domingo, 23 de julho de 2017

U2 - Dublin


Não vendi meu rim, não me prostitui (até mesmo porque já não dá mais), e consegui o ingresso por um preço “ok”. Cambistas existem em todo canto do mundo - acreditem!

Mais uma vez U2 e eu – 1998, 2006, 2011 (2 shows) e 2017. Ou seja, estávamos no nosso quinto encontro. O pessoal está mais velho, eu também estou, faz parte. Mas nem por isso deixamos de aproveitar uma noite de sábado sem chuva em Dublin. 

Sentei no meu lugarzinho numerado e respeitado por todos, num estádio com ótima visão do palco, e me preparei para ver o U2 tocando em casa. E realmente eles estavam em casa. Levaram os amigos, agradeceram a presença de todos por nome como se estivessem fazendo um churras em casa. E ainda pediram para que o estádio com 80 mil pessoas cantassem parabéns para um amigo que estava completando 50 anos no sábado do “Churras do U2 em Dublin”. E foi neste clima que eu vi um dos melhores shows do U2.

Quem espera que o U2 toque todos os hits, engana-se “The Joshua Tree Tour” tem outra pegada. Não tem palcos escalafobéticos, Bono não sai de um limão, nem de uma nave, não troca mil figurinos, o palco não roda, não tem garras gigantes, não faz transmissão ao vivo para outros países, nem ligações para amigos, como já foi visto em outros shows. “The Joshua Tree” é uma ode ao bom e velho U2.

The Whole of the Moon anunciou a entrada da banda e um estádio lotado que cantou junto.
Lembro que em 2011 dei uma boa chorada com Space Oddity, 2017 não foi diferente.

Pra começar a bagaça, já tocou uma sequência foda: Where the Streets Have No Name, One Tree Hill, Running to Stand Still, With or Without You, I Still Haven’t Found What I’m Looking For, Trip Through Your Wires e In God’s Country com arranjos diferentes e todas acompanhadas de discursos políticos sobre a Irlanda, e de como atravessou de forma digna a crise recente.

Isso fica mais evidente no início do mini 'Best Of' da terceira seção, com imagens de campos de refugiados sírios enquanto toca Miss Sarajevo. Em Ultraviolet (Light my Way) clama pelo empoderamento feminino com imagens de mulheres que representam o feminismo como Simone de Beauvoir.

Depois de levar alguns (eu, por exemplo) às lágrimas, ele retoma com a sequência infalível de hits Beautiful Day, Elevation and Vertigo fazendo o estádio todo gastar o pulmão e as pernas gritando e pulando. 

E no meio de grandes hits e histórias, a banda apresentou a nova música “The Little Things Give You Away”.

Sei que foi incrível, e mais uma vez U2 me provou o porquê foi escolhida como minha banda favorita. 
Entre poesia, música pop, política, arte, o show aqui em Dublin foi tudo que eu esperava e mais um pouco.



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