quinta-feira, 8 de outubro de 2020

A galera do óculos de grau

 Eu não se de onde tiram essa galera de óculos de grau em apresentação de empresa. Essas imagens do banco de imagens está bem fora da realidade de muitas empresas.

Uma galera branca, que teve oportunidade de usar aparelho ortodôntico desde que nasceu, sobrancelhas feitas fia a fio, não tem um preto, e quando tem, o colorismo impera. É o que eu chamo de preto social, aquele "passável". Nada contra, meu pai até era socialmente passável. Já minha vó, neta de escravo, não passa não. Mas não é sobre isso este post. Eu nem tenho lugar de fala, quer dizer, nunca sei se tenho. Essa é a confusão mental da minha vida. 

A galera de óculos, bem vestida, com a pele sem uma porra de uma espinha, ou marcas de acne, falam uma língua que é uma mistura do inglês com português. E sério, na nossa língua tem nome pra tudo. Realmente não consigo entender o famoso Accountability, que em tradução literal significa "prestação de contas". Um dos pilares da empresa é ser Accountability. É assumir riscos, ir além dos meus limites, administrar a grana da empresa como se fosse minha (mesmo não sendo), ser meu próprio CEO, seja lá o que isso signifique. 

Mas também não é sobre isso este post. Então é sobre o quê, caralho?

Sobre o que eu quiser porque este blog é meu, e é isso. Estou sendo CEO aqui.

O post é pra dizer que eu não entendo o banco de imagens que as empresas usam. E, se eu dependesse de ser a cara da galera do banco de imagens, eu estaria desempregada por não estar no padrão de beleza da empresa. E de idade? Nem se fala. Não tem uma pessoa 40+ nas fotos. E quando aparecem, tem tanto Photoshop que passariam por 30.  

Enfim, é essa minha indignação do dia.

Passar bem.

Sejam CEO´s.

sábado, 26 de setembro de 2020

Vibrador e a Guerra Infinita

 Eu acho que poucas vezes vi o texto da Mariliz Pereira Jorge gritando tanto na minha timeline. 
Sei que vivo numa bolha cheirosa, querida e cheia de pessoas que o algoritmo me deu. E, sério, seu algô estamos em paz.

Voltando a Marliz. Como ela mesma disse, estamos em 2020  e ainda discutindo o direito da mulher ter prazer. Afe! Que luta infinita. Isso sim, é Guerra Infinita. E é uma Guerra Infinita bem chata. O Homem de Plástico é atacado o tempo todo. Espero que ele não siga a mesma trajetória do de Ferro. Resista, Homem de Plástico. Marvel, fica aí essa SUPER dica. Homem de Plástico e Mulher Buceta contra....aí fica em aberto para vocês escolherem os inimigos, são vários. Vai desde a igreja à minha vó. 

Eu nem me lembrava mais do meu primeiro. Tive que fazer um esforço danado para lembrar. Foi na faculdade quando fiz um vídeo sobre sexo numa loja do Ponto G, e acabei comprando. De lá pra cá, as pessoas trocam de carro, eu troco de vibrador. E já tive de todas as cores, tamanhos, vibrações...Me sinto o Martinho da Vila neste momento. 

Sou a mulher das dicas de consolos (sic). Aliás, consolo é um nome bem péssimo. Ninguém está com seu vibrador porque não consegue coisa melhor. Vibrador não é prêmio de consolação. 

Vibrador é um lance nosso. Coisa nossa!

Vi um monte de esquerdomacho postando o texto da Mariliz como quem diz "Olha, eu sou liberalzão do dildo", como se isso dependesse da aprovação dele. Como se estivesse fazendo um favor. "Sou tão desconstruído que dei um pra minha mulher". Para, né galera? Eu não fico defendendo o direito à punheta. Isso já acontece desde que o mundo é mundo. E é tão natural que nem é pauta. 

Então, só acrescentando o que a Mariliz já disse "Vibrador é vida. E eu não preciso da aprovação de ninguém pra usar"

Existe todo um universo dentro da jóia da alma.

(Toma essa referência nerd para satisfazer o prazer hetero e uma analogia para facilitar o texto).


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Gregorio Duvivier

 Eu sempre achei chique quem faz carta aberta. Textão eu acho um porre. O textão já pressupõe que vai vir uma sequência infinita de cagação de regra. É tipo mandar um "com todo respeito". Toda frase que começa assim, vem acompanhada de uma cagação de regra e crítica.

Depois deste início, sem respeito algum, Gregório Duvivier é meu crush artístico. 

Se você não sabe o que é isso, é porque não tem nenhum.  Crush artístico é uma admiração pelo trabalho, e ponto final. 

Não vou pendurar fotos do Greg sem camisa pela minha casa (Saudades, Capricho!), muito menos fazer coração com as nossas iniciais. E Deus me livre querer que ele se separe da Giovanna Nader. Vida longa ao casal! É só admiração pura e simples.

Nossa relação começou logo depois de eu ter terminado com o Xico Sá (2016). Xico virou aquele ex que a gente tem carinho, admira e tals, mas não vai atrás. 

Hoje estava colocando em dia a leitura das colunas que eu gosto, e vi um texto dele falando dos poucos amigos. Ali deu uma tristezinha no coração.

Sempre soube que ele não era o Gregão da Massa, mas ali veio a confirmação. A sentença de que nunca vamos sentar no botecão, tomar cerveja de garrafa, e falar sobre uma visão mais progressista para o Brasil. Não poderei contar sobre meus Greg News favoritos, sobre o quanto eu achei Sisifo genial, da minha vontade de estar no Loló, do comportamento mais sustentável, da mulher foda que ele arrumou, mesmo depois da Clarice, que eu já achava foda (!!!), da cara de cansaço que ele faz para falar de alguns assuntos que já deveriam estar resolvidos como a "academia esquerdista", sobre o quanto o Porta já foi interessante, sobre meus amigos de teatro acharem que você viria morar em SP num apê ali do centro, e de tantos outros temas que duas garrafas de cerveja não seriam suficientes. Era para ser um engradado, Greg. Era pra gente ser amigo, cara. 

Tudo isso chegou ao fim com a leitura da frase final da crônica.

"Nos últimos meses, tenho gostado de falar apenas com os amigos de que gosto muito. Tem poucos, raros amigos —o homem atrás da máscara e do face shield. É bom também".

Xico, me liga. Precisamos voltar a falar. 

terça-feira, 16 de junho de 2020

2020 Aniversário Covid

Desde muito criança, quando me dei conta do que era aniversário, comecei a ser uma grande entusiasta da data. Não adianta tentarem me convencer, não existe data melhor que aniversário. 
Eu  amo aniversário, e não consigo entender quem não ama. 

Gosto da ideia de retrospectiva e do tanto que mudei ano após ano. A sensação de que nada é eterno e que a gente precisa apoveitar muito. E, que mesmo nos momentos não tão felizes, a certeza de que vai passar, pois assim como eu, nada é eterno. 

Da zoeira, da patifaria, do deixa disso, esse sempre foi o meu lema. Mas se tem um negócio que eu aprendi a valorizar, é carinho. Tenho um jeito meio toscão de demonstrar carinho, mas sou imensamente grata por todo o amor que recebo, e espero poder contribuir sempre porque essa troca é fundamental para a vida. Grata MESMO. GRATIDÃO RAÍZ. Gratidão quase GRATILUZ. 

Sempre penso que naquelas mal traçadas linhas de desejo de felicidades em redes sociais, houve um minuto que a pessoa dedicou para te desejar algo de bom. Exceto no LinkedIn que é a rede mais desumana do mundo, onde até o "Parabéns" já vem pronto. O truta não se dá ao trabalho de escrever "Parabéns" e a pessoa que recebe não precisa nem se dar ao trabalho de escrever "Obrigada", está tudo pronto. E isso pra mim diz muito sobre o mercado de trabalho, mas isso é para outro post. Hoje estou no momento gratiluz. 

Então é isso, né?

Gostaria muito de neste momento pandêmico ter aprendido algo novo. Não aconteceu. O que aconteceu mesmo foi a valorização do velho que eu tinha, e a certeza de que os laços de família, amizade, afeto e respeito deveriam reger o mundo. Se a gente se visse como uma grande família fraternal (incluindo a natureza que é CEO deste planeta), viveríamos melhor. 

Apagando a minha velinha virtual eu desejo amor e respeito para seguir adiante. Dignidade à todos os habitantes da Terra (que não é plana!), que possamos seguir na busca de melhoria como um plano de vida. Hoje eu sou melhor que ontem, e amanhã serei melhor que hoje, e assim que agradeço essa minha nova versão, deste novo ciclo.

Parabéns pra mim. Sigamos em frente. Obrigada, Vivi do passado. Bem-vinda, Vivi do futuro. 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

90 dias disso aí, taokey?

Quando começou tudo isso aí, me mandaram plantar uma hortinha de apartamento, decorar a casa, fazer faxina, colocar as séries em dia, fazer exercícios, cozinhar e me alimentar melhor, escrever um novo clássico da literatura, ler um clássico da literatura, e eu sai meninona achando que iria fazer tudo isso, e ainda segurar meu emprego - porque vamos combinar que não tá fácil pra ninguém.

Passaram 90 dias, e tudo que fiz até agora foi virar assídua de lives que não servem pra nada, participar de videoconferências, vi memes e coloquei coisas que não vou comprar em carrinhos de compras virtuais.

E, de verdade, se eu não fiz nada que mudou a humanidade quando era mais fácil, não vai ser agora.

E de boas? Já tem clássico pra cacete. Vamos combinar que ninguém escreve mais nenhum clássico até todo mundo ler o que tem por aí.

A Arca fechou


Todo dia dos namorados eu era a rainha da piada ruim. Admito que era um misto de revanche por não ter sucumbido à ordem social em me relacionar com dor de cotovelo por nunca ter encontrado o mozão.

Mas os filmes, as séries, a propaganda e a vida, me fizeram aceitar a condição de que nem todo mundo andava pelo mundo em par, ou trio...

Virei defensora dos solteiros convictos, e passei a me colocar nesta categoria. O que é um perigo para mulhres. De solteira, você passa à solteirona, e logo na sequência, tia.

Mas guerreira que sou, nunca me dei por vencida, se sempre tinha o contraponto do "ser solteiro é foda!".
Chegamos em 2020 e não estava na minha lista de coisas da vida enfrentar uma pandemia. E foi neste momento que o jogo virou, né minha filha?

Foto no "Insta" no botecão do centro de São Paulo com os amigos? Isso Non Ecziste mais.

Acordar com maquiagem até no ânus depois de uma noite de show bom, e chegar em casa tão cansada que não se tem a dignidade de tomar um banho? Esquece.

Churrascão começando 3 da tarde e terminando 3 da manhã com a frase "deixa eu fumar só mais este cigarro antes de ir"? It´s over, baby.

Teatro, shows, jogos, passeios no parque, festa na casa dos amigos, exposições, sumiram do dia para noite sem ao menos a gente se despedir. Se eu soubesse que aquele 14 de março era uma despedida, teria tomados mais umas 5 saideiras, depois das 3 que já tinha tomado, e ficaria ali dando tchau para vida, abraçando os amigos, e tentando entrar nesta capsula maluca chamada quarentena.

Aqui, no auge dos quase 100 dias sem o mundo de opções, limitada à telas, já acho que talvez, só talvez, seria interessante dividir isso com alguém.

Noé constriu sua arca, colocou os bichinhos de par em par, e quem ficou de fora da arca tenta entender como entrar nesta arca sem levar vírus para todos.