sábado, 8 de setembro de 2012

Fiódor Dostoievski

Tenho uma dívida com a humanidade. Nunca li Dostoievski. Sim, isso é uma humilhação. Hoje, quem nunca leu, não é ninguém. Sendo assim, não sou ninguém.
Sempre que vou à livraria, pego "Crime Castigo" na mão, e me dá uma preguiça, uma preguiça descomunal. Uma preguiça além da vida.

O que acontece é que estou cansada de ler literatura moderna recorrendo ao Seu "Dostô" (sim, já estamos íntimos). Raskólhnikov sempre é citado. Nos dois últimos livros que li, tinha este diacho de homi. Um sentimento de Raskólhnikov é a expressão usada. Como posso entender a profundidade do personagem se nem sei quem porra é Raskólhnikov?

Ontem eu estava andando pela Augusta e parei nessas banquinhas que vendem filmes cabeça. Aliás, esta expressão é a pior de todas, "filme cabeça". Vou mudar para "filmes que as pessoas têm uma desgraçada preguiça de assistir porque requer muita atenção, e tem atores desconhecidos do grande público", ficou melhor. Voltando. Estava eu na banquinha quando dou de fuça com "Crime Castigo". Olho, bocejo, olho. Penso, "Vai, Viviane. Você pode dizer a todos que leu o livro. Veja este filme e acabe com o segredo de Raskólhnikov". Porra, isso seria burlar o regulamento dos livros clássicos. Clássicos são para ser lidos. "Você não pode burlar este regulamento, Viviane. Você leu Pirandello, lembra". Minha consciência é foda, detona toda e qualquer chance de burlar o regulamento dos clássicos.

Com muita dificuldade larguei o DVD. Foi neste instante que uma pessoa pegou o DVD, e resolveu levar. Não resisti e fiz a pergunta: "Você leu?". "Sim, agora quero ver o filme". Bom rapaz, bom rapaz. Ou seja, só vou comprar o DVD depois de ler o livro, e no original. Sim, porque daqui pra frente esta será a minha desculpa para "Crime Castigo". Não li porque ainda não aprendi russo. Sabe como é, quero ler no original.

E assim vou tocando a vida. Peguei meu "Cidadão Kane" e fui embora. Fui embora com a consciência tranquila. Só peço uma gentileza aos que me encontram pelas ruas da cidade, não me falem de Raskólhnikov, por favor.



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