domingo, 10 de fevereiro de 2008

Eduardo Coutinho

Todo mundo tem um sonho. E acredito que este sonho seja movido por alguma inspiração. E ele, definitivamente, é a minha - Eduardo Coutinho.

No último ano de faculdade eu tinha encontrado uma paixão, documentários. Fiz alguns. Uns gostei muito, outros nem tanto.

Mas sabe como é a vida de documentarista no Brasil, bem complicada. Guardei o sonho na gaveta, e parti para outra.
Recentemente revi Edifício Master e Santo Forte, duas obras-primas deste documentarista.

Sabe, dá vontade de pegar a câmera e colocar todos os projetos em ação. Mas quando lembro da tremenda dificuldade que tive, dá tristeza. Meu pai nunca foi dono de banco.

Talvez se eu tivesse a sensibilidade e a profundidade do trabalho dele, arriscaria. Faria das tripas coração para colocar meu sonho em prática.

Mas acredito que a humanidade possa sobreviver sem meus documentários. Aliás, se alguém quiser, vendo: "Paixão" e "Amarelo, sim" em um combo promocional!
Tive a oportunidade de conhecê-lo em uma palestra no Itaú Cultural. E, neste dia, mais do que nunca na minha vida, fui tiete. Sem a menor vergonha. Encontrar Eduardo Coutinho, e não elogiar o trabalho dele, ao menos pra mim, seria uma baita heresia.

E como já era de se esperar, obtive respostas para as minhas dúvidas. Idéias para o meu documentário, e todo o apoio moral do mundo.

Lembro dele ter dito: "- Bom saber que há pessoas da sua idade se interessando pelo tipo de linguagem que eu uso. O caminho é longo e cheio de pedras, mas não desista".

Sai do teatro em êxtase. Se eu tivesse uma câmera, naquele dia eu teria feito um documentário sobre, na minha opinião, um dos melhores documentaristas do nosso país.

Decepcionei Coutinho. Decepcionei, mas jamais deixarei de prestigiar o trabalho de um dos caras, que lá na faculdade, me fazia querer ser documentarista.

Se ainda não conhece o trabalho dele, comece por "Cabra marcado para morrer". E, se a linguagem te interessar, assista os demais filmes dele. Provavelmente você não irá se arrepender.



3 comentários:

g.g. disse...

Oi Vivi!
Nossa!
Eu amo Coutinho. Vi todos os filmes dele, e o Jogo de Cena pra mim é nada menos que uma obra prima!
Interessante saber dessa sua paixão por documentários!
É, realmente temos coisas em comum...
Beijos!

Vivi disse...

Oi, g.g. Noto que voltou mesmo (rs). Compartilhamos da mesma opinião sobre o mestre Coutinho.
Com este comentário, você conseguiu fazer com que eu pense melhor sobre meu "preconceito" quanto ao amadurecimento humano. Mesmo sem cabelos brancos.

byPaola disse...

Oi Vivis...
Finalmente consegui ter um tempinho livre pra me dedicar a leitura do seu blogg. Que delícia!!!
Como eu já sabia, sua redação é encantadora, e como o que não me deixa muito tempo livre é justamente o mundo do cinema podíamos conversar né!
Talento é algo em que vale a pena investir, e já que vc está com tempo ultimamente pq não escreve um projeto???
Eu sei que no Brasil as coisas são complicadas, mas depois que comecei a trabalhar com cinema conheci mais o mundo dos festivais, Lei Rouanet e tantos outros que existem sim, e apoiam inclusive com grana o talento de quem corre atrás e faz por merecer.
Pensa nisso... minha ajuda e um belo fã clube vc já tem!
Beijos