me reafirmar o fim. Que eu insistia em não entender. O telefone já tagarelava o sinal do vazio, outro silêncio dilacerante. Uma bofetada. O copo que se equilibrava na mesa da sala, enfim, se espatifou no chão. O barulho contrastou com o silêncio. A maldita marca de batom desaparecera entre os cacos.
O que restou, os cacos de vidro. E feri minhas mãos ao tentar limpar. O bilhete, finalmente rasguei.
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Vivi
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segunda-feira, 10 de março de 2008
Frase
Ouvi hoje uma frase do Veríssimo.
"Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo".
E eu sou uma pessoa, que definitivamente, não tem medo do ridículo. Os que me conhecem sabem bem disso. Seguindo este raciocínio, eu sou realmente livre.
Adoro o ridículo. Minha avó, que está com oitenta anos, se diz no direito de fazer papel de ridícula porque está velha. Eu não vejo problema algum em fazer este papel aos 26 anos.
É bom gritar, rir, sorrir, passar vergonha, dar vexame, chorar, ter medo, fazer piadas sem graça, e tudo mais. Isso é sinal de que estamos vivos.
E é por frases como esta, que eu acredito que ele seja a pessoa ideal para passar boas horas no boteco.
Veríssimo está na minha lista "The best of boteco". É aquele tipo de pessoa que eu passaria horas sentada no boteco. Se bem que eu já passei horas no boteco com tanta gente desinteressante, mas foi pela cerveja que estava gelada.
Se eu estivesse morrendo, e perguntassem meu último desejo. Acho que seria algo como:
Uma reunião em algum boteco do Rio de Janeiro. Cerveja gelada, calor, fim de tarde, acompanhada por: Veríssimo, Mario Prata, Arnaldo Jabor, João Ubaldo Ribeiro e se valesse os do além, incluiria Nelson Rodrigues e Jorge Amado, ao som de Tom Jobim e Vinícius.
Hoje eu decretei que seria o meu dia do ridículo. Parece ridículo ter um último pedido desses. Mas antes ridícula e feliz, do que uma pessoa centrada e nem sempre feliz.
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Vivi
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Amanhã pararei de beber
Já estava na quadragésima cerveja. Chega uma hora que a bexiga pede um banheiro. E é neste exato momento em que você reza para ele estar vazio.
- Nossa, banheiro. Que felicidade te encontrar vazio.
E logo na sequência entrei em um daqueles biombos de banheiro público.
- Ai, que maravilha. Meu Deus, como é bom fazer xixi! Nossa xixi, você não vai acabar nunca?
E as cataratas do Niágara a todo vapor.
Iniciei um profundo monólogo com o meu xixi. Acreditando que estava sozinha no banheiro.
Ouço risinhos vindos do banheiro ao lado.
Inicio um diálogo sobre os benefícios do xixi na vida do ser humano.
A pessoa ri compulsivamente.
Lavava minhas mãos quando vi minha parceira de xixi.
- Quanta honra. Foi um prazer mijar com você, Totia Meireles.
- Imagina, o prazer foi todo meu. Mas eu sou a Xuxa Lopes.
Eu poderia ter ido embora, e deixado pra lá. Afinal, eu nunca acerto o nome de ninguém mesmo. Mas tentei consertar.
- Pense pelo lado positivo. Não te confundi com a Eva Wilma, que é bem mais velha que você.
Ela foi educada, e riu.
Agora me resta uma única pergunta. Por que eu não me calo?
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Vivi
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sexta-feira, 7 de março de 2008
O médico
Dia de ir ao ginecologista. Estava escrito em letras garrafais em sua agenda.
Rodolfo, seu marido, já estava começando a ficar desconfiado de tantas idas ao ginecologista. Preocupava-se com sua esposa. Ela provavelmente estava com algum tipo de problema muito sério. Pelo pouco que entendia, mulheres iam ao ginecologista duas vezes ao ano. A dele estava indo pela quarta vez, e ainda estávamos no mês de abril.
- Querido, vou ao Doutor Cláudio.
- Querida, está tudo bem?
- Acredito que sim, amor. Deixe-me ir. Já estou atrasada.
Foi um longo dia. Rodolfo não conseguia pensar em outra coisa. Câncer. Ela deve estar com câncer. Não quer me contar, mas deve ser isso.
Do outro lado da cidade, Cecília entrava em um prédio chique dos Jardins.
Ele era alto, tinha uma mecha de cabelos brancos, uma versão tupiniquim de Clark Gable.
Cecília estava muito bem vestida ao estilo secretária. Exatamente como ele havia pedido.
Sentou-se na maca.
Olhares, sem nenhuma palavra.
Beijos, arranhões, afagos, suspiros.
Duas horas depois. Fim.
Rodolfo não pensa duas vezes. Precisa falar com o médico de Cecília. Precisa saber o que há de errado com sua mulher.
A noite, sorrateiramente, rouba a agenda de sua esposa. Anota em um papel o telefone do médico.
No dia seguinte, ao chegar no escritório, antes mesmo de ler seus e-mails, ou fazer qualquer outra coisa, liga para o consultório.
- Consultório de urologia, bom dia.
Desliga o telefone intrigado. Ele não era ginecologista?As coisas não eram tão aterradoras quanto pensara. Cecília deveria estar apenas com algum problema nos rins. Talvez fosse pedra nos rins.
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Vivi
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Salto alto
Como se não bastasse ter que usá-lo, há mulheres que conseguem correr com ele.
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Vivi
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quinta-feira, 6 de março de 2008
Desmotivação completa
Acho que o título do post diz muito sobre o atual momento.
Não tenho a menor vontade de atualizar este bog, não tenho vontade de ler nada, escrever nada. Resumindo, não tenho vontade de fazer nada.
Estou farta de estudar, ler, me esforçar, e de não ter o mínimo reconhecimento por nada que eu faça.
Você já se achou inútil?
Pois é, é assim que me sinto.
Me sinto uma completa e total inútil que passo o dia todo lendo e escrevendo coisas inúteis.
Estou de saco cheio de todo dia acordar e não ter perspectiva alguma. Cansada de não ter para onde ir. De ver as pessoas chegarem cansadas do trabalho, e eu ainda estar de pijama. E sem a menor vontade de tirar.
Estou cansada de ouvir as pessoas dizerem o que eu posso, ou não fazer.
Porque ninguém, absolutamente ninguém, sabe como eu me sinto.
Não, eu não tenho QI. Não, não tenho experiência. Não, nunca fiz algo de relevante.
Estou cansada de falar "não sei". Queria, ao menos uma vez na vida, saber o que fazer.
Parece que minha vida só tem uma trilha sonora: Cotidiano - Chico Buarque.
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Vivi
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quarta-feira, 5 de março de 2008
Experiência Antropológica
Acabou. Passei uma semana no site de relacionamento.
Toda vez que o site me mandava um e-mail, eu checava. Li todos com carinho e afeto. Mas não deu. Hoje acabou a experiência.
Recebi 37 e-mails. Conversei com 12 pessoas. Não sai com ninguém.
E eu descobri porque. Nada, ao menos pra mim, substitui o cara-cara. E como você não conhece a pessoa, não tem aquele lance de olhar, pele, e tudo mais que uma paquera real proporciona, fica muito mais fácil descartar. Qualquer coisa é motivo para deletar e bloquear.
Chegou um certo momento em que, sem mais nada para reprovar, eu comecei a avaliar o signo da pessoa. "Virginiano, não serve". "Leonino, não vai dar certo!". "Hum aquariano, pode ser".
Podia ser o Antônio Bandeiras. Se escrevesse: gata, princeza, mulher dos meus sonhos, quizer, naum, estrovertido e dentre outras coisas, estava descartado. Quando em um encontro pessoalmente eu saberia que o cara escreve "quiser" com z ?
Posso estar errada, mas este negócio de site de relacionamento, ao menos pra mim, não funciona.
Para participar deste tipo de site, a pessoa tem que ter uma paciência de Jó. E muita, muita, muita, muita, vontade de desencalhar, o que não é o caso ainda.
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Vivi
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Marcadores: Antropologia
Old Stone
Foi em 1998. Abertura do show dos Rolling Stones. Estava no auge da minha adolescência, e aguardava um dos maiores shows da minha vida.
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Vivi
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terça-feira, 4 de março de 2008
A perfeita imperfeição
Ela dizia que era mulher de um homem só. Esta era a sua filosofia e nada mudaria seu modo de pensar.
Estava cansada de pseudo-relações. Cansada. Esta era uma palavra que demonstrava bem seu estado.
Promessas falsas, amores impossíveis, relações mal acabadas. Tudo complexo demais para o que ela almejava desde a infância. Uma relação. Uma casinha com papai, mamãe e filhinhos. A típica família do comercial de margarina.
Já tinha trinta e poucos anos. Digo trinta e poucos porque jamais sabemos a idade correta de uma mulher de trinta e poucos.
O médico a havia alertado sobre a gravidez. Uma gravidez de risco de uma mulher de trinta e poucos. Afinal, era a sua primeira gravidez.
Trinta e poucos anos e mãe solteira. O castelo havia sido desfeito no momento em que o exame havia dado positivo. Teria um filho cujo pai havia sumido assim que soube da notícia. Nada de cafés da manhã com a família reunida. Nada de comemorações de Natal com todos à mesa esperando o peru.
Tudo tinha esvaído-se junto com o resultado de uma gravidez não programada.
Decidiu que seria mãe. Nada de amores conturbados, nada de relacionamentos, seria mãe e ponto final.
O teatro estava vazio. Havia ido somente porque havia prometido a César que iria.
A peça não foi ruim, mas estava longe de ser uma peça boa.
Na saída do teatro foi parabenizar o amigo iniciante. Foi apresentada a todo o elenco. Já havia cumprido sua missão.
Silvia aguardava seu táxi. Era impossível não reparar nela. Cabelos longos e ruivos, vestido preto e cumprido. Olhos azuis turquesa. Dentre amadores, ela tinha sido a salvação de um texto mal escrito.
Aproximou-se e comentou sobre a peça.
O táxi chegou no momento em que ela a elogiava. Nada melhor para o ego de um ator que elogios. Ofereceu carona no táxi.
A chuva caía torrencialmente. Junto com ela, o trânsito de São Paulo parava. A conversa fluía. Os sorrisos também. As idéias eram parecidas, a vida às vezes é tão ingrata com a escolha do sexo. Se Silvia fosse homem, seria perfeita, ou não.
Era uma linda manhã de domingo. Como sempre, estavam discutindo sobre música, teatro, cinema, eram os assuntos favoritos.
Uma bela manhã de domingo em família. Tudo que ela sempre sonhara. Não exatamente a do comercial de margarina, mas muito feliz.
- Sílvio, passe a margarina para a mamãe?
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Vivi
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14:15
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Marcadores: Contos
Estado de Circo
Vai até dia 24 de março, o período de participação na segunda edição do Concurso do Miniconto, uma promoção que comemora o aniversário de 2 anos do Circo.
Ano passado eu participei, e ganhei um dvd que até hoje só vi uma vez. Meu parelho de dvd se recusa a fazer leitura de coisas boas (Beatles, por exemplo).
Mas não se acanhe. Este ano o prêmio é um livro. Um exemplar do livro Mofolândia – Volume 1, de Antonio Carlos Cabrera.
A regra é clara. Para participar, escreva um miniconto que tenha entre 140 e 150 caracteres (com espaços) e envie até dia 24 para o dono do circo- palhaço Rodrigo.
Lembrando, eu lerei todos, pois faço parte do excelentíssimo juri.
Maiores informações: Estado de Circo.
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Vivi
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Um dia no território "inimigo"
Não, não vou falar de futebol. Estou desiludida!
Passei um dia inteiro no território masculino. Cercada por 15 homens.
E quando eles são a maioria, fica fácil de conhecer o habitat masculino.
Homens adoram colocar apelidos vexatórios uns nos outros: Pombinha, Zé das couves, Zóio, Carcará e por aí vai.
Quando o apelidado em questão detesta o apelido, melhor ainda.
Adoram falar mal da patroa. Namorada, esposa, ficante, não importa.
E se a patroa ligar no meio de uma reunião masculina, ferrou. A pessoa que recebeu a ligação é motivo de piadas homéricas.
Dizem que fofoca é coisa de mulher. Mas acredito que isso não seja privilégio só do sexo feminino. Homens também são fofoqueiros. A diferença é que eles conseguem fazer com que a fofoca deixe de ser fofoca, e seja apenas um comentário. No fundo é fofoca, e eles sabem disso.
Fazem brincadeiras toscas como cuecão. Contam os podres uns dos outros. Falam de futebol, mulher, bebida e trabalho. Mais ou menos nesta ordem.
Fazem todo tipo de porqueira que uma pessoa possa imaginar. Até aquele cara extremamente Lord que você imagina que jamais faria, faz.
Porque quando eles estão em bando, se transformam. É assustador.
É de se entender quando o cara vira para você e diz que é uma reunião masculina. Não insista para ir, não é muito agradável.
Assim como as mulheres, eles precisam de um tempo com as pessoas do mesmo sexo.
É o momento em que eles podem ser eles mesmos. Falar a quantidade que eles quiserem de palavrões, falar mal da ex, da atual, xingar o chefe e toda aquela coisa máscula.
Um dia no clube do Bolinha me fez perceber que o clube da Luluzinha é bem light.
O que nós fazemos?
O mesmo que os homens, mas de forma muito mais educada. Sem cuecão, claro.
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Vivi
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O clã feminino
Pior do que aprensentar a pessoa amada aos pais, é aprensentá-la às amigas.
Você enrola, enrola, mas uma hora o inevitável acontece, ela será aprensentada.
Elas sentam no tribunal, ou melhor, na mesa de bar, e esperam o candidato.
Antes disto, é feita uma análise poderosa utilizando todas as ferramentas disponíveis no mercado. Orkut é uma delas.
Ultimamente tenho levado um bloquinho de notas para este tipo de avaliação. Porque, na verdade, o que menos queremos, é que uma pessoa muito querida sofra. Justamente por isso a análise é bem cautelosa.
Pensando sobre isso, descobri que todo mundo, mesmo que inconscientemente, faz isso - analisa os candidatos dos amigos.
Diferentemente dos pais, os amigos falam na lata. E por conhecerem seu histórico amoroso melhor que seus pais, se sentem na obrigação de alertá-lo.
De uns tempos pra cá tenho sido mais maleável com os candidatos. Porque a pessoa já fica numa situação bem constrangedora. Intimamente ela sabe que está sendo avaliada. E sob pressão, ninguém consegue sentir-se à vontade.
Querendo, ou não, ser aprovado pelos amigos é muito importante. Aqueles seres bêbados que te avaliam, são a família da pessoa que você ama. Sendo assim, é muito importante que eles gostem e te aceitem. Porque é com essas pessoas que ela convive. E, inevitavelmente, conviverão com você.
No final a avaliação é bem simples. A pessoa avaliada só precisa ter os pré-requisitos para fazer um amigo feliz. Pode até gostar de forró, ler Paulo Coelho, só tomar suco, ser vegetariano, ter zilhões de tatuagens e etc.
O mais importante de tudo, é percebermos que o candidato fica com os olhos brilhando toda vez que fala de um ente da nossa família.
Amigos, ao menos pra mim, são a minha segunda família. São poucos, e eu os escolhi com muito carinho. Às vezes bem italiana e passional, mas querida.
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Vivi
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segunda-feira, 3 de março de 2008
O primeiro
O primeiro clássico é como o primeiro sutiã, a gente nunca esquece.
Não deu. Tentei disfarçar para não ser espancada. Mas gritei gol. Mesmo que este gol tenha sido anulado, eu gritei. Todos me olharam. Pronto, hora de apanhar. Nada aconteceu. Devem ter pensado: "Mulher, não sabe nada de futebol. Confundiu o time".
Mas fiquei admirada com a torcida corintiana. Aquilo não é uma torcida, é uma religião. Mesmo depois do gol do "Pelé branco" (sic) - Valdívia - a torcida continou gritando. E eu queria tanto gritar com eles, chorar com eles, mas eu estava do lado verde. E me abraçaram, cantaram a porra do hino, beijaram a bandeira, a camisa. Mas isso eu não fiz, seria demais.
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Vivi
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