quinta-feira, 22 de maio de 2008

Churrasco

Uma das maiores dificuldades em fazer um churrasco é calcular a quantidade de carne a ser comprada.
Ou falta, ou sobra demais.

No site da smirnoff você consegue calcular o seu churrasco. Prático e eficaz. Com isso nada de ficar um mês comendo a carne do churrasco de domingo.

Além disso, tem excelentes dicas do senhor Wessel, que é um churrasqueiro de mão cheia.

E não é só isso!!!! O site traz ainda uma página para você enviar os convites para seus amigos que chegam com a previsão do tempo para o dia da festa. Perfeito. E depois de tudo isso, aguardo convites.


Confira o site!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Eu quero!

Cheguei cansada, com sono, com fome, depois de doze horas de labuta.
A minha maquiagem já estava derretida e as minhas olheiras demonstravam uma idade que eu não tenho. Algo em torno dos quarenta. O pé gritava dentro do sapato de salto alto.

Liguei a televisão. Enquanto eu estava num estado deplorável, ela continuava bem maquida, cabelo escovado, sorriso reluzente e uniforme impecável.
Pensei: "Filha da puta! Quero um trabalho como o dela". Ela
? A Maria Paula da novela Duas Caras.

Ela foi roubada pelo vilão, dividiu a casa com a empregada, depois decidiu sair de São Paulo e ir para o Rio de Janeiro.

Mora em um condomínio de classe média, seu filho estuda em escola particular, sai do trabalho sem avisar a qualquer hora, tem um chefe que parece um pai.

Olha, o Extra deve estar pagando bem. Afinal, que repositora de estoque tem a vida da Maria Paula
?

Depois dizem que novelas são pequenos retratos da realidade. Realidade de quem
?

domingo, 18 de maio de 2008

Os seus são nossos

Já fazia um ano que estava casada. Ainda assim, todas as tardes, saia de casa, se arrumava, pintava-se, e saia pela cidade de São Paulo.
Não tinha um rumo certo. Não fazia plano algum, apenas saía.

Gostava de olhar as pessoas em seus andares apressados pela cidade. Gostava também de ouvir conversas, participar, mesmo que fosse por alguns instantes, da vida de estranhos.
De uns tempos pra cá notou certa preferência pelos pais solteiros.
Achava lindo o sentimento de paternidade.

Entrava no metrô e sentava-se num banco, ao lado de um homem. Podia ser velho, moço, feio ou bonito, bastava que estivesse com alguma criança.

Começava fazendo amizade com a criança. Sempre andava com um chocolate na bolsa. A tática era simples. Abrir o chocolate e oferecer. O pai pedia para a criança não aceitar. Afinal de contas, que pai deixaria seu filho aceitar algo de uma pessoa estranha?

Ela sorria e tirava uma nova barra. Insistia com seu doce sorriso. Que homem desconfiaria de uma mulher de aproximadamente 1.60, olhos azuis, cabelos loiros longos e cacheados? Era como recusar uma benção de um anjo.

O assunto começou na estação Jabaquara e terminou na estação Sé.

A pergunta final foi fatídica:

- Você é casado?

O homem até ficou sem graça com tamanha objetividade na pergunta, mas respondeu com um profundo suspiro que jamais havia se casado.

Ela se dizia solteira e com filho. A idade de Cláudio, seu filho imaginário, variava de acordo com a idade do filho da vítima.

Aos poucos se infiltrava na vida dos homens solteiros com filhos. Conseguia estabelecer uma relação. Durante a semana era uma mulher exemplar. Aos finais de semana, dizia ao marido que ficaria com a mãe doente em um hospital. Ele nunca pedia para acompanhá-la.

Na verdade, Carlos até gostava dos sumiços de Paula. Era nessas oportunidades que encontrava Laurinha, sua amante.

As relações duravam, no máximo, três meses. Os abandonava quando eles pediam para conhecer seu filho.

Enquanto a relação durava, Paula conhecia a família de seus namorados, levava os filhos ao parque de diversões, cinema, teatro infantil, e tudo mais que eles quisessem. Era muito difícil alguma criança não gostar de Paula.

Era um final de tarde de sábado. Paula passeava com João e filhos pelo parque Vila Lobos quando avistou ao longe um rosto conhecido-Carlos. Aproximou-se para ver melhor. De mãos dadas com uma mulher, a beijava carinhosamente na testa. Uma criança o puxou pela mão e foram os três em direção ao pipoqueiro.

Primeiro tudo ficou escuro. Logo na seqüência veio uma pontada enorme em seu coração. A última palavra que ouviu foi: “Pai, depois eu vou querer um algodão doce!”.

Foi naquele exato momento que teve a absoluta certeza de que era infértil.

Ficou ao longe observando aquela família. Foi a última imagem que viu antes de morrer.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Cenas do cotidiano

Ela entrou no ônibus toda estabanada. Segurava o celular com o rosto, pegava alguma coisa na bolsa. Derrubou uma sacola no meu colo, tentou pedir desculpas, mas a pessoa do outro lado da linha atendeu o telefone.

- Alô
?

- Você está me ouvindo
?

- Só quero saber uma coisa. Onde você está
?

- Onde você está
?

- On-de vo-cê es-tá
?

- Que bom, Carlos. Nem me esperou.

- Sabe, eu vou te abandonar. Estou de saco cheio de você.

- Carlos
? Carlos? Não mente, porra. Onde você está? Pode falar a verdade.

- E onde fica isso
?

- Sei, sei...

- Que horas você chegou aí
?

- Mentiroso. Liguei no seu escritório às 17:00 e você já tinha saído.

- Carlos, quem está com você
?

- Carlos, quem está com você
?

- Alô
? Alô?

Desconfiei que Carlos havia desligado o telefone na cara dela.
Ela não contente, ligou de novo.

- Caixa Postal, filho da puta. Carlos, se você pensa que pode desligar o telefone na minha cara, está muito enganado.

O Carlos até que foi paciente. Eu já teria desligado bem antes.

O ponteiro do relógio que passou

Eu ainda lembrava do dia em que a coloquei para fora da minha vida. Não foi fácil. Mas naquele momento eu não estava preparado para dar o que ela queria, um relacionamento.

Tudo andava muito bem. Clarice era uma mulher inteligente e divertida. Não era do tipo bonita. E acho que, no fundo, foi isso que ajudou na decisão.
Nos dávamos bem. Nos víamos com frequência, nos falávamos diariamente.
Eu só não assumi a relação, mas tínhamos uma.

Ela queria me apresentar todos seus amigos, mãe, pai, avô, papagaio. Eu não estava preparado. Tínhamos apenas uma amiga em comum, Amanda. Não queria mais vínculos. Nada de apresentar meus amigos, nada de colocá-la na minha vida.

Casamento da Amanda.
No fundo eu sabia que encontraria Clarice. Eu continuava solteiro. Tinha feito planos para dar uma carona e levá-la para casa. Conversar, relembrar os velhos tempos, ouvir aquela risada gostosa e rir de suas histórias.

Não demorou muito para que eu ouvisse a risada que me conquistou.
O cabelo continuava o mesmo, o corpo, o jeito, nada havia mudado. Não parecia que o tempo havia passado.
Ela me olhou e sorriu. Me cumprimentou com a cabeça.
Um homem muito bem vestido e bonito a abraçou, lhe entregou uma taça de champanhe e lhe deu um beijo no rosto.

Fiquei ao longe olhando aquele belo casal.
Ele ria o tempo todo. Lembrei de mim. Eu já tinha sido uma pessoa como ele. Já tinha tido momentos como o que ele estava vivenciando.

Passei a noite sozinho. Acompanhando com os olhos a felicidade dos que tinham alguém para fazê-los sorrir.

Voltei para casa com a sensação de ter deixado a felicidade escapar por entre meus dedos.
A chuva batia forte no parabrisa.
As lágrimas não foram tão generosas quanto a chuva, mas caíam.

Família

Ontem foi dia das mães. E dia das mães é dia de almoço em família, e toda aquela coisa.

Pela primeira vez, em anos, o clã todo se encontrou para o almoço. Nem eu sabia que a minha família era grande.

Todos os personagens estavam lá. Desde o tio bicho grilo até a tia velha solteirona e gorda. Acho que meu futuro será este: tia velha solteirona gorda e bem chata.

Logo nos primeiro passos pela entrada da casa já ouço comentários animadores que já demonstram que a tarde promete.

- Vivi, você engordou
?

- Sim, bastante.

- Precisa se cuidar, mocinha. Depois dos trinta fica bem mais difícil de emagrecer.

Sorriso amarelo.

- Mas eu ainda nem tenho 30.

- Não
?

E as pérolas foram faladas durante todo o dia.

O ápice foi minha vó.

- Querida, você se formou em quê mesmo
?

- Rádio e televisão.

Ela demorou cinco minutos para processar a informação.

- Sim, sim, rádio e televisão (...pausa dramática...) Filha, você arruma a televisão do quarto para a vovó
?

- Claro, vó. E se tiver algum rádio, me liga.