Nos lendários anos 90, trabalhou em minha residência uma moça de 18 anos cujo nome era Delmice. Não sei que tipo de combinação era essa. Mas Delmice, com vergonha de ser Delmice (o que não era de se estranhar), mudou seu nome para Ana. Tipo nome artístico. Nome para dar pros namorados. E era isso que Delmi...ops...Ana, fazia.
Só que aqui deixo um registro. Criança faz tudo ao contrário.
Eu gostava era de chamar de Delmice. Assim mesmo, completo, sem abreviações. E eu falava Delmice até quando não precisava. Quando os namorados apareciam para buscá-lá, eu gritava a plenos pulmões: Delmiceeeeeeeee, pra você.
Até hoje não sei como ela explicava. Deveria usar algo como Ana Delmice, mas me chame de Ana.
Um dia roubei um Belmont da Delmice. Muito poético, não?
E Delmice me ensinou a fumar. Hoje Delmice seria presa e apareceria no Datena. Mas em 91, era molecagem.
E foi neste dia que Delmice virou Ana.
Toda vez que eu ameaçava um Delmice, ela me ameaçava dizendo que contaria à minha mãe que eu fumava.
Ana me custou uma grana de adesivos, chiclete de nicotina, e uma falta de ar que me perseguiu por anos.
Faz um ano que parei de fumar #chupa#Delmice. Se te encontrar, mando a conta.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Xico nosso de cada dia...
Ando numa paixonite aguda pelo Xico Sá. Depois do Nelson, o Rodrigues, não achei que isso viria a acontecer novamente. Nelson, desculpe, minha carne foi fraca.
Em tempos de metrossexuais e mimimis masculinos intermináveis, Xico é um oásis. O macho jurubeba que gosta de mulher. Gosta de mulher de verdade. Não de mulher para apresentar aos amigos e sair de mãos dadas no shopping, como diria minha vó.
Macho em extinção. Lamentavelmente em extinção.
Uma vez sai com um cara que se amava. Mas se amava tanto, que a cada cinco ou, no máximo seis minutos, se olhava no espelho. Se o motel não tivesse espelho, era uma tortura. Como não olhar aqueles bíceps? No começo achava divertido. Engraçado mesmo. Dava risinhos internos. Mas depois de um tempo começou a me irritar.
Quero olhos nos olhos, o outro Chico, o Buarque, já dizia isso. E a relação entre ele e ele, em que eu era amante, acabou.
É por essas e por outras que clamo a volta do macho jurubeba. O que gosta de futebol, cerveja com amigos, e de mulher. Aliás, ponto fundamental. Gostar de mulher. Item raro nos dias de hoje.
E já diria meu amor platônico: Homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celulite.
Talvez estejam todos no Crato. E se estiverem lá, Mônica Martelli, eu já conclamo: Homens são do Crato, e é pra lá que eu vou.
Em tempos de metrossexuais e mimimis masculinos intermináveis, Xico é um oásis. O macho jurubeba que gosta de mulher. Gosta de mulher de verdade. Não de mulher para apresentar aos amigos e sair de mãos dadas no shopping, como diria minha vó.
Macho em extinção. Lamentavelmente em extinção.
Uma vez sai com um cara que se amava. Mas se amava tanto, que a cada cinco ou, no máximo seis minutos, se olhava no espelho. Se o motel não tivesse espelho, era uma tortura. Como não olhar aqueles bíceps? No começo achava divertido. Engraçado mesmo. Dava risinhos internos. Mas depois de um tempo começou a me irritar.
Quero olhos nos olhos, o outro Chico, o Buarque, já dizia isso. E a relação entre ele e ele, em que eu era amante, acabou.
É por essas e por outras que clamo a volta do macho jurubeba. O que gosta de futebol, cerveja com amigos, e de mulher. Aliás, ponto fundamental. Gostar de mulher. Item raro nos dias de hoje.
E já diria meu amor platônico: Homem que é homem não sabe a diferença entre estria e celulite.
Talvez estejam todos no Crato. E se estiverem lá, Mônica Martelli, eu já conclamo: Homens são do Crato, e é pra lá que eu vou.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Minha primeira Copa
Não sei você, mas minha primeira Copa do Mundo afetiva foi a de 1986.
Eu era muito criança. E não me venham com essa de que criança não lembra de nada. Parece que quando ficamos adultos esquecemos de tudo. Eu não! Faço questão de lembrar.
1986 na escola Lápis Mágico. Meu pai me deu um orelhinha para acompanhar os jogos. Andava com aquele rádio grudado na orelha pra cima e para baixo. E mesmo podendo ver os jogos pela televisão, não largava o orelhinha.
Um dia cheguei a dormir com aquilo no ouvido.
Não entendia uma palavra narrada, mas achava o máximo aquele homem falando rápido. Por muitas vezes brinquei de locutora de futebol. E até hoje não entendo o por quê de não termos mulheres narrador as. Eu era um talento! Até hoje sou uma metralhadora de palavras.
Com protestos, sem protestos, mesmo sabendo que economicamente essa Copa foi um fiasco, sabendo que não haverá legado, somente contas. Enfim, no meio dessa desgraceira toda, consigo lembrar da memória afetiva das Copas que vivi.
Meu pai foi responsável por 100% das minhas memórias futebolísticas. O pouco de futebol que sei, devo à ele.
Deixem de ser ranzinzas, e divirtam-se um pouco. É o que vou tentar fazer. Já resgatei o orelhinha..
Eu era muito criança. E não me venham com essa de que criança não lembra de nada. Parece que quando ficamos adultos esquecemos de tudo. Eu não! Faço questão de lembrar.
1986 na escola Lápis Mágico. Meu pai me deu um orelhinha para acompanhar os jogos. Andava com aquele rádio grudado na orelha pra cima e para baixo. E mesmo podendo ver os jogos pela televisão, não largava o orelhinha.
Um dia cheguei a dormir com aquilo no ouvido.
Não entendia uma palavra narrada, mas achava o máximo aquele homem falando rápido. Por muitas vezes brinquei de locutora de futebol. E até hoje não entendo o por quê de não termos mulheres narrador as. Eu era um talento! Até hoje sou uma metralhadora de palavras.
Com protestos, sem protestos, mesmo sabendo que economicamente essa Copa foi um fiasco, sabendo que não haverá legado, somente contas. Enfim, no meio dessa desgraceira toda, consigo lembrar da memória afetiva das Copas que vivi.
Meu pai foi responsável por 100% das minhas memórias futebolísticas. O pouco de futebol que sei, devo à ele.
Deixem de ser ranzinzas, e divirtam-se um pouco. É o que vou tentar fazer. Já resgatei o orelhinha..
A velha calça jeans
Foram 12 anos. Só por desencargo de consciência fizemos a conta ontem. E no dia que resolvemos passar a régua nesta conta, chegamos aos 12 anos.
Disse à ele que deveria ser como o wisky. Dizem que o de 12 anos é bom. Mas já não é mais assim.
Acabou exatamente como tinha que acabar. Como as coisas boas acabam.
Sabe o carinho que se tem por aquele jeans especial que só deixará de ser usado porque acabou? É assim que sinto.
A gente não quer jogar fora pelo valor sentimental. Pelas histórias vividas, pelas risadas, pela cumplicidade, afinidade, e tantas outras coisas boas. Mas o jeans não serve mais.
Não tive coragem de jogar fora. Não quis transformar em shorts, bermuda, ou qualquer outra coisa. Seria um desrespeito com meu jeans de 12 anos. Quis guardar na gaveta com carinho e respeito.
Para coisas novas, precisamos limpar as gavetas. Esta foi a mais difícil. A gaveta que deixei por último.
Não sei se sentirei falta. Estranho isso. Tenho respeito pelo passado. Mas que ele fique onde deve ficar, no passado.
Guardo os CDs, livros, músicas compostas pra mim, bilhetes, cartões, e tudo que me faz lembrar você. Não quero esquecer nada. Nenhum detalhe será jogado ao limbo da memória.
Não faço promessas de amizade eterna. Faço promessa de carinho infinito pela história vivida.
Olhos cor de jeans, obrigada. Tenha uma boa vida.
Disse à ele que deveria ser como o wisky. Dizem que o de 12 anos é bom. Mas já não é mais assim.
Acabou exatamente como tinha que acabar. Como as coisas boas acabam.
Sabe o carinho que se tem por aquele jeans especial que só deixará de ser usado porque acabou? É assim que sinto.
A gente não quer jogar fora pelo valor sentimental. Pelas histórias vividas, pelas risadas, pela cumplicidade, afinidade, e tantas outras coisas boas. Mas o jeans não serve mais.
Não tive coragem de jogar fora. Não quis transformar em shorts, bermuda, ou qualquer outra coisa. Seria um desrespeito com meu jeans de 12 anos. Quis guardar na gaveta com carinho e respeito.
Para coisas novas, precisamos limpar as gavetas. Esta foi a mais difícil. A gaveta que deixei por último.
Não sei se sentirei falta. Estranho isso. Tenho respeito pelo passado. Mas que ele fique onde deve ficar, no passado.
Guardo os CDs, livros, músicas compostas pra mim, bilhetes, cartões, e tudo que me faz lembrar você. Não quero esquecer nada. Nenhum detalhe será jogado ao limbo da memória.
Não faço promessas de amizade eterna. Faço promessa de carinho infinito pela história vivida.
Olhos cor de jeans, obrigada. Tenha uma boa vida.
Buscando...
Alguma coisa estava muito errada. Às vezes a gente cansa de reclamar. E é neste exato momento que algo precisa mudar.
Não sabia o quê mudar. Mas a mudança se fazia extremamente necessária. Uma vontade louca de sair correndo por aí para ver no que vai dar. Um medo absurdo de criar raízes.
Medo de criar raízes. Venho pensando muito sobre isso. Achamos tantas desculpa para não viver o que queremos, que fica até difícil contar nos dedos das mãos, e dos pés. Estabelecemos raízes tão profundas, que as desculpas são socialmente aceitas. E até a gente se convence.
Cansei disso. Cansei dos pés sempre no chão. Começo este ano o projeto 2015.
Chega de esperar o príncipe encantado. Chega de esperar o trabalho dos sonhos. Chega de criar amarras imaginárias.
Mudo de emprego. Mudo a forma de pensar. Mudo o jeito de ver a vida. E mudarei quantas vezes eu achar necessário. Só não dá pra não ser feliz.
Continuo buscando incansavelmente, incessantemente estar feliz. Isso, de fato, é o mais importante de tudo.
Respirando um pouco para continuar buscando. Buscando até o fim.
Não sabia o quê mudar. Mas a mudança se fazia extremamente necessária. Uma vontade louca de sair correndo por aí para ver no que vai dar. Um medo absurdo de criar raízes.
Medo de criar raízes. Venho pensando muito sobre isso. Achamos tantas desculpa para não viver o que queremos, que fica até difícil contar nos dedos das mãos, e dos pés. Estabelecemos raízes tão profundas, que as desculpas são socialmente aceitas. E até a gente se convence.
Cansei disso. Cansei dos pés sempre no chão. Começo este ano o projeto 2015.
Chega de esperar o príncipe encantado. Chega de esperar o trabalho dos sonhos. Chega de criar amarras imaginárias.
Mudo de emprego. Mudo a forma de pensar. Mudo o jeito de ver a vida. E mudarei quantas vezes eu achar necessário. Só não dá pra não ser feliz.
Continuo buscando incansavelmente, incessantemente estar feliz. Isso, de fato, é o mais importante de tudo.
Respirando um pouco para continuar buscando. Buscando até o fim.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Psicose
A linha tênue entre o carinho e a psicopatia.
Sabe que ultimamente ando questionando isso.
Tenho dois ex –alguma-coisa que me mandam mensagens frequentes. Ambos “me querenu”
Não, não sou uma delícia irresistível. Os homens, não a maioria, que vacilam mesmo. Mesmo casados, com filhos, acham que faltou alguma coisa pendente com alguma mulher que saíram no passado. E se esta mulher do passado é uma eterna solteira, melhor ainda.
Voltando ao mote. Um deles me manda mensagens diárias com “Bom dia, boa tarde, boa noite, bom final de semana, boa semana”. No começo achei educado. Depois foi me irritando. Hoje já quase não respondo. Tenho uma vontade insana de responder “Escuta aqui, desgraça, não vou dar pra você”. Mas as normas da sociedade civilizada me impedem de tamanho ímpeto.
Recentemente conheci um cara bacana. Coisa nova nesses últimos meses. Antes teve um que eu confundia amizade com outras coisas, e foi a maior roubada. Enfim, um cara bacana.
E depois de séculos procurando o tal cara bacana, ele apareceu. Corra, Lola, corra.
Não sei se são os hormônios, não sei se a velhice, não sei que cazzo anda acontecendo comigo. Só sei que ele tronou-se o último dos moicanos, sabe? O elo perdido. Uma raridade.
O cara cozinha, gosta de boa música, bom vinho, boa cerveja, bom papo, inteligente, bonito, charmoso. Importante o item charmoso. Tem homem bonito sem charme algum. E quando o cabra é charmoso...Pra cima, Lola. Pra cima!
E como não ser serial killer nem psicopata com um homem desses? Alguém explica?
E num ímpeto de falta de dignidade humana, comprei flores. Sim, eu sou uma amante à moda antiga que manda flores. E foda-se.
O problema não está em mandar flores, acho. O problema está no fato de eu ter ido somente uma vez na casa dele.
Juro, contando essa história começo a ter medo de mim. Corram leitores deste blog, corram. Pode piorar.
Sai numa linda manhã de domingo com meu instinto psicose em alta. Convenci uma amiga a passear pelo bairro do cidadão para ver se eu lembrava onde era. Da vez que eu fui era de noite e eu estava bêbada. Resolvi contar com a sorte. Mulher tem um lance esquisito com destino. “Se o destino quiser, vou lembrar”.
Encontrei o prédio. Lembrei do apartamento (é o mesmo número do meu – já achei que era destino também), perguntei ao porteiro se eu estava certa, e BINGO!
Agora é só ser doida, atravessar a rua e comprar flores para entregar.
Não tive dúvida que era uma ideia genial. Deixei meu instinto doido ser mais doido que o normal.
Uma hora depois da entrega recebi uma mensagem agradecendo as flores.
Qual a diferença entre mim e os meus admiradores do – bom dia – boa tarde – boa noite?
Não consigo identificar, e começo a temer por isso.
Psicótico, você terá o seu momento um dia...
Sabe que ultimamente ando questionando isso.
Tenho dois ex –alguma-coisa que me mandam mensagens frequentes. Ambos “me querenu”
Não, não sou uma delícia irresistível. Os homens, não a maioria, que vacilam mesmo. Mesmo casados, com filhos, acham que faltou alguma coisa pendente com alguma mulher que saíram no passado. E se esta mulher do passado é uma eterna solteira, melhor ainda.
Voltando ao mote. Um deles me manda mensagens diárias com “Bom dia, boa tarde, boa noite, bom final de semana, boa semana”. No começo achei educado. Depois foi me irritando. Hoje já quase não respondo. Tenho uma vontade insana de responder “Escuta aqui, desgraça, não vou dar pra você”. Mas as normas da sociedade civilizada me impedem de tamanho ímpeto.
Recentemente conheci um cara bacana. Coisa nova nesses últimos meses. Antes teve um que eu confundia amizade com outras coisas, e foi a maior roubada. Enfim, um cara bacana.
E depois de séculos procurando o tal cara bacana, ele apareceu. Corra, Lola, corra.
Não sei se são os hormônios, não sei se a velhice, não sei que cazzo anda acontecendo comigo. Só sei que ele tronou-se o último dos moicanos, sabe? O elo perdido. Uma raridade.
O cara cozinha, gosta de boa música, bom vinho, boa cerveja, bom papo, inteligente, bonito, charmoso. Importante o item charmoso. Tem homem bonito sem charme algum. E quando o cabra é charmoso...Pra cima, Lola. Pra cima!
E como não ser serial killer nem psicopata com um homem desses? Alguém explica?
E num ímpeto de falta de dignidade humana, comprei flores. Sim, eu sou uma amante à moda antiga que manda flores. E foda-se.
O problema não está em mandar flores, acho. O problema está no fato de eu ter ido somente uma vez na casa dele.
Juro, contando essa história começo a ter medo de mim. Corram leitores deste blog, corram. Pode piorar.
Sai numa linda manhã de domingo com meu instinto psicose em alta. Convenci uma amiga a passear pelo bairro do cidadão para ver se eu lembrava onde era. Da vez que eu fui era de noite e eu estava bêbada. Resolvi contar com a sorte. Mulher tem um lance esquisito com destino. “Se o destino quiser, vou lembrar”.
Encontrei o prédio. Lembrei do apartamento (é o mesmo número do meu – já achei que era destino também), perguntei ao porteiro se eu estava certa, e BINGO!
Agora é só ser doida, atravessar a rua e comprar flores para entregar.
Não tive dúvida que era uma ideia genial. Deixei meu instinto doido ser mais doido que o normal.
Uma hora depois da entrega recebi uma mensagem agradecendo as flores.
Qual a diferença entre mim e os meus admiradores do – bom dia – boa tarde – boa noite?
Não consigo identificar, e começo a temer por isso.
Psicótico, você terá o seu momento um dia...
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