quarta-feira, 12 de julho de 2017

A bike e eu #5

Eu sou dessas que vê algo, acha incrível, e duas semanas depois está fazendo.
Sempre achei maravilhoso aquele pessoal saudável andando de bike, tomando açaí (eu odeio), com roupas ótimas, ostentando sua bike pelo mundo. E eu sempre tive milhares de desculpas para isso.
1) SP é perigosa 2) Os motoristas não respeitam 3) Tem muita ladeira...
Umas 20 desculpas, mínimo!

Mudei para Irlanda. Acabaram as desculpas. Todo mundo, até crianças, andam de bike pelas ruas.
Olhei, olhei, olhei, passei alguns dias observando. Ciclistas. O que comem? Onde vivem? Como pedalam? Como não morrem atropelados?
E depois de todo este estudo do meio, comprei uma bike. Aí vem a parte Mazzaropi feeling.

Comprei a bike no centro da cidade (moro bem afastada do centro). O caboclo me entregou a bike e disse um "Seja feliz". Eu não tinha ideia sequer de qual direção tomar. E a última vez que andei de bicicleta, meu pai tirou as rodinhas, disse "vai", eu caí, e nunca mais voltamos a ter uma boa relação - a bicicleta e eu. Fim.
Então, por quê raios eu comprei uma bicicleta? Porque eu sou brasileira e não desisto nunca.

Respirei fundo e me joguei no meio dos carros. Sempre uma oração na cabeça. E como Deus é grandioso, não me aconteceu nada.
Quando me senti segura, botei logo uma música para acompanhar e aí foi lindo.

Só que eu não tinha percebido um negócio mega importante. Uma coisa é você andar alguns quarteirões de bike, outra coisa é você usar como meio de transporte e pedalar longas distâncias. E é aí que a gente descobre que o plano não é tão plano assim.

Lá pelo Km 10 eu já estava morrendo. Eu não estava preparada para este evento, fisicamente falando. Já senti vontade de jogar a bike no chão e sair andando.
Aí você percebe que o caminho a pé é diferente do pedalando porque as ruas são contra- mão, e aqui o povo leva a sério esta bagaça. Bike segue a mesma regra de carro. O google maps decide te sacanear pra ver o quanto você quer mesmo pedalar. Aí você pedala mais 7 Km e a bunda começa a dar sinal de que não está nada bem. Suava feito uma porca! Já comecei a pensar que tipo de resgate poderia ser feito: táxi, helicóptero...porque não se entra no busão de bike.
Quando já estava perdida para um caralho, cogitei vender a bike por qualquer euro e pegar um busão.
Foi aí que Deus liberou a internet. Definitivamente era um teste divino.

Pedalei como se não houvesse amanhã. Porém, sempre há um amanhã.
Cheguei em casa que dava para torcer a camiseta. Dificuldade extrema para sentar no assento sanitário e as pernas com vida própria. Só pensava que no dia seguinte teria mais.
Acordei rezando para chover, já estava com a desculpa pronta - não pedalo na chuva. Fez um sol marroquino. E lá começamos uma nova saga. E assim tem sido, todo dia uma história com ela. Estamos nos conhecendo.
A gente não está num relacionamento sério. Eu não consegui assumir a bike como meu meio de transporte favorito e maravilhoso, mas não vou desistir tão fácil assim.














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