quarta-feira, 2 de abril de 2008

Laís Winnicott

Esses dias uma amiga me convidou para um passeio meio inusitado. Ela disse que eu andava meio triste e que eu precisava me libertar. Como ela mesma diz, soltar a franga.

Sempre fui uma mulher muito recatada. Solteira convicta aos 38 anos, sem perspectiva alguma de relacionamento, ainda bem.

Montei meu tão sonhado consultório aos 30 anos, e clinico desde então. Ganho pouco, mas sinto uma enorme satisfação no que faço.
Tenho dois gatos: Freud e Jung. Moro em um apartamento pequeno da zona oeste do Rio de Janeiro. Tenho algumas bromélia, que por causa da dengue penso em me desfazer.
O que há de errado com uma vida assim
?

Cristina tem a minha idade, é formada em Educação Física. Nos conhecemos na academia perto de casa. Divorciada, sem filhos, sem namorado fixo, mas nunca sozinha.

Resolvi aceitar o convite.

No fundo tenho vergonha de dizer extamente o lugar ao qual fui levada. Mas posso dizer que é o típico lugar "ninguém é de ninguém".

Cristina me fez usar uma minisaia que nem minha irmã mais nova usaria, batom (coisa que eu não usava desde o colégio), salto alto, decote, brincos e colares. Não contente, me fez fumar maconha e beber algo colorido que eu sequer saberia escrever o nome.
Cristina dizia que era o assassinato do meu estilo psicóloga.

Acordei em uma casa na zona sul com alguém que nem em sonhos faria o meu tipo físico. Nem vou falar da pessoa. Afinal, nem saberia dizer o nome da pessoa em questão, quanto mais suas preferências, gosto musical, cor favorita, se gosta ou não de animais. Fui embora sem descobrir.

A dor no corpo era geral. Percebi alguns roxos em minha pele. Não havia dúvidas, fui espancada.
Pensei em prestar queixa. Mas não saberia informar se eu pedi para apanhar ou algo do gênero.
No fundo eu gostava de uns tapinhas. E no estado em que eu estava, devo ter pedido.
Resolvi passar por cima de tudo isso. Pelo pouco que eu me lembrava, a experiência tinha sido até que satisfatória.

Um novo dia de trabalho. O negócio é esquecer, e aprender com a experiência.
Paciente novo. Sempre um desafio. Pelo histórico, este estava com problemas para aceitar o término do relacionamento.
Traiu a namorada. Pediu perdão, ela não aceitou. Desde então, não consegue se relacionar com mulher alguma. As trata como objetos.

16:00 - Ele era pontual, bom sinal.
Não pude atendê-lo. Era o responsável por eu usar um lencinho no pescoço para disfaçar o chupão.

4 comentários:

Fuser disse...

aeh ngm é d ngm hahaha
gostei!
bj!

Gabriela disse...

"Traiu a namorada. Pediu perdão, ela não aceitou. Desde então, não consegue se relacionar com mulher alguma. As trata como objetos".
O triste é que há vários desses espalhados por aí, e o pior, disfarçados. Aliás, quando forçam demais na conquista, pode apostar. Conquistam por conquistar, pois subestimam as mulheres. Não valem um tostão furado. Casos como esses necessitariam mesmo era de uma terapia de choque. Pena a Laís ter sido tão ética...

Letícia disse...

Cruzes, Vivi, que medo. Será que corro riscos? Menina, essa vida de psicóloga é dura, viu?
Bjos
PS: Eu sei q vc adora "a classe".

Vivi disse...

Let´s, você corre o risco. E é justamente por ter um apreço especial pela classe, é que sei que isso pode acontecer. Credo mesmo, já pensou?
Beijos!