Quando eu era criança e tinha a dúvida entre ser astronauta ou caixa de supermercado, eu não imaginaria nunca que a vida me traria para um caminho tão chato e sonolento, ou eu mesma me direcionaria para um caminho chato e sonolento chamado "Meu trabalho".
Não consigo dizer com brilho nos olhos "Amo o que eu faço". Eu tento, mas soa falso. Eu não odeio o que eu faço, mas também não amo. Temos um casamento morno, e sem sexo. Isso, falta sexo no trabalho. Deixa eu explicar melhor. Aquela gozada quando se finaliza algo que gosta, manja? Não sinto mais isso. Já senti. Já tive até frio na barriga em algumas reuniões. Hoje é tão mecânico, tão sem sal, que só consigo repetir frases de efeito como "Verificaremos e lhe daremos retorno" "Os índices do trimestre passado já demonstravam esta tendência". Porra, até falo bonito. Mas não falo com o tesão de antes, com a vontade de crescer e etc. Dei uma brochada. Brochada trabalhística é pior que sexual. Dá mais trabalho achar um novo parceiro que te faça sentir tudo isso de novo. E com o tempo, ficamos mais exigentes. Não dá para trabalhar por qualquer salário mínimo. Já passei desta fase.
Trabalho perfeito "no ecxiste", já diria sabiamente o Padre Kevedo.
E o quê devemos fazer? Correr para as montanhas? Claro que não. Mudar. Ou se muda de trabalho, ou se encontra maneiras de gozar nesta negócio. É tipo salvar o casamento, compra-se acessórios, inventa novas posições, chama ajuda de especialista, dá uma olhadinha no mercado, até faz um por fora para garantir que o quê tem em mãos é de boa qualidade. E se depois desta sessão de terapia com o seu trabalho, nada mudar, aí é hora de guardar a viola no saco, e dar um rolê pela vida.
Mesmo se tivéssmos uma cápsula do tempo, e pudéssemos voltar ao tempo em que a pergunta era "O que quer ser quando crescer", eu pelo menos, ainda não saberia responder. Mesmo depois de ter vivido 32 anos. Ainda teria sérias dúvidas entre maquinista de trem e astronauta. Caixa de supermercado eu desisti. Não sou boa com matemática.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Crônica do Amor Perdido
No ano de 2014 eu fiz somente 2 pedidos; Amor e Saúde. Assim nesta sequência. Se vier só o amor, e por alguma ironia do destino, eu perder a saúde, fazer o quê? Mas se vierem os dois, tenha certeza que 2014 será um ano lendário.
Ah, eu quero o amor de Vinícius, Chico Buarque, Nelson Rodrigues, Cazuza "Com sabor de fruta mordida,Camões, quero até o amor Reginaldo Rossi com Wando, e se puder quero ser um peixe para em seu límpido aquário mergulhar. Uau, perdi a respiração só de escrever.
Então, senhor 2014, o quê será feito para que isso aconteça, não faço a menor ideia. Mas dê seus pulos. Não aceito menos. Aliás, caro transeunte deste blog, desde 1981 esperamos por isso, correto? O que queremos? Amor! Quando queremos? Agora! E não há negociação. Não aceito menos, não barganho, não troco amor por paixão, não troco amor por sexo (mesmo os de altíssima qualidade), não troco, pronto e acabou.
Ainda suspiro feito adolescente ao ler romances. Uma confissão duríssima para alguém que sempre demonstrou ser uma pedra. Sim, eu suspiro. E ontem suspirei ao ver Bibiana e o Capitão Rodrigo (O tempo e o vento). E ali mesmo, vendo a cena do encontro, decidi que 2014 é o ano do amor. Difícil fazer um plano que não depende da gente, né? Mas foda-se.
Ah, 2014, e não me venha com amor meia boca! Nada de eu amar sozinha, como sempre acontece. E aí passo um ano inteirinho investindo em algo sem a menor chance de dar certo. Cansei de doar amor à vagabundos que estão cagando pra mim. Cansei.
Amor é uma parada muito séria. E merece ser tratado com respeito.
Fazendo as contas por alto, amei muito, mas recebi pouco. Pouco, não. Nadinha de nada. Ou como dizem as crianças, necas de pitibiriba. Sabe o que é passar 32 anos sem ouvir um "Eu te amo"?
Wifi, um copo com água, e um "eu te amo" sincero, não se nega à ninguém. E não dá para encontrar com o barqueiro Caronte sem ter carimbado no passaporte da vida "Amou e foi amada". Mínimo. Está na cesta básica da vida. Deveria ser plano de Governo. Muitas tragédias se evitariam com amores sinceros.
Então é isso, quero completar o álbum de figurinhas "Amar é..."
Universo, quebra essa. Faz uma para ser lembrado.
A luta continua. Aliás, luta bem antiga. Na luta pelo primeiro namorado, sempre!
Ah, eu quero o amor de Vinícius, Chico Buarque, Nelson Rodrigues, Cazuza "Com sabor de fruta mordida,Camões, quero até o amor Reginaldo Rossi com Wando, e se puder quero ser um peixe para em seu límpido aquário mergulhar. Uau, perdi a respiração só de escrever.
Então, senhor 2014, o quê será feito para que isso aconteça, não faço a menor ideia. Mas dê seus pulos. Não aceito menos. Aliás, caro transeunte deste blog, desde 1981 esperamos por isso, correto? O que queremos? Amor! Quando queremos? Agora! E não há negociação. Não aceito menos, não barganho, não troco amor por paixão, não troco amor por sexo (mesmo os de altíssima qualidade), não troco, pronto e acabou.
Ainda suspiro feito adolescente ao ler romances. Uma confissão duríssima para alguém que sempre demonstrou ser uma pedra. Sim, eu suspiro. E ontem suspirei ao ver Bibiana e o Capitão Rodrigo (O tempo e o vento). E ali mesmo, vendo a cena do encontro, decidi que 2014 é o ano do amor. Difícil fazer um plano que não depende da gente, né? Mas foda-se.
Ah, 2014, e não me venha com amor meia boca! Nada de eu amar sozinha, como sempre acontece. E aí passo um ano inteirinho investindo em algo sem a menor chance de dar certo. Cansei de doar amor à vagabundos que estão cagando pra mim. Cansei.
Amor é uma parada muito séria. E merece ser tratado com respeito.
Fazendo as contas por alto, amei muito, mas recebi pouco. Pouco, não. Nadinha de nada. Ou como dizem as crianças, necas de pitibiriba. Sabe o que é passar 32 anos sem ouvir um "Eu te amo"?
Wifi, um copo com água, e um "eu te amo" sincero, não se nega à ninguém. E não dá para encontrar com o barqueiro Caronte sem ter carimbado no passaporte da vida "Amou e foi amada". Mínimo. Está na cesta básica da vida. Deveria ser plano de Governo. Muitas tragédias se evitariam com amores sinceros.
Então é isso, quero completar o álbum de figurinhas "Amar é..."
Universo, quebra essa. Faz uma para ser lembrado.
A luta continua. Aliás, luta bem antiga. Na luta pelo primeiro namorado, sempre!
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
SP e eu
Alguma coisa acontece em meu coração. Estou apaixonada por SP.
Tínhamos uma relação esquisita. Eu a xingava com frequência, aliás, todos os dias. Principalmente no trânsito. De uns dias pra cá a cidade vem sendo generosa comigo, e voltamos a nos apaixonar. Quer dizer, eu reatei nossa relação, porque ela nunca me abandonou.
Hoje fui ao Espaço Unibanco assistir São Silvestre. Uma boa maneira de começar o ano, visto que hoje eu estava sem condições de correr.
Logo de cara uma vaga em frente ao Espaço Unibanco. Bem ao lado do pipoqueiro, que me sorriu, me desejou "Feliz ano novo", e ainda de quebra, disse que tomaria conta do meu carro.
Na hora de comprar ingresso, nenhuma fila.
Ainda faltava uma hora para o filme. Sendo assim, penar na Augusta. Estava com a maioria dos lugares fechados, mas os botecos pé sujos, sempre eles, estavam abertos. E com o calor que fazia "Why not?" tomar uma gelada antes!
Logo de cara achei uma mesa. Sem trabalho algum. Sentei, pedi uma, e fiquei observando o zoológico que é a Augusta.Uma hora de observação em silêncio. Só eu e a minha cidade.
Entrei para assistir o filme. Seria a cereja do bolo se só tivesse eu no cinema. Mas SP é generosa, mas não é ONG. Sendo assim, tinha umas 13 pessoas. O suficiente. Aliás, cinema deveria ter no máximo 15 pessoas. E para assistir aquele filme, deveria ser uma sessão privada.
O filme não tem diálogos. É uma sequência linda de corrida, respiração, o sol, o calor, a cidade. E juntamente a isso, uma linda ópera ao fundo. Elevado, Dr Arnaldo, Viaduto do chá, Consolação, Teatro Municipal, Avenida Paulista, Brigadeiro, estava tudo ali, ao som de ópera com enquadramentos perfeitos.A cidade se movendo ao sim da música e da respiração do corredor. A visão de quem corre pela cidade num lindo amanhecer.
Depois vem o barulho, buzinas, fumaças, camelôs, trânsito, chuva, caos, SP.
Não sei se quem não corre conseguirá ver o que eu vi. Vi gente levantando antes do término do filme e indo embora. Abandonando SP. Não se abandona SP. Bem, eu não consigo.
Terminou o filme, e eu com os olhos marejados. Ah, estou muito banana em 2014 também. Qual a novidade nisso?
Sai do cinema e dirigi pra casa. Avenida Paulista ainda repleta de luzes natalinas. Sem trânsito. Uma cidade inteirinha só pra mim.
Criolo, pra mim ainda existe amor em SP.
Tínhamos uma relação esquisita. Eu a xingava com frequência, aliás, todos os dias. Principalmente no trânsito. De uns dias pra cá a cidade vem sendo generosa comigo, e voltamos a nos apaixonar. Quer dizer, eu reatei nossa relação, porque ela nunca me abandonou.
Hoje fui ao Espaço Unibanco assistir São Silvestre. Uma boa maneira de começar o ano, visto que hoje eu estava sem condições de correr.
Logo de cara uma vaga em frente ao Espaço Unibanco. Bem ao lado do pipoqueiro, que me sorriu, me desejou "Feliz ano novo", e ainda de quebra, disse que tomaria conta do meu carro.
Na hora de comprar ingresso, nenhuma fila.
Ainda faltava uma hora para o filme. Sendo assim, penar na Augusta. Estava com a maioria dos lugares fechados, mas os botecos pé sujos, sempre eles, estavam abertos. E com o calor que fazia "Why not?" tomar uma gelada antes!
Logo de cara achei uma mesa. Sem trabalho algum. Sentei, pedi uma, e fiquei observando o zoológico que é a Augusta.Uma hora de observação em silêncio. Só eu e a minha cidade.
Entrei para assistir o filme. Seria a cereja do bolo se só tivesse eu no cinema. Mas SP é generosa, mas não é ONG. Sendo assim, tinha umas 13 pessoas. O suficiente. Aliás, cinema deveria ter no máximo 15 pessoas. E para assistir aquele filme, deveria ser uma sessão privada.
O filme não tem diálogos. É uma sequência linda de corrida, respiração, o sol, o calor, a cidade. E juntamente a isso, uma linda ópera ao fundo. Elevado, Dr Arnaldo, Viaduto do chá, Consolação, Teatro Municipal, Avenida Paulista, Brigadeiro, estava tudo ali, ao som de ópera com enquadramentos perfeitos.A cidade se movendo ao sim da música e da respiração do corredor. A visão de quem corre pela cidade num lindo amanhecer.
Depois vem o barulho, buzinas, fumaças, camelôs, trânsito, chuva, caos, SP.
Não sei se quem não corre conseguirá ver o que eu vi. Vi gente levantando antes do término do filme e indo embora. Abandonando SP. Não se abandona SP. Bem, eu não consigo.
Terminou o filme, e eu com os olhos marejados. Ah, estou muito banana em 2014 também. Qual a novidade nisso?
Sai do cinema e dirigi pra casa. Avenida Paulista ainda repleta de luzes natalinas. Sem trânsito. Uma cidade inteirinha só pra mim.
Criolo, pra mim ainda existe amor em SP.
A lendária tia Nalva
Tia é um ser humano que vai te criticar em tudo que você faz, e mesmo assim, você vai gostar desta pessoa. Seja por solidariedade, por obrigação, ou por amor ao próximo. Não dá para explicar, mas este ser habitará muito tempo a sua jornada. Ah, e sempre tem a favorita. A minha é a tia Nalva. Ela é legal? Não. Ela dá conselhos bons? Não. Ela é rica? Não. Caralho, então por quê gosto da tia Nalva?
Tia Nalva é um ser mítico nascido na cidade de Cícero Dantas - BA (jogue no google) é do tamanho de um campo de futebol. Durante anos de sua vida foi solteirona. Odeio o termo "solteirona", mas era assim que se referiam à tia Nalva. E por ser solteirona durante mais de 70% da vida, não tem filhos. Casou nos 45 do segundo tempo, já com o time desacreditado de virar este jogo. Taí, é por isso que gosto da tia Nalva. Pra mim ela é o símbolo da esperança. A pompinha da paz das solteiras desoladas. Mas a cereja do bolo é que tia Nalva é evangélica. Então, se não casei ainda, a culpa é de satanás. Este ser tinhoso que jogou a sina da solteirice sobre minha família. Sim, porque tenho milhões de primas solteiras. E todas tem como ídolo, a tia Nalva. Há até uma expressão familiar "Se a tia Nalva conseguiu, ainda há esperanças!".
Quando eu era criança, recebia um salário para ir dormir na casa dela. Ela tinha medo de dormir sozinha, mal este que não sofro, gracas à Deus (Oh, glória). Ela dizia que por ter a saúde frágil era importante ter alguém dormindo com ela. E este alguém fui eu. E se solteirice pega, fui contaminada logo nos primórdios de minha vida, com este contato direto com tia Nalva.
Um dia desses em que estava "vigiando" o sono dela, ela teve um pico de pressão alta. Disse que tentou me chamar, como eu estava praticamente falecida, chamou o SAMU. Enfim, o SAMU fez o resgate, enfiou na ambulância e a porra toda. E eu? Este ser que ganhava um salário milionário, para uma criança, em quê ajudei? Em nada, claro. Descobri que ela não estava em casa pela manhã. Ou seja, o dinheiro mais mal gasto de todos os tempos.
E mesmo eu sendo esta funcionária que deveria ser desligada da função e tia Nalva sendo uma pessoa de Jesus, foi ela que me deu meu primeiro LP (Mulheres de Areia Internacional). Tia Nalva me deu minha primeira bicicleta (Ceci - vermelha, e com cestinha). Tia Nalva dizia que era minha mãe, mesmo a gente não tendo nada a ver. Me fazia chamá-la de mãe, mesmo sabendo que era pecado mentir. Me deu meu primeiro sutiã, um gigante que só comecei a usar recentemente, pois era bege e com reforço.
Passei boa parte da minha infância com ela. Minhas férias eram na casa dela. E perguntavam "Você gosta de ficar na casa da sua tia? Ela não tem criança!". Eu? Eu adorava! A tia Nalva nunca precisou de criança, ela era uma.
Me deixava gravar músicas "mundanas" no rádio dela. Me dava livros legais, deixava eu pintar as cartolinas que ela usava para evangelizar crianças, me ensinou que satanás é foda, deixava eu usar o telefone da casa dela para falar com as minhas amigas, o que na época era praticamente o preço de um rim a cada ligação. Tia Nalva era e é o máximo. Personagem marcante de uma infância super feliz.
Hoje ela me inferniza em almoços familiares com as fatídicas frases: "Vou morrer sem ver uma sobrinha casar!" "Vivi, e este ano, tem namorado?" "Mas não está saindo com ninguém?".
Perguntas essas que sempre respondi com muita classe e educação. Até este ano.
"Tia Nalva, eu não sou casada, não namoro,não estou saindo com alguém fixo, mas trepo!".
Fui repreendida em nome de Jesus.
Tia Nalva é um ser mítico nascido na cidade de Cícero Dantas - BA (jogue no google) é do tamanho de um campo de futebol. Durante anos de sua vida foi solteirona. Odeio o termo "solteirona", mas era assim que se referiam à tia Nalva. E por ser solteirona durante mais de 70% da vida, não tem filhos. Casou nos 45 do segundo tempo, já com o time desacreditado de virar este jogo. Taí, é por isso que gosto da tia Nalva. Pra mim ela é o símbolo da esperança. A pompinha da paz das solteiras desoladas. Mas a cereja do bolo é que tia Nalva é evangélica. Então, se não casei ainda, a culpa é de satanás. Este ser tinhoso que jogou a sina da solteirice sobre minha família. Sim, porque tenho milhões de primas solteiras. E todas tem como ídolo, a tia Nalva. Há até uma expressão familiar "Se a tia Nalva conseguiu, ainda há esperanças!".
Quando eu era criança, recebia um salário para ir dormir na casa dela. Ela tinha medo de dormir sozinha, mal este que não sofro, gracas à Deus (Oh, glória). Ela dizia que por ter a saúde frágil era importante ter alguém dormindo com ela. E este alguém fui eu. E se solteirice pega, fui contaminada logo nos primórdios de minha vida, com este contato direto com tia Nalva.
Um dia desses em que estava "vigiando" o sono dela, ela teve um pico de pressão alta. Disse que tentou me chamar, como eu estava praticamente falecida, chamou o SAMU. Enfim, o SAMU fez o resgate, enfiou na ambulância e a porra toda. E eu? Este ser que ganhava um salário milionário, para uma criança, em quê ajudei? Em nada, claro. Descobri que ela não estava em casa pela manhã. Ou seja, o dinheiro mais mal gasto de todos os tempos.
E mesmo eu sendo esta funcionária que deveria ser desligada da função e tia Nalva sendo uma pessoa de Jesus, foi ela que me deu meu primeiro LP (Mulheres de Areia Internacional). Tia Nalva me deu minha primeira bicicleta (Ceci - vermelha, e com cestinha). Tia Nalva dizia que era minha mãe, mesmo a gente não tendo nada a ver. Me fazia chamá-la de mãe, mesmo sabendo que era pecado mentir. Me deu meu primeiro sutiã, um gigante que só comecei a usar recentemente, pois era bege e com reforço.
Passei boa parte da minha infância com ela. Minhas férias eram na casa dela. E perguntavam "Você gosta de ficar na casa da sua tia? Ela não tem criança!". Eu? Eu adorava! A tia Nalva nunca precisou de criança, ela era uma.
Me deixava gravar músicas "mundanas" no rádio dela. Me dava livros legais, deixava eu pintar as cartolinas que ela usava para evangelizar crianças, me ensinou que satanás é foda, deixava eu usar o telefone da casa dela para falar com as minhas amigas, o que na época era praticamente o preço de um rim a cada ligação. Tia Nalva era e é o máximo. Personagem marcante de uma infância super feliz.
Hoje ela me inferniza em almoços familiares com as fatídicas frases: "Vou morrer sem ver uma sobrinha casar!" "Vivi, e este ano, tem namorado?" "Mas não está saindo com ninguém?".
Perguntas essas que sempre respondi com muita classe e educação. Até este ano.
"Tia Nalva, eu não sou casada, não namoro,não estou saindo com alguém fixo, mas trepo!".
Fui repreendida em nome de Jesus.
Dizem por aí...
Dizem por aí que quando demoramos demais para conseguirmos algo, é porque será muito especial...
Dizem por aí que mais cedo ou mais tarde aquele sonho torna-se realidade. Basta acreditarmos...
Dizem por aí que a vida é feita de momentos, e que devemos viver o presente. Afinal, como o nome mesmo diz, é um presente.
Dizem por aí que a felicidade está nas pequenas coisas, nos pequenos gestos...
Dizem por aí que manga com leite faz mal. Mas quem foi a pessoa que pensou nesta combinação tão "boa"?
Dizem por aí que quem espera sempre alcança. Mas também dizem de forma cínica "pode esperar sentada". Mas se estou esperando, não deveria alcançar?
Dizem por aí que não há melhor negócio que a vida. A gente a obtém a troco de nada.
Dizem por aí que um homem feliz é como um barco que navega com vento favorável.
Dizem tantas coisas por aí, por aqui, acolá. O ser humano pode dizer o que quiser, né? Como diria minha vó, tem boca.
Eu poderia dizer um monte de coisas e não dizer nada. Afinal, sou eu.
Mas o que eu quero dizer mesmo é um "Feliz 2014" aos homens de boa vontade. Aos de má vontade também. Ah, e para as mulheres, crianças, cachorros, papagaios, flores, árvores, pra você que está lendo, pra todo mundo, vai.
Feliz 2014.
Dizem por aí que mais cedo ou mais tarde aquele sonho torna-se realidade. Basta acreditarmos...
Dizem por aí que a vida é feita de momentos, e que devemos viver o presente. Afinal, como o nome mesmo diz, é um presente.
Dizem por aí que a felicidade está nas pequenas coisas, nos pequenos gestos...
Dizem por aí que manga com leite faz mal. Mas quem foi a pessoa que pensou nesta combinação tão "boa"?
Dizem por aí que quem espera sempre alcança. Mas também dizem de forma cínica "pode esperar sentada". Mas se estou esperando, não deveria alcançar?
Dizem por aí que não há melhor negócio que a vida. A gente a obtém a troco de nada.
Dizem por aí que um homem feliz é como um barco que navega com vento favorável.
Dizem tantas coisas por aí, por aqui, acolá. O ser humano pode dizer o que quiser, né? Como diria minha vó, tem boca.
Eu poderia dizer um monte de coisas e não dizer nada. Afinal, sou eu.
Mas o que eu quero dizer mesmo é um "Feliz 2014" aos homens de boa vontade. Aos de má vontade também. Ah, e para as mulheres, crianças, cachorros, papagaios, flores, árvores, pra você que está lendo, pra todo mundo, vai.
Feliz 2014.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
São Silvestre 2013
Acordei cedo. Na verdade nem dormi muito. Sei-lá, sabe aquela sensação de criança esperando o Papai Noel? Acho que era mais ou menos isso.
A roupinha estava pronta, o tênis escolhido, trilha sonora escolhida a dedo com sugestões de amigos, tudo pronto para cumprir a promessa de começo de ano. Aquelas que fazemos a nós mesmos no dia 31 de dezembro. Nem eu levei a sério no começo. Eu? Correr? Mas estava acontecendo. E hoje era o dia. O dia de cumprir a promessa.
Ao andar pela Avenida Paulista repleta de gente que assim como eu tinha sua história com aquela corrida, histórias de superação, enfim, histórias, me emocionei. Aliás, descobri em 2013 que sou uma chorona de marca maior.
Continuei ali andando, olhando as pessoas, estava sozinha, e ao mesmo tempo tão bem acompanhada. Uma energia indescritível.
E quando vai se aproximando da hora da largada, vai dando um frio na barriga, a dúvida de se dá para finalizar de boa, enfim, um misto de coisas. Liguei minha trilha sonora que começava com Space Odity - David Bowie, e aquele mar de gente foi se locomovendo, gritando, sorrindo, desejando "Feliz Ano Novo". Um mar de gente a perder de vista. Não sabia se sorria, se chorava, se corria. Na dúvida fiz os três.
O corpo começou a esquentar, e a sensação de "Caralho, que máximo!" só ia aumentando a cada passada.
O cenário é simplesmente sensacional. Sei-lá, me faltam adjetivos para falar o que se vê correndo a São Silvestre.
Criancinhas de mãos estendidas esperando você bater, senhoras que lavavam o quintal e aproveitavam para molhar os corredores, garrafinhas de água de onde não se imagina, senhores superando seus limites e correndo num calor senegalês. Gritos de incentivo. Um misto de sensações que só quem já passou sabe do que estou falando.
Corri ao lado de uma menina que conheci na largada. E um esporte que deveria ser individual, se mostrou solidário. Corremos no mesmo ritmo, fui incentivada, incentivei, e na subida quando achávamos que era o momento de andar, alguém surgiu gritando "Só 2km. Vamos!!!!". Não pensei duas vezes, continuei a correr e a gritar "Bora, meu povo!". E um incentivou o outro, e quando olhei para os lados, tinha uma galera sorrindo e falando palavras de incentivo. A corrida é generosa.
E no final da Brigadeiro, ahhhhh, nem sei o que domina a gente. Uma vontade enorme de gritar, chorar, sorrir, "Porra, terminei!!!!", e aí é correr pro abraço, correr com sorriso largo, braços abertos e agradecer à Deus pela oportunidade de sentir tudo isso de uma vez só.
A trilha sonora tocava Bitter Sweet Symphony assim que entrei na Paulista. Arrepiada. Chorei de novo. As pessoas aplaudiam, e por um dia, me senti atleta. A melhor sensação do mundo.
A São Silvestre é uma corrida linda. Não se vai para a São Silvestre fazer o melhor tempo da vida. Se vai à São Silvestre para comemorar a vida.
Terminei meu ano comemorando a vida. Muito obrigada, vida.
A roupinha estava pronta, o tênis escolhido, trilha sonora escolhida a dedo com sugestões de amigos, tudo pronto para cumprir a promessa de começo de ano. Aquelas que fazemos a nós mesmos no dia 31 de dezembro. Nem eu levei a sério no começo. Eu? Correr? Mas estava acontecendo. E hoje era o dia. O dia de cumprir a promessa.
Ao andar pela Avenida Paulista repleta de gente que assim como eu tinha sua história com aquela corrida, histórias de superação, enfim, histórias, me emocionei. Aliás, descobri em 2013 que sou uma chorona de marca maior.
Continuei ali andando, olhando as pessoas, estava sozinha, e ao mesmo tempo tão bem acompanhada. Uma energia indescritível.
E quando vai se aproximando da hora da largada, vai dando um frio na barriga, a dúvida de se dá para finalizar de boa, enfim, um misto de coisas. Liguei minha trilha sonora que começava com Space Odity - David Bowie, e aquele mar de gente foi se locomovendo, gritando, sorrindo, desejando "Feliz Ano Novo". Um mar de gente a perder de vista. Não sabia se sorria, se chorava, se corria. Na dúvida fiz os três.
O corpo começou a esquentar, e a sensação de "Caralho, que máximo!" só ia aumentando a cada passada.
O cenário é simplesmente sensacional. Sei-lá, me faltam adjetivos para falar o que se vê correndo a São Silvestre.
Criancinhas de mãos estendidas esperando você bater, senhoras que lavavam o quintal e aproveitavam para molhar os corredores, garrafinhas de água de onde não se imagina, senhores superando seus limites e correndo num calor senegalês. Gritos de incentivo. Um misto de sensações que só quem já passou sabe do que estou falando.
Corri ao lado de uma menina que conheci na largada. E um esporte que deveria ser individual, se mostrou solidário. Corremos no mesmo ritmo, fui incentivada, incentivei, e na subida quando achávamos que era o momento de andar, alguém surgiu gritando "Só 2km. Vamos!!!!". Não pensei duas vezes, continuei a correr e a gritar "Bora, meu povo!". E um incentivou o outro, e quando olhei para os lados, tinha uma galera sorrindo e falando palavras de incentivo. A corrida é generosa.
E no final da Brigadeiro, ahhhhh, nem sei o que domina a gente. Uma vontade enorme de gritar, chorar, sorrir, "Porra, terminei!!!!", e aí é correr pro abraço, correr com sorriso largo, braços abertos e agradecer à Deus pela oportunidade de sentir tudo isso de uma vez só.
A trilha sonora tocava Bitter Sweet Symphony assim que entrei na Paulista. Arrepiada. Chorei de novo. As pessoas aplaudiam, e por um dia, me senti atleta. A melhor sensação do mundo.
A São Silvestre é uma corrida linda. Não se vai para a São Silvestre fazer o melhor tempo da vida. Se vai à São Silvestre para comemorar a vida.
Terminei meu ano comemorando a vida. Muito obrigada, vida.
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