sábado, 27 de março de 2010

Fiapo de vida

As semanas te engolem.
Olha pra trás e pensa que tudo passou rápido.
Passou?
Está passando.
Um minuto parece uma eternidade enquanto se respira este minuto.
Um gênio. Todos são, e se acham, menosprezados por uma sociedade burra.
Capitalismo. Você é quanto você tem. E você, gênio, tem quanto?

Dizem que a vida é bonita.
Não é bonito ver os pés rachados com o corpo tapado por um cobertor xadrez.
Não é bonito ver um cabelo que não tem memória de um pente.
Um sorriso sem dente.

Uma cidade cinza que as semanas te engolem.
Amigos que os ouvidos doem.
Doem com a pobreza, doem com as lamúrias.
Doem com as angústias das semanas que engolem.

Dói a esperança sofrida de uma vida mal vivida.
Dói a espectativa do gênio.
Dói saber que faz parte de uma grande massa.

Saber que o universo é infinito, que as galáxias são distantes.
Saber que as semanas, os minutos, o dinheiro, a vida te engolem.

Até quando, gênio único?
Até quando vai doer?

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