segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Lembranças

Vou pedir delicadamente licença ao presente, e vou reviver um pouco de passado. Estou saudosista. E isso é gostoso. Saudade é uma palavra doce e um sentimento muito bom de se sentir. Dá vontade de rir, de chorar, faz coceguinhas nas covinhas só de pensar em algumas coisas. Não se chega a rir, é somente "coceguinhas nas covinhas".

Sabia que eu tinha um diário? Sim tive diário até os 25 anos. E me arrependo amargamente de ter parado de escrever. Era delicioso. Tão delicioso quanto ler agora.

Tenho uma caixa de memórias. Nesta caixa guardo tudo que foi relevante na minha vida. É uma caixa de pandora do meu passado. Do meu delicioso passado.

Com a correria do dia a dia, tenho a impressão que estou perdendo algumas coisas suaves do cotidiano, a algria do cotidiano. Sim, ele pode ser alegre.
Eu acordava cedo, escrevia até cansar, e trabalhava depois do meio dia.
Ganhava pouco dinheiro, é verdade. Mas ganhava muito em felicidade.

Os últimos três anos passaram que eu nem vi. Trabalhei tanto, que nem me lembro da última vez que abri a minha caixinha de pandora.

Achei uma fita do U2. Na caixinha está escrito "espero que goste da banda". A data? 1995. Nossa, como posso lembrar de coisas tão antigas?
Quando os momentos são especias, você lembrará deles para o resto da vida. Como a noite em que fui conhecer um carinha da internet.

Era março de 2005. Naquele momento eu não tinha ideia de que um simples carinha da internet seria tão importante e se tornaria hoje, quase 6 anos depois, um dos donos das minhas mais doces memórias. Ainda pertence ao meu presente, não como naquele março de 2005, mas ocupa um lugar mais que especial.

Bom lembrar da vida. Bom lembrar de tudo de bom que me aconteceu. Bom saber que eu tenho a minha caixinha de pandora para abrir quando eu tiver saudade de mim. Bom saber que eu ainda posso voltar no tempo e reviver coisas boas.

Fechei meus olhos e me vi com uma camiseta cinza com a foto do álbum Pop do U2 e atrás estava escrito 89, a rádio rock (bem, na época tocava rock), um jeans rasgado, deitada na porta do Morumbi um dia antes do show do U2 de 98. Dentro da caixa de pandora tem fotos deste dia.

Dentro da caixa de pandora existe uma Viviane que eu jamais quero esquecer, mas que infelizmente não consegue ver o mundo com os olhos de uma adolescente que quer revolucionar o mundo.

A vida te engole se você deixar. O tempo passa e você nem percebe. Onde eu estive nos últimos 3 anos?

A caixinha precisa de novas memórias.

2 comentários:

Let´s disse...

Ontem, abri a caixa de Pandora dos meus e-mails, veja só. Minha vida (e amores) em e-mails. Há cartas que escrevi que nem parece que fui eu; parece outra vida, outro mundo.Ah, e o U2! Conseguiu, né? Eu ainda não. No entanto, que saudades de 98. E eu não tenho fotos daquele dia...
Bjos, Vivi

Monstrinha disse...

Nossa! Que delícia de texto!
Gosto de curtir uns momentos de nostalgia também. Minha caixa de pandora não é exatamente uma caixa, mais uma coleção de coisas bagunçadas por caixas, bolsas velhas e gavetas que quando eu menos espero me oferecem um flashback.
=D
Nunca tive diário, mas tenho mania de escrever alguns fatos importantes da minha vida em forma de contos ou poesia, só pra ter certeza que vou lembrar depois.
Adorei seu texto!