sábado, 27 de março de 2010

A ciranda do amor

Já estava com 30 anos quando lhe pegaram na mão pela primeira vez.
Ele afastou aqueles longos cabelos que lhe tampavam os olhos para ver aqueles olhos miúdos, que não acreditavam no amor, brilharem como se vivesse seu primeiro amor. Era o primeiro.

O primeiro amor acontece lá nos primórdios da vida quando você encontra aquela pessoa de uniforme escolar. Com ela aocntecia aos 30 anos.

Achava que não podia ser verdade. O coração disparou, o peito estremeceu, as pernas bambearam, e as tais borboletas voaram bem no seu estômago.

Ouviu pela primeira vez "eu te amo". Frase de cinema, novela, de pessoas ao seu redor, mas que nunca havia ouvido. Aos 30 anos ouvia pela primeira vez algo que não ouviu sequer de sua mãe. E como era bom ser amada, e como era bom ter aquelas mãos sobre a sua. E como era lindo o vôo das borboletas coloridas.

Ficou na porta para ver seu amor patir. Falava baixinho "eu te amo!", falou tantas vezes quanto pôde. Eu te amo, eu te amo, eu te amo...Passaria a eternidade dizendo a frase que esperou 30 anos para ouvir.

Fechou a porta de casa e ficou dizendo aquela frase mágica. Deitou-se e ainda lembrava das mãos, dos olhos e das famosas borboletas.

Não acordou no dia seguinte.

Como última homenagem lhe deram um arranjo de flores com os dizeres "nós te amamos". E porque nunca disseram?

Um comentário:

SDC disse...

Oi Vivi.
Gostei, faz pensar, me fez sentir. E isto esta "paralisando" meus dedos, em algum nível me identifico com a personagem, algo que espero dos outros mas acho que depende mais de mim. Não, não vou ficar "filosofando". Vou ficar com o sentir.
E vc ? um livro ?.
Para não. Poder até ser depois dos 30.

Bjão.