Eu percebo que tudo está bem quando não estou apaixonada. Sim, tomei um toco recentemente. Escrevi cartas de amor, me joguei no chão, chorei ouvindo música triste, bebi para esquecer, li autoajuda, desci paredes com as costas no melhor estilo novela mexicana. Achei que a vida era injusta. Desci até o fundo do poço. Sim, postei indiretas no Facebook. Fiz tudo isso. Sim, sou ser humano. E só depois desta tempestade, estou bem.
Eu preciso muito disso. Preciso do drama, preciso do choro, preciso do isolamento, da pena alheia, do sofrimento "Maria do Bairro", dos olhares de "Vai dar tudo certo". Preciso inclusive de uma nova religião. Busca da fé, sabe como é. Intensidade velocidade 10, tipo funk.
Fora os projetos que surgem depois das minhas tempestades amorosas . Correr a São Silvestre foi uma deles.
E depois disso tudo, quando faço minha primeira piada com o homem que despedaçou meu coração, sei que vai ficar tudo bem, sempre fica.
Hoje cedo lembrei do quanto ele era babaca em algumas coisas, e o quanto isso me irritava. Mas não vou gastar energia listando essas coisas porque é perda de tempo. Já foi. O universo levou.
Vi um episódio da bíblia feminina "Sex and the City" que a gente demora metade do tempo que ficamos com a pessoa para esquecê-la. Não sei se é verdade, mas funciona comigo.
E, quando estava apaixonada, este ser iluminado não tinha defeitos. Manja o "O cara não peida nem caga?". Porque são seres divinos, claro. E a paixão só acaba quando este ser magnífico desce do Olimpo e você percebe - SIM, ELE CAGA! Faz tudo como qualquer outro ser humano.
Então decidi que toda vez que eu colocar alguém em qualquer pedestal, vou lembrar que esta pessoa também caga. Que não merece um lugar mais alto que o meu na cadeia alimentar.
A paixão desumaniza as pessoas, elas viram semi-deuses. Isso é bem ruim.
Paixão é um troço bom, e viciante. Sou uma eterna apaixonada. Mas devo admitir que gosto muito mais de mim quando estou num relacionamento sério comigo mesma.
E tem que ser assim. O próximo vai ter que entender esta bigamia. Não termino comigo mais. Vai ter que ser um relacionamento à três: Eu, eu mesma e este ser que caga.
domingo, 7 de junho de 2015
Entenda seu público
Hoje o Facebook veio com essa de "Entenda seu público". E eu lá tenho público?
Tenho 3 ou 4 pessoas que passam os olhos no que eu escrevo, e fim. Nada de grandes plateias. Escrevo desde 24/07/2005. Sim, fará 10 anos! Meu Deus, 10 anos! A internet existe na minha vida desde 2005? Achei que era algo mais recente.
Comecei a escrever como afronta. Conheci um cara que tinha um blog. Então pensei "Se ele pode, eu também posso". Naquele tempo remoto, ser blogueiro (aliás, nem tinha isso), era falar o que pensa, escrever por escrever, conviver com ideias diferentes, discuti-las, e conhecer gente que talvez você não conhecesse na noite de SP, por exemplo. Nada financeiro. Não tínhamos sequer "Faculdade de Blogueiro", "Seja blogueiro S/A", "Viva no Glamour do Blog", "Fique rico. Seja blogueiro!". Enfim, nada disso. Escrevíamos e ponto final.
Faz uns 3 meses eu resolvi que quero juntar as crônicas deste blog e fazer um livro. Sim, a árvore, os filhos e o livro. Clichês da minha vida.
Vou ganhar dinheiro com isso? Não. Vou gastar mesmo.
Vou ser famosa? Não. No máximo minha mãe vai mentir dizendo que sou escritora para as amigas.
Meu blog vai virar filme? Não. Infelizmente não tenho talento para escrever sobre sexo ruim, ou vampiros, bruxos, e toda esta coisa.
Então, alguém explica a razão desta retardada querer publicar esta merda de blog?
Porque é assim que eu sou. Porque é assim que a vida é.
Então, Facebook, sem essa de "conheça seu público". Já conheço os 5 que lêem este blog com frequência.
Tenho 3 ou 4 pessoas que passam os olhos no que eu escrevo, e fim. Nada de grandes plateias. Escrevo desde 24/07/2005. Sim, fará 10 anos! Meu Deus, 10 anos! A internet existe na minha vida desde 2005? Achei que era algo mais recente.
Comecei a escrever como afronta. Conheci um cara que tinha um blog. Então pensei "Se ele pode, eu também posso". Naquele tempo remoto, ser blogueiro (aliás, nem tinha isso), era falar o que pensa, escrever por escrever, conviver com ideias diferentes, discuti-las, e conhecer gente que talvez você não conhecesse na noite de SP, por exemplo. Nada financeiro. Não tínhamos sequer "Faculdade de Blogueiro", "Seja blogueiro S/A", "Viva no Glamour do Blog", "Fique rico. Seja blogueiro!". Enfim, nada disso. Escrevíamos e ponto final.
Faz uns 3 meses eu resolvi que quero juntar as crônicas deste blog e fazer um livro. Sim, a árvore, os filhos e o livro. Clichês da minha vida.
Vou ganhar dinheiro com isso? Não. Vou gastar mesmo.
Vou ser famosa? Não. No máximo minha mãe vai mentir dizendo que sou escritora para as amigas.
Meu blog vai virar filme? Não. Infelizmente não tenho talento para escrever sobre sexo ruim, ou vampiros, bruxos, e toda esta coisa.
Então, alguém explica a razão desta retardada querer publicar esta merda de blog?
Porque é assim que eu sou. Porque é assim que a vida é.
Então, Facebook, sem essa de "conheça seu público". Já conheço os 5 que lêem este blog com frequência.
Por favor, pode chover?
Passei 2 dias hibernando. Naquela "nhaca" que só quem se dá a este direito sabe do que estou falando. Passei esses dias com uma magnífica companhia "eu mesma".
Fui ao parque, peguei meu livro, e fiquei ali por horas. Ouvindo música e lendo. E aquele solzinho de outono batendo no rosto. Quase me emocionei com tanta calma e tranquilidade. Desliguei o cérebro das coisas que não me fazem bem.
No dia seguinte saí de casa apenas para uma caminhada.
E depois me entreguei à horas e horas de filmes. Mais de 3 na sequência.
Após esta overdose de mim mesma, gostaria de continuar. Já recusei 3 convites para sair da toca. E desconfio que logo serei taxada de anti-social e chata. Porque esta fama se espalha com facilidade, e quando percebe, ninguém te chama mais para nada "Você sempre diz não!", dirão os que tentaram.
Sei que minha companhia é fabulosa, mas como em qualquer relacionamento, uma hora vou querer dar uma apimentada na relação.
Por isso, hoje rogo aos deuses da chuva que justifiquem minha preguiça. Que justifiquem a vontade enorme que tenho de ficar somente comigo. Que chova! Ninguém fica chateado quando você responde "Nossa, está chovendo demais. Vamos deixar para outro dia?"
Fui ao parque, peguei meu livro, e fiquei ali por horas. Ouvindo música e lendo. E aquele solzinho de outono batendo no rosto. Quase me emocionei com tanta calma e tranquilidade. Desliguei o cérebro das coisas que não me fazem bem.
No dia seguinte saí de casa apenas para uma caminhada.
E depois me entreguei à horas e horas de filmes. Mais de 3 na sequência.
Após esta overdose de mim mesma, gostaria de continuar. Já recusei 3 convites para sair da toca. E desconfio que logo serei taxada de anti-social e chata. Porque esta fama se espalha com facilidade, e quando percebe, ninguém te chama mais para nada "Você sempre diz não!", dirão os que tentaram.
Sei que minha companhia é fabulosa, mas como em qualquer relacionamento, uma hora vou querer dar uma apimentada na relação.
Por isso, hoje rogo aos deuses da chuva que justifiquem minha preguiça. Que justifiquem a vontade enorme que tenho de ficar somente comigo. Que chova! Ninguém fica chateado quando você responde "Nossa, está chovendo demais. Vamos deixar para outro dia?"
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Reflexões de uma manhã fria
Dentre as milhares de reflexões que faço logo quando acordo, esta me pareceu digna de fazer com que eu viesse ao computador escrever.
Senti saudades de mim. O ano de 2013 foi um grande ano. Foi o começo de muitas decisões. Parei de fumar, comecei a correr, iniciei um trabalho voluntário, e entrei o ano de 2014 correndo a São Silvestre. E nesta movimentação toda resolvi que não queria mais continuar na empresa que eu estava, e mudei de emprego em maio de 2014. E aceitei no meu coração que era um trabalho temporário, que em março de 2015 eu pegaria minha mochila e iria para Ásia. Continuar fazendo trabalho voluntário, conhecendo uma cultura diferente, e tudo isso.
Estava tudo tão certo, tão escrito, tão perfeito, que não teria erro.
Não teria.
No meio de 2014 entrei num ritmo insano de trabalho. As corridas que eram diárias foram diminuindo até deixarem de existir completamente em fevereiro de 2015. Dizia que depois do carnaval, depois do carnaval, e isso nunca mais aconteceu. Devido ao estresse, voltei a fumar. O trabalho da ONG, por trabalhar demais no trabalho novo, deixei de fazer no mês de dezembro de 2014. Deixei a ideia da Ásia porque me apaixonei. E no resumo está aí a grande bosta. Não podemos nos perder. Digo isso a mim mesma diariamente. Não posso me perder de mim. Já faz 8 meses que me perdi de mim. Hoje quando levantei, lembrei de mim, e resolvi me resgatar.
O trabalho é importante, sim. Mas não pode tomar tanto meu tempo. Trabalho 13 horas por dia. Durmo e acordo pensando no trabalho. Isso não é certo. Trabalho por mim, e estou esquecendo de mim.
Duas semanas atrás fiz uma tatuagem com a palavra "fé", e é isso. Preciso de fé, preciso acreditar em mim. Preciso me livrar de hábitos ruins.
Paixão só é boa quando nos faz bem. Trabalho é bom, mas não deve ser a coisa mais importante do mundo.
Projetos existem para nortear nossa vida. Mas podem ser mudados quando entendermos que é o momento.
Alguns passos foram dados. E começam por dentro. Fazer yoga, por exemplo. Comecei na yoga faz um mês, e foi uma das melhores escolhas que fiz em 2015.
Hoje começo a tentativa número 3 de parar de fumar. Estou segurando meu último maço de cigarro.
Correr é preciso, mesmo com frio. Faz bem à alma.
O trabalho da ONG será retomado assim que voltar das minhas férias. Férias são necessárias para organização mental.
Sobre a paixão, amanhã darei um "tchau" oficial. Porque "Só vale morar em alguém se não nos ausentarmos de nós". E senti bem forte, logo cedo, que me ausentei de mim.
Vida, pode colocar mais água no feijão que estou voltando.
Senti saudades de mim. O ano de 2013 foi um grande ano. Foi o começo de muitas decisões. Parei de fumar, comecei a correr, iniciei um trabalho voluntário, e entrei o ano de 2014 correndo a São Silvestre. E nesta movimentação toda resolvi que não queria mais continuar na empresa que eu estava, e mudei de emprego em maio de 2014. E aceitei no meu coração que era um trabalho temporário, que em março de 2015 eu pegaria minha mochila e iria para Ásia. Continuar fazendo trabalho voluntário, conhecendo uma cultura diferente, e tudo isso.
Estava tudo tão certo, tão escrito, tão perfeito, que não teria erro.
Não teria.
No meio de 2014 entrei num ritmo insano de trabalho. As corridas que eram diárias foram diminuindo até deixarem de existir completamente em fevereiro de 2015. Dizia que depois do carnaval, depois do carnaval, e isso nunca mais aconteceu. Devido ao estresse, voltei a fumar. O trabalho da ONG, por trabalhar demais no trabalho novo, deixei de fazer no mês de dezembro de 2014. Deixei a ideia da Ásia porque me apaixonei. E no resumo está aí a grande bosta. Não podemos nos perder. Digo isso a mim mesma diariamente. Não posso me perder de mim. Já faz 8 meses que me perdi de mim. Hoje quando levantei, lembrei de mim, e resolvi me resgatar.
O trabalho é importante, sim. Mas não pode tomar tanto meu tempo. Trabalho 13 horas por dia. Durmo e acordo pensando no trabalho. Isso não é certo. Trabalho por mim, e estou esquecendo de mim.
Duas semanas atrás fiz uma tatuagem com a palavra "fé", e é isso. Preciso de fé, preciso acreditar em mim. Preciso me livrar de hábitos ruins.
Paixão só é boa quando nos faz bem. Trabalho é bom, mas não deve ser a coisa mais importante do mundo.
Projetos existem para nortear nossa vida. Mas podem ser mudados quando entendermos que é o momento.
Alguns passos foram dados. E começam por dentro. Fazer yoga, por exemplo. Comecei na yoga faz um mês, e foi uma das melhores escolhas que fiz em 2015.
Hoje começo a tentativa número 3 de parar de fumar. Estou segurando meu último maço de cigarro.
Correr é preciso, mesmo com frio. Faz bem à alma.
O trabalho da ONG será retomado assim que voltar das minhas férias. Férias são necessárias para organização mental.
Sobre a paixão, amanhã darei um "tchau" oficial. Porque "Só vale morar em alguém se não nos ausentarmos de nós". E senti bem forte, logo cedo, que me ausentei de mim.
Vida, pode colocar mais água no feijão que estou voltando.
domingo, 3 de maio de 2015
Otimista?
Ontem fiz uma tatuagem. Uma coisinha pequena. Nada de dor ou dramas. Uma palavra - fé.
E eu, que nunca fui uma pessoa de muita fé (sempre meio Thomé), tatuei fé. E sai com a palavra escrita no antebraço.
Faço as coisas por impulso. Sempre sem grandes planos. Sou daquelas pessoas que falam "Papua Nova Guiné? Claro! Podemos ir! Não conheço mesmo". E falo isso como quem está atravessando a rua para ir à padaria. Alguns me chamam de "sem opinião", ou "Maria vai com as outras". Eu me autodenomino "Maria vai com o que acha no momento". Mudo de ideia como quem muda de roupa.
Mas e no caso desta tatuagem? Não é como trocar de roupa. Está tatuado. Tive um momento de "pânico" de 3 segundos, e depois segui em frente. Faz parte da vida.
Sabe, no final, eu sou uma pessoa de fé. Há anos neste mercado de meu Deus, acreditando em príncipes encantados, acreditando que existe alguém muito especial esperando ser encontrado por mim, e que no final abriremos uma Doriana, e seremos felizes para sempre.
Fé é acreditar. E eu realmente acredito nos meus sonhos, nas minhas loucuras, nos meus medos, anseios, nos meus amigos...Fé na vida, fé no homem...De quem é essa música mesmo?
Fé no que virá.
E eu, que nunca fui uma pessoa de muita fé (sempre meio Thomé), tatuei fé. E sai com a palavra escrita no antebraço.
Faço as coisas por impulso. Sempre sem grandes planos. Sou daquelas pessoas que falam "Papua Nova Guiné? Claro! Podemos ir! Não conheço mesmo". E falo isso como quem está atravessando a rua para ir à padaria. Alguns me chamam de "sem opinião", ou "Maria vai com as outras". Eu me autodenomino "Maria vai com o que acha no momento". Mudo de ideia como quem muda de roupa.
Mas e no caso desta tatuagem? Não é como trocar de roupa. Está tatuado. Tive um momento de "pânico" de 3 segundos, e depois segui em frente. Faz parte da vida.
Sabe, no final, eu sou uma pessoa de fé. Há anos neste mercado de meu Deus, acreditando em príncipes encantados, acreditando que existe alguém muito especial esperando ser encontrado por mim, e que no final abriremos uma Doriana, e seremos felizes para sempre.
Fé é acreditar. E eu realmente acredito nos meus sonhos, nas minhas loucuras, nos meus medos, anseios, nos meus amigos...Fé na vida, fé no homem...De quem é essa música mesmo?
Fé no que virá.
Grávidas!
Hoje, tomando meu café e lendo
amenidades na internet, me deparei com a gravidez de Débora Secco - 34
anos, grávida do surfista/modelo/DJ/ator/dançarino e qualquer coisa que a
assessora de imprensa dele quiser, de 24 anos. Parabéns para ela.
Continuei tomando meu café, afinal, a gravidez de
Débora não muda minha vida. E na sequência, notícias do nascimento da filha de
Kate. Juro que perdi 12 minutos lendo algumas coisas sobre o nascimento da nova
jóia da coroa que brevemente será batizada de acordo com
os rituais da Igreja Anglicana, com direito à réplica de uma roupa usada pela
filha mais velha da rainha Victoria em seu batizado, em 1841.
Até aí, nada de novo.
Não tem nada de novo em nada disso, na verdade. Até a estupidez humana continua igual. Os comentários são as pérolas, a coroação da ignorância.
"Grande merda", "Foda-se", "Um bebê como tantos outros", "Qual a importância disso?".
Bem, a gravidez da Débora Secco não muda em nada a vida de muitas pessoas. Já o nascimento da filha do Príncipe William, sim.
E não me venham com comentários fúteis chamando os ingleses de imbecis. Eu queria ser imbecil num País desenvolvido, com cultura e tradição abundante, com uma moeda forte valendo R$ 4,50, educação acima da média, respeito às diferenças, cidadania, segurança e tudo aquilo que a gente, acompanhadores da gravidez de Débora, não temos a menor ideia.
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