domingo, 10 de agosto de 2008

Grande Seu Fulano

O Veríssimo tem uma crônica ótima chamada “Grande Edgar”.


Acho que todo mundo já passou por uma situação Edgard.


A pessoa chega toda feliz por te encontrar e faz aquela perguntinha: “Não se lembra de mim?”. Você não lembra. Mas não quer ser desagradável. É aí que mora o perigo.


Esses dias eu estava esperando uma amiga no ponto de ônibus. Fiquei alguns minutos olhando os transeuntes. Eis que de repente desce um cidadão do ônibus e vem em minha direção. Braços abertos, sorriso largo, cecê vencido e me abraça.


- Puta merda, como você cresceu! Já é uma mulher!!!


Na minha mente eu brincava de cara-cara. Subiram todas as carinhas e eu não conseguia saber quem era o fulano.


Disfarçadamente fui saindo do abraço caloroso e fui me afastando com cara de “vem cá, te conheço?”.


- Está estudando ainda?


- Não, já terminei a faculdade.


- Puta merda, o tempo passa...


- É...


- E o Beto? Como ele está?


- Eu não conheço nenhum Beto.


Aí lá veio ele novamente dizer que eu estava grande e querendo me abraçar. Desta vez eu não agüentei.


- O senhor pode fazer a gentileza de me soltar? Não conheço nenhum Beto. E acho que nunca te vi mais gordo. Isso é um grande equívoco.


- Oras, seu nome não é Viviane?


Depois do meu fora, me neguei.


- Não, não me chamo Viviane.


- O nome da sua mãe não é Augusta?


Caralho, ele me conhecia. Não pensei duas vezes.


- Não, minha mãe não é Augusta.


- Me desculpe, mas é que você é a cara da Viviane filha da Augusta.


- Tudo bem, moço. Isso acontece. Tenho uma cara comum. Vivem me confundindo com alguém. (Sorriso)


Cínica, cínica, cínica. Por este episódio eu deveria receber 100 chibatas.


Mas tem coisa pior do que prolongar uma situação dessas?

4 comentários:

Let´s disse...

Como antiga leitora, lembro-me bem deste texto, lá do "Tudo a Declarar". Aliás, está entre os meus favoritos.
Bjos, Vivi.

Vanessa disse...

Já vivi algo parecido. O moço me encontrou no meio da rua, em pleno centro da cidade. Me deu um caloroso abraço e falou:

- Quanto tempo! Que saudade. Como você está? Faz tempo que não vê o pessoal?

Enquanto eu pensava "Que pessoal?", respondi:

- Sim, faz um tempinho. E você tem visto? (imaginei que ele soltaria alguns nomes... Mas nada!)

Me despedi, como se estivesse atrasada. Andei um pouco, matutei outro tanto, e lembrei de quem se tratava. Não era motivo para um abraço tão caloroso...

Eder disse...

Sabe o que é pior...quando te conhecem e não dão a minima, passam com seus narizes empinados fazendo de conta que são superiores. No fundo somos todos assim, dependendo do dia, a gente cumprimenta ou faz questão de vestir a capa invisivel e torcer pra que ela funcione.
Quando é assim com vc contou, por mais chato que seja, pelo menos alguém tá lembrando da gente.
Bjão.

Chapeleiro Noturno disse...

rsrsrs isso me diverte!
rsrsrsrsrs

Comigo é sempre na moeda trocada:
olho pra pessoa e se percebo que ela não vai querer cumprimentar já era. Nunca mais olho.
Mas o pior é q tem uns doidos que num dia te cumprimentam e no outro nem te olham. Putz vai ser indeciso assim no inferno!

www.pontesoniricas.blogspot.com

:)