Os detalhes da mão.
O jeito de olhar.
O sorriso maroto.
O seu caminhar.
Até o seu "não",
me faz sonhar.
E como criança,
tento rimar.
Porque amar, é voltar no tempo.
Amar é não ter medo de se expôr.
Amar é tentar rimar só para te agradar.
domingo, 22 de junho de 2008
Ignorância
A sensação é bem simples. O mundo está tão rápido, que eu não consigo mais acompanhá-lo.
As notícias são tão instântaneas, que eu simplesmente já não sei mais o que acontece no mundo.
Lembro que eu ria quando a minha mãe não conseguia mexer em alguns aparelhos tecnológicos. Hoje a minha irmão mais nova ri de mim. Estou ultrapassada. E o pior, aos 27 anos.
Antes se levava muito mais tempo para ficar ultrapassado. Hoje, de um minuto para o outro, você passa de uma pessoa informada e antenada com o mundo, para um hermitão que passou séculos recluso.
Ontem as pessoas comentavam sobre Alice Braga. Pelo sobrenome chutei que era alguma coisa da Sônia Braga. Acertei! Mas até aí, saber a história da moça, era demais.
A conversa rolou sem que eu desse um pitaco sequer, coisa rara. Quando fui questionada, não tive o menor pudor e disse que jamais ouvira falar da tal moça.
As expressões faciais demonstravam pensamentos - ignorante.
Não deu outra. Cheguei em casa e fui pesquisar no novo pai dos burros (google) quem é Alice Braga. Foi neste exato momento que me dei conta do quanto eu estou desatualizada. Faz milênios que não vou ao cinema, milênios que não vou ao teatro, e séculos que não leio um jornal sequer. Alienada. Eu estava alienada.
No ímpeto de saber o que aconteceu no mundo enquanto eu estava fora, decidi ler o jornal, ver televisão, acessar a internet e me recolocar no mundo.
O mundo continua chato. Por mais que eu não tenha lido nada sobre ele nos últimos meses, não mudou muita coisa. O que muda são os nomes, as carinhas mais famosas, as roupas da moda, mas a essência do ser humano continua a mesma.
Talvez tenha sido um bom negócio esquecer um pouco do mundo e criar um só meu.
Alice, me desculpe. Não sabia que você estava em ascensão.
Fashion Week, desculpe não ter acompanhado suas modelos magricelas desfilando pela passarela coisas que eu jamais comprarei ou usarei.
Mundo, desculpe a minha ignorância.
Mãe, você estava certa. Não dá mais para acompanhar.
As notícias são tão instântaneas, que eu simplesmente já não sei mais o que acontece no mundo.
Lembro que eu ria quando a minha mãe não conseguia mexer em alguns aparelhos tecnológicos. Hoje a minha irmão mais nova ri de mim. Estou ultrapassada. E o pior, aos 27 anos.
Antes se levava muito mais tempo para ficar ultrapassado. Hoje, de um minuto para o outro, você passa de uma pessoa informada e antenada com o mundo, para um hermitão que passou séculos recluso.
Ontem as pessoas comentavam sobre Alice Braga. Pelo sobrenome chutei que era alguma coisa da Sônia Braga. Acertei! Mas até aí, saber a história da moça, era demais.
A conversa rolou sem que eu desse um pitaco sequer, coisa rara. Quando fui questionada, não tive o menor pudor e disse que jamais ouvira falar da tal moça.
As expressões faciais demonstravam pensamentos - ignorante.
Não deu outra. Cheguei em casa e fui pesquisar no novo pai dos burros (google) quem é Alice Braga. Foi neste exato momento que me dei conta do quanto eu estou desatualizada. Faz milênios que não vou ao cinema, milênios que não vou ao teatro, e séculos que não leio um jornal sequer. Alienada. Eu estava alienada.
No ímpeto de saber o que aconteceu no mundo enquanto eu estava fora, decidi ler o jornal, ver televisão, acessar a internet e me recolocar no mundo.
O mundo continua chato. Por mais que eu não tenha lido nada sobre ele nos últimos meses, não mudou muita coisa. O que muda são os nomes, as carinhas mais famosas, as roupas da moda, mas a essência do ser humano continua a mesma.
Talvez tenha sido um bom negócio esquecer um pouco do mundo e criar um só meu.
Alice, me desculpe. Não sabia que você estava em ascensão.
Fashion Week, desculpe não ter acompanhado suas modelos magricelas desfilando pela passarela coisas que eu jamais comprarei ou usarei.
Mundo, desculpe a minha ignorância.
Mãe, você estava certa. Não dá mais para acompanhar.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Eu quero é mais...
Um dia você começa a trabalhar numa empresa grande, milhares de funcionários. E apesar de te encherem o saco, você é apenas mais um entre os milhares.
E é neste momento que eu penso. Se eu sou só mais uma, qual a razão das pessoas quererem tanto puxarem o meu tapete?
Eu tinha uma visão muito rosa bebê do mundo. Acho que os anos na Ilha da Fantasia (meu antigo emprego) me fizeram mal. Descobri que não sei me defender.
Eu sempre achei que pessoas más eram apenas personagens de filmes. Doce engano.
Existe gente que quer te ver pelas costas, que faz de tudo para te ferrar, e o pior, finge que te adora. Sorri para você todos os dias, lhe deseja um ótimo dia, e na sua frente, com um sorriso bem amarelo, te fode. Isso quando não te apunhalam pelas costas.
E depois dessas experiências, comecei a odiar pessoas que vivem sorrindo para todos. Sabe algo meio comissária de bordo? O avião vai cair, todo mundo vai morrer, e a mulher continua esboçando o melhor sorriso.
Eu apelidei este "delicioso" personagem de "Comissária Naja".
E eu tenho uma Comissária Naja bem ao meu lado.
A filha da puta me chama de Vivi, quero morrer com isso. E todo dia ela me deseja um excelente dia.
Semana passada eu atrasei alguns relatórios. Estava meio perdida e acabei esquecendo de mandar o relatório para a comissária. Ela sorriu e me cobrou:
- Vivi, faltou o seu relatório para eu fechar o consolidado.
- Putz, me esqueci. Já te mando.
E assim fiz. Em cinco minutos mandei para o e-mail dela.
Três minutos depois chega um e-mail com cópia para todos os meus "parceiros" de trabalho, inclusive meu chefe.
"Queridos, segue o consolidado. Desculpem a demora, é que tive que cobrar a Vivi".
A filha da puta manda um e-mail desse, e ainda tem a coragem de me chamar de Vivi.
Internamente soltei duzentos palavrões. Olhei para o lado e sorri para a comissária. E o sorriso dizia: Morra de sífilis ou lepra, você pode escolher.
Meu chefe não perde a oportunidade, e delicadamente responde o e-mail.
"Porra, vocês não fazem nada se eu não cobrar?"
Nem respondi o e-mail.
Sabe, estou contaminada. Tento ser uma pessoa melhor e não sentir ódio mortal das pessoas, mas tem horas que é difícil.
Comprei o iogurte que ela gosta. Ardilosamente inseri laxante. Por duas vezes pensei em dar para ela a dose cavalar de remédio. Mas não dei. Enxerguei a luz. Não posso agir com as pessoas da mesma forma que elas agem comigo. Se todo mundo resolve ser vingativo, não sobra um naquela empresa.
Quando eu estiver lá no céu, e lá de cima eu vê-la no inferno, internamente vou sentir uma satisfação absurda. Mas não moverei uma palha para me vingar.
E é neste momento que eu penso. Se eu sou só mais uma, qual a razão das pessoas quererem tanto puxarem o meu tapete?
Eu tinha uma visão muito rosa bebê do mundo. Acho que os anos na Ilha da Fantasia (meu antigo emprego) me fizeram mal. Descobri que não sei me defender.
Eu sempre achei que pessoas más eram apenas personagens de filmes. Doce engano.
Existe gente que quer te ver pelas costas, que faz de tudo para te ferrar, e o pior, finge que te adora. Sorri para você todos os dias, lhe deseja um ótimo dia, e na sua frente, com um sorriso bem amarelo, te fode. Isso quando não te apunhalam pelas costas.
E depois dessas experiências, comecei a odiar pessoas que vivem sorrindo para todos. Sabe algo meio comissária de bordo? O avião vai cair, todo mundo vai morrer, e a mulher continua esboçando o melhor sorriso.
Eu apelidei este "delicioso" personagem de "Comissária Naja".
E eu tenho uma Comissária Naja bem ao meu lado.
A filha da puta me chama de Vivi, quero morrer com isso. E todo dia ela me deseja um excelente dia.
Semana passada eu atrasei alguns relatórios. Estava meio perdida e acabei esquecendo de mandar o relatório para a comissária. Ela sorriu e me cobrou:
- Vivi, faltou o seu relatório para eu fechar o consolidado.
- Putz, me esqueci. Já te mando.
E assim fiz. Em cinco minutos mandei para o e-mail dela.
Três minutos depois chega um e-mail com cópia para todos os meus "parceiros" de trabalho, inclusive meu chefe.
"Queridos, segue o consolidado. Desculpem a demora, é que tive que cobrar a Vivi".
A filha da puta manda um e-mail desse, e ainda tem a coragem de me chamar de Vivi.
Internamente soltei duzentos palavrões. Olhei para o lado e sorri para a comissária. E o sorriso dizia: Morra de sífilis ou lepra, você pode escolher.
Meu chefe não perde a oportunidade, e delicadamente responde o e-mail.
"Porra, vocês não fazem nada se eu não cobrar?"
Nem respondi o e-mail.
Sabe, estou contaminada. Tento ser uma pessoa melhor e não sentir ódio mortal das pessoas, mas tem horas que é difícil.
Comprei o iogurte que ela gosta. Ardilosamente inseri laxante. Por duas vezes pensei em dar para ela a dose cavalar de remédio. Mas não dei. Enxerguei a luz. Não posso agir com as pessoas da mesma forma que elas agem comigo. Se todo mundo resolve ser vingativo, não sobra um naquela empresa.
Quando eu estiver lá no céu, e lá de cima eu vê-la no inferno, internamente vou sentir uma satisfação absurda. Mas não moverei uma palha para me vingar.
domingo, 15 de junho de 2008
Velhice
Segundo a minha mãe, parece que foi ontem que meu pai saiu parecendo um doido gritando pelo hospital: - É menina!! O nome dela é Viviane.
E este tal ontem já faz mais de vinte anos.
Como diria um comercial da minha época; o tempo passa, o tempo voa, e o Bamerindus nem existe mais. As pessoas nem limpam mais seus delicados bumbuns com o, nem tão delicado, papel primavera. Há uma tese de que este papel causa hemorróida.
Talvez algumas pessoas ainda chamem a DDDrim para matar insetos, e riam ao se lembrar do jingle do comercial - a pulguinha dançando iê-iê-iê. Aliás, ninguém mais dança iê-iê-iê.
As polainas ficaram para trás. As boinas voltaram, as saias balonês também. Ainda bem que, tirando uniforme de time de futebol, ninguém mais usa roupas fluorescentes.
E o tal ontem ficou bem lá para trás. Muita coisa aconteceu. E todos os acontecimentos ajudaram a formar a pessoa que sou hoje, uma velha. E isso não tem jeito. Cada ano que passa, eu fico mais próximo da minha aposentadoria, da coleção de remédios, das manias. Bem, manias eu já tenho mesmo.
Eu já sou uma anciã. Reclamo de tudo, como estou fazendo agora, gosto de tirar um cochilo após o almoço de domingo, comecei a me interessar por artesanato e serviços manuais, vou me matricular na hidroginástica para as aulas das 7:30 da manhã, saio e fico bocejando quando passa da uma da manhã, já começo a contar histórias do tempo que eu era mocinha, ou começo frases com "no meu tempo". Fato, o tempo passou mesmo.
Quando eu tinha 16 anos, mentia que tinha 18. Agora parei nos 24 já faz muitos anos, e me recuso a sair desta idade.
Vai chegar uma hora que vai pegar mal, mas enquanto isso não acontecer, sigo mentindo a minha idade.
Hoje pela manhã me olhei no espelho com bastante atenção. E não é que já nasceu a minha primeira ruga? E ainda dizem que eu tenho que comemorar. Humpf!
Bem, amanhã eu completo 24 anos pela enésima vez. Brincadeiras à parte, é bom poder completar mais uma primavera, como diz minha avó. Afinal, é sinal de que estou viva, e seguindo o processo natural da vida.
E este tal ontem já faz mais de vinte anos.
Como diria um comercial da minha época; o tempo passa, o tempo voa, e o Bamerindus nem existe mais. As pessoas nem limpam mais seus delicados bumbuns com o, nem tão delicado, papel primavera. Há uma tese de que este papel causa hemorróida.
Talvez algumas pessoas ainda chamem a DDDrim para matar insetos, e riam ao se lembrar do jingle do comercial - a pulguinha dançando iê-iê-iê. Aliás, ninguém mais dança iê-iê-iê.
As polainas ficaram para trás. As boinas voltaram, as saias balonês também. Ainda bem que, tirando uniforme de time de futebol, ninguém mais usa roupas fluorescentes.
E o tal ontem ficou bem lá para trás. Muita coisa aconteceu. E todos os acontecimentos ajudaram a formar a pessoa que sou hoje, uma velha. E isso não tem jeito. Cada ano que passa, eu fico mais próximo da minha aposentadoria, da coleção de remédios, das manias. Bem, manias eu já tenho mesmo.
Eu já sou uma anciã. Reclamo de tudo, como estou fazendo agora, gosto de tirar um cochilo após o almoço de domingo, comecei a me interessar por artesanato e serviços manuais, vou me matricular na hidroginástica para as aulas das 7:30 da manhã, saio e fico bocejando quando passa da uma da manhã, já começo a contar histórias do tempo que eu era mocinha, ou começo frases com "no meu tempo". Fato, o tempo passou mesmo.
Quando eu tinha 16 anos, mentia que tinha 18. Agora parei nos 24 já faz muitos anos, e me recuso a sair desta idade.
Vai chegar uma hora que vai pegar mal, mas enquanto isso não acontecer, sigo mentindo a minha idade.
Hoje pela manhã me olhei no espelho com bastante atenção. E não é que já nasceu a minha primeira ruga? E ainda dizem que eu tenho que comemorar. Humpf!
Bem, amanhã eu completo 24 anos pela enésima vez. Brincadeiras à parte, é bom poder completar mais uma primavera, como diz minha avó. Afinal, é sinal de que estou viva, e seguindo o processo natural da vida.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Estou viva
Tá, eu sei que parece descaso com meu "imenso" público. Mas está complicado atualizar o espaço.
Estou com um monte de trabalho. E não é só isso, final de semestre da Pós.
Enfim, ninguém me prometeu uma vida justa. Mas às vezes tenho a sensação de que o dia deveria ter 72 horas para que eu pudesse fazer ao menos 50% das coisas que eu preciso fazer.
Meu aniversário está chegando, e junto com ele o inferno astral passará. Sendo assim, voltarei a escrever o mais breve possível. Não me deixem só.
Estou com um monte de trabalho. E não é só isso, final de semestre da Pós.
Enfim, ninguém me prometeu uma vida justa. Mas às vezes tenho a sensação de que o dia deveria ter 72 horas para que eu pudesse fazer ao menos 50% das coisas que eu preciso fazer.
Meu aniversário está chegando, e junto com ele o inferno astral passará. Sendo assim, voltarei a escrever o mais breve possível. Não me deixem só.
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